Essa startup captou US$ 80 milhões. E demitiu 10% da sua equipe

Portal de produtos e conteúdos para casa e gastronomia, a americana Food52 contrariou o script das startups ao demitir 20 de seus 200 funcionários pouco mais de três meses depois de reforçar seu caixa

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Merril Stubbs (à esq.) e Amanda Hesser, cofundadoras da Food52

No script tradicional seguido por praticamente toda e qualquer startup que se preze, quando se recebe um aporte, o destino do cheque passa, invariavelmente, pelos planos de ampliar a equipe e crescer a operação.

Dona de um portal online que reúne uma loja de artigos para casa e cozinha, e conteúdos com curadoria para entusiastas da gastronomia, a americana Food52 decidiu contrariar essa tese e experimentar outra receita.

Nesta semana, a startup demitiu cerca de 20 funcionários – ou 10% do seu staff. O que chama atenção são “alguns” detalhes. Em dezembro de 2021, a empresa captou um aporte de US$ 80 milhões liderada pelo fundo TCG.

Na rodada, a companhia foi avaliada em US$ 300 milhões. E aproveitou para ir às compras, ao desembolsar US$ 48 milhões na aquisição da Schoolhouse, empresa de artigos de iluminação e lifestyle.

“Acabamos de receber um novo financiamento, acabamos de adquirir outra empresa e a liderança apenas disse que tudo estava indo muito bem”, afirmou um funcionário ouvido pelo Business Insider. Outros membros do time se disseram chocados, pois haviam recebido aumentos salariais há apenas um mês.

Os profissionais desligados do quadro da startup receberam a notícia de Stacey Rivera, vice-presidente sênior de conteúdo, em reuniões realizadas via Google Meet, que levaram poucos minutos.

Entre outras questões, Rivera afirmou que as demissões foram um movimento para integrar melhor as aquisições recentes realizadas pela companhia.

Fundada em 2009, a Food52 foi criada por Amanda Hesser e Merril Stubbs, duas jornalistas da área de gastronomia com passagens pelo The New York Times. O negócio nasceu como um site que oferecia receitas práticas para preparar de sanduíches a sopas.

Posteriormente, a operação evoluiu para a venda de produtos e artigos de casa e cozinha. As demissões sinalizam uma mudança de prioridade na operação justamente em direção a esse segmento, visto como mais lucrativo do que o modelo centrado em conteúdo que deu origem à empresa.

“Acho que eles estão limitando os recursos para o conteúdo de qualidade e, em vez disso, focando na venda de produtos”, disse um funcionário. Ele acrescentou que as equipes de edição e de mídia social foram as mais afetadas pelos desligamentos.

Em 13 anos de operação, a Food52 levantou um total de US$ 176,3 milhões, em seis rodadas, que contaram com a participação de investidores como TCS Capital Management, 14W, Scripps Networks e LocalGlobe.

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