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Do celular ao museu: como os emojis se tornaram a língua universal da internet

São mais de 3,3 mil desenhos acessíveis por celular, computador ou rede sociais. Os emojis se popularizam por captar o espírito do tempo, como as imagens de punho em riste e de pessoas com máscaras, e por serem essenciais para a comunicação não verbal na era digital, a ponto de fazerem parte da coleção do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA)

 

Há mais de 3,3 mil emojis disponíveis, segundo a Emojipedia

Nem inglês, espanhol e ou mandarim. A língua universal da internet, hoje, é o emoji 😊.

Criados na década de 1990 pela operadora de telefonia japonesa NTTDoComo, a coleção de figuras que compõem o primeiro idioma digital está presente em todos os países, com interpretações, se não iguais, extremamente semelhantes.

Além disso, como outros dialetos, esse também evolui. E seu sucesso entre pessoas de todos os cantos do planeta pode ser atribuído a capacidade de conseguir capturar o espírito do tempo.

Um exemplo são os novos emojis apresentados pela Apple neste ano. A nova coleção de imagens incluiu personagens com novas opções de chapéus e toucas, como as usadas por enfermeiros, e com máscaras faciais, item praticamente obrigatório em tempos de pandemia.

Mas essa não é a primeira e nem a última vez em que os desenhos animados de celulares e computadores mudam para comunicar o que se passa ao redor. Em 2015, a Apple saiu do padrão de cor amarelo que tingia suas imagens e permitiu aos usuários escolher entre cinco tons de pele, do branco ao preto.

Dessa maneira, cada um poderia decidir, por conta própria, qual imagem e tonalidade lhe representa de forma mais verossímil. Foi ainda em 2015 que o dicionário Oxford, pela primeira vez, elegeu um emoji como a palavra do ano.

Ainda hoje, no dicionário brasileiro Aurélio, a definição do termo segue a mesma: “Imagem que representa emoções, sentimentos, muito usada em aplicativos ou em conversas informais na internet, embora tenha um significado particular, cada uma é interpretada de acordo com o contexto em que está inserida: alguns emojis são usados de modo muito irônico.”

Enquanto alguns desenhos, de fato, inspiram humor, outros mostram verdadeiras revoluções – ou conquistas. Em 2016, por exemplo, foram incorporadas ao “idioma” as imagens de casais homoafetivos, de uma mulher levantando uma barra olímpica e um pai “avulso”, fato comemorado pela comunidade LGBT e feminista. Também em 2016 o desenho de uma arma foi retirado da coleção e substituído pela gravura de uma arminha d’água.

Ainda que essas atualizações aconteçam com alguma frequência, sua importância ficou mais evidente agora, em pleno 2020. Todo ano, a Emojipedia, uma enciclopédia online dedicada à documentação desses desenhos, organiza uma premiação popular para escolher o “Emoji do Ano” – e o vencedor é apresentado sempre em 17 de julho, no Dia Mundial do Emoji. 

Milhares de internautas do mundo inteiro participaram e a disputa ficou entre a mão em punho negra ✊🏿, usada para representar o movimento Black Lives Matter, e a figura de um víus 🦠, incluída nas conversas sobre o novo coronavírus.

Os movimentos sociais que surgiram a partir da morte do americano George Floyd falaram mais alto e o punho em riste negro foi eleito o Emoji do Ano.

Coisa de gente (e pesquisadores) grandes

Embora seja quase impossível mapear e mensurar o uso desses desenhos, visto que boa parte da comunicação digital é criptografada e protegida, um levantamento da Emojipedia, publicado em 2017, contava 5 bilhões de emojis enviados diariamente apenas via messenger, o aplicativo de mensagens da Apple.

Isso revela que os desenhos são virtualmente comuns a todas as gerações e seu uso é parte da comunicação moderna.

Dezenas de pesquisa sobre o uso dessas imagens foram feitos, sendo um dos mais recentes deles conduzido pelo The Kinsey Institute e publicado na revista eletrônica PLoS One, em agosto de 2019.

Liderado pela psicóloga Amanda Gesselman e pelo biólogo especializado em comportamento e evolução Justin R. Garcia, o estudo mostra que os emojis são ferramentas eficientes para as comunicações digitais afetivas, sejam elas românticas ou não.

“Nas interações presenciais, as pessoas comumente se apoiam em expressões e comportamentos não-verbais para transmitir emoções. Com sinais intencionais e não-intencionais, essa linguagem não-dita cultiva laços e afetos”, explicam os pesquisadores.

Na conclusão, os pesquisadores indicam que a comunicação escrita carece de muita informação sensorial, prevista em encontros cara-a-cara, mas que o uso de figuras, como os emojis, pode suprir, pelo menos em parte, essa falta e expressar afeição.

Para sustentar a teoria, Gesselman e Garcia apontam que 81% dos mais de 5 mil entrevistados declararam que usuários de emojis parecem mais amigáveis, mesmo em um ambiente profissional.

Quase 80% dos que participaram da pesquisa confirmaram que a adoção dessas imagens aumenta sua afeição e 63% declararam que os emojis impactaram positivamente sua credibilidade no trabalho. 

Evolução digna de museu

Hoje vasta e até “complexa”, a linguagem do emoji nasceu, literalmente, do amor. Um inocente pictograma em formato de um coraçãozinho disponível em um pager bastante simples da telefonia móvel japonesa NTTDoCoMo, no início da década de 1990, deu origem ao “idioma” que, até março de 2020, contava com mais de 3,3 mil desenhos, segundo a Emojipedia.

A NTTDoCoMo entendeu o potencial daquela singela figurinha quando recebeu críticas ferrenhas ao extingui-la em uma nova versão do pager, voltada para os empresários. Alguns usuários, tamanha revolta, abandonaram a marca por conta da decisão. 

Shigetaka Kurita, o pai do emoji

“Foi então que eu entendi que os símbolos já faziam parte de qualquer serviço de mensagens de texto”, disse , em entrevista ao jornal britânico The Guardian

Kurita esteve à frente da equipe da DoCoMo responsável por desenvolver 176 caracteres pixelados, inspirados em conceitos básicos da vida cotidiana, como figuras representativas de clima (🌧☀️⛅️), comidas e sentimentos ❤️.

Esse primeiro conjunto de emojis foi lançado nos telefones DoCoMo em 1999 e pode ser visto hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA.

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