Em cinco dias, Robinhood capta US$ 3,4 bilhões

A cifra, injetada por acionistas desde a última quinta-feira, 28 de janeiro, na trilha dos desdobramentos da “revolta das sardinhas”, é superior aos US$ 2,2 bilhões que o aplicativo de investimentos havia captado desde a sua fundação, em 2013

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Robinhood recepcionou 1 milhão de novos usuários na semana passada

“Fale bem ou fale mal, mas fale de mim”. O aplicativo de investimento Robinhood está reforçando essa máxima e mostrando que polêmicas podem render bilhões. Mesmo imerso em fortes críticas depois de proibir momentaneamente seus usuários de comprarem ações de companhias como GameStop e AMC, na famosa “revolta das sardinhas“, organizada num fórum do Reddit, o app levantou US$ 3,4 bilhões nos últimos dias.

De acordo com reportagem do Wall Street Journal, depois de receber US$ 1 bilhão de seus investidores na última quinta-feira, 28 de janeiro, para ajudar a enfrentar a turbulência dos últimos dias, a empresa acaba de levantar outros US$ 2,4 bilhões junto aos seus acionistas. 

O acordo não teve os detalhes revelados, mas, segundo o jornal americano, a negociação garante a esses investidores a opção de comprar, no futuro, ações adicionais da operação com desconto.

O montante arrecadado desde a semana passada é mais do que o aplicativo captou ao longo de toda a sua trajetória. Fundado em 2013, o Robinhood havia recebido, até então, US$ 2,2 bilhões em investimentos de fundos como Sequoia Capital e DST Global.

Com o novo aporte, a empresa pode enfim suspender o bloqueio do acesso a determinadas ações pelo aplicativo, o que enfureceu milhões de usuários. Em comunicado enviado a seus parceiros e clientes, o Robinhood explicou que sua decisão foi necessária por questões regulatórias.

“A Securities and Exchange Commission (SEC) exige que brokers depositem garantias em dinheiro para mitigar os riscos ao sistema e, diante da volatilidade, é comum que a exigência monetária seja maior”, escreveu a companhia.

No domingo, 31 de janeiro, o CEO do aplicativo, Vlad Tenev, disse que a garantia exigida era de US$ 3 bilhões – “um valor de magnitude muito maior do que normalmente é”, afirmou ele em entrevista ao The Wall Street Journal.

Agora, além de estar financeiramente amparado, o app também está com a popularidade em alta. Segundo a revista americana Barrons, um milhão de novos usuários desembarcaram na plataforma entre 27 e 29 de janeiro, enquanto o Robinhood se mantinha no topo dos aplicativos mais baixados da App Store e da Play Store. Parte desses novos recursos, aliás, tem como destino reforçar a estrutura da empresa, para acomodar essa maior base de usuários.

Famoso por “democratizar” o acesso à bolsa de valores americana, o aplicativo viveu seu ápice em 2020, quando chegou a uma base de 13 milhões de usuários.

Enquanto fóruns e posts em redes sociais mostram as dores e as delícias de investidores de varejo usando apps como o Robinhood, investidores profissionais alertam para os perigos do famoso day trade amador. “O sonho do lucro fácil vai acabar em lágrimas”, chegou a anunciar, em junho, o megainvestidor Leon Cooperman, da Omega Advisors.  

O Robinhood tinha planos de abrir seu capital no mercado americano, e chegou a dar entrada no processo de IPO em dezembro do ano passado, sob a liderança do Goldman Sachs e a expectativa de debutar com uma avaliação de até US$ 20 bilhões. Por conta dos últimos acontecimentos, a proposta estaria temporariamente suspensa, conforme reportagem da Fox Business.

Entenda a “revolta das sardinhas”

A pluralidade de aplicativos e plataformas gamificadas de investimento tornou o day trade uma atividade “comum” e acessível nos Estados Unidos, permitindo até que pessoas com pouca ou nenhuma experiência participem das bolsas de valores locais.

Dada a natureza desses aplicativos, muitos fóruns e comunidades dedicadas à discussão de estratégias e análises de mercado foram surgindo nas mais diferentes plataformas.

O Reddit, que é uma rede social feita basicamente de fóruns, se destacou com a “sala” WallStreet Bets, onde usuários combinavam ações conjuntas e compartilhavam reportagens.

Esses usuários, irritados com o que classificam como a manipulação do mercado capitaneada pelas vendas descobertas, feitas por fundos bilionários, resolveram contra-atacar – daí a alcunha “revolta das sardinhas”.

Ao fazer uma venda descoberta, um fundo aposta na queda do valor das ações de uma determinada empresa. Caso o papel suba, isso significa prejuízo ao fundo. O problema é quando a alta é muito maior que o esperado.

No caso da GameStop, por exemplo, uma varejista decadente de games, os usuários do Reddit conseguiram coordenar uma ação que resultou em uma alta de mais de 1000% em determinado momento, impondo perdas bilionárias a grandes fundos de Wall Street.

Gestores dessas casas chegaram a pedir a interferência dos reguladores, alegando manipulação de mercado. Na quinta-feira, 28 de junho, o Robinhood e seus “pares”, como Webull Financial, E*Trade Financial e Interactive Brokers Group, proibiram a compra das ações “comprometidas” nesse esquema, permitindo que seus usuários apenas vendessem os títulos que dispunham.

Uma avalanche de críticas públicas ganhou as redes sociais e políticos do calibre da deputada americana Alexandria Ocasio-Cortez e do senador republicano Ted Cruz pediram a investigação das empresas, para entender se os investidores de varejo estão sendo prejudicados.

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