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Entrar para o “clube” de sócios do Goldman Sachs ficou mais difícil. Porém, mais lucrativo

Executivos que ocupam cargos de alta geração de renda têm vantagem na corrida para se tornar um sócio do banco e ter acesso a bônus generosos e empréstimos milionários

 

Goldman Sachs tem valor de mercado de US$ 70,8 bilhões

Para resgatar o brilho do seu “clube” de sócios, o Goldman Sachs aposta na velha tática do “menos é mais”. De acordo com reportagem do The Wall Street Journal, o seleto grupo, que será anunciado no mês que vem, deve ser o menor desde meados de 1990. Em compensação, as regalias serão ainda melhores. 

O time escalado pelo tradicional banco terá acesso aos lucros dos fundos de investimento privados comandados pela instituição e serão contemplados com juros incorridos (carried interest) de outros quatro dos fundos de investimento privados do Goldman Sachs. A empresa garante o empréstimo de US$ 500 mil a cada sócio, a fim de aumentar o investimento pessoal de cada um. 

Essa escalada da bonança destoa da tendência salarial em Wall Street, que tem encolhido a remuneração desde a crise financeira de 2008. O próprio Goldman retornou aos funcionários 35% da receita anual de 2019, cravada em US$ 36,5 bilhões. Em 2011, esse percentual era de 42%. 

Não se sabe exatamente quantas pessoas vão compor o seleto grupo de sócios deste ano, mas o número não deve passar de 60. Em 2018, “apenas” 69 profissionais ascenderam para a posição e, segundo a instituição, tratava-se do menor número em duas décadas. 

O quadro societário do Goldman Sachs é uma tradição na empresa, que começou com a “premiação” a funcionários que arriscavam seu próprio dinheiro para financiar negociações e subscrever títulos.

Uma nova leva de sócios é anunciada a cada dois anos, sendo que os candidatos potenciais são identificados durante o verão do hemisfério norte, mas não são informados sobre a seleção. 

Depois dessa primeira peneira, os candidatos são avaliados, ainda em segredo, por sócios e outros funcionários-chaves do Goldman Sachs. O comitê de seleção privilegia aqueles que tenham causado um grande impacto na empresa, seja revolucionando uma área ou inaugurando um novo (e rentável) negócio, do zero. 

Uma vez aprovado, o candidato é então informado, por telefone, pelo próprio CEO da companhia, David Solomon. Os demais sócios da companhia não podem parabenizar os novatos até que a lista de convocados seja compartilhada com toda a instituição.

Profissionais podem participar dessa peneira mais de uma vez, e os que chegaram “perto” da seleção são comunicados, para que possam se preparar e se engajar mais no futuro, a fim de entrar para o time.

Apesar do acesso a um bônus mais generoso e outras tantas regalias financeiras, sócios disseram ao Financial Times que a rotina e o dia-a-dia na corporação quase nada muda com a indicação, mas que, ainda assim, ser parte do grupo é uma sensação única. “Não conte à minha mulher, mas o dia em que virei sócio foi o dia mais feliz da minha vida”, disse um deles, em condição de anonimato, ao jornal britânico. 

Desde que assumiu o cargo mais alto do banco, Solomon fez algumas alterações no processo de eleição dos novos sócios. Ele pediu aos “jurados” que deem preferência a executivos que ocupam cargos de grande geração de receita e que coloquem na lista apenas aqueles que têm uma chance real de “cruzar a linha de chegada”.

O CEO instituiu ainda que mulheres executivas sejam tratadas de forma justa e igualitária. Talvez por isso, em 2018, dos 69 novos sócios, 26% eram mulheres – a maior porcentagem desde o começo do programa. 

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