Ferrari não vê crise pela frente e acelera vendas

Icônica montadora italiana vê principais linhas do balanço baterem recorde, uma sinalização da resiliência do mercado de luxo, que não desacelerou mesmo diante da alta da inflação e sinais de arrefecimento da economia global

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Ferrari F8

Acostumada a bater recordes nas pistas de corrida, a Ferrari registrou desempenho histórico em seu balanço financeiro no segundo trimestre, graças ao aumento da demanda por seus carros. E a tendência é de novos resultados positivos, a ponto de a empresa ter elevado as projeções para o acumulado de 2022. 

Pouco afetada pelos efeitos da disrupção das cadeias de fornecimento que prejudicaram a produção das grandes montadoras, em função de seu menor volume de vendas, a Ferrari viu uma maior demanda por seus carros entre abril e junho, em especial de novos modelos. 

Além de desejarem um veículo da icônica marca em suas garagens, os compradores abriram a carteira no trimestre e aumentaram os gastos com personalização, o que pode incluir mudanças em acabamentos e em algumas peças. 

Estes fatores foram essenciais para o aumento de 29% no volume de vendas, na comparação com o segundo trimestre do ano passado, para 3,4 mil unidades. Com isso, a receita subiu 25%, na mesma base de comparação, para € 1,3 bilhão. O lucro líquido expandiu 22%, para € 251 milhões. 

No período, os veículos mais vendidos pela Ferrari foram os modelos Portofino M e F8. No Brasil, eles saem por cerca de R$ 3,5 milhões e R$ 5,2 milhões, respectivamente, de acordo com dados da Tabela Fipe. 

Sob o ponto de vista de geografias, destaque para China, Hong Kong e Taiwan, cuja demanda mais do que dobrou no trimestre (115,7%). As Américas também tiveram uma contribuição significativa, com as vendas subindo 62,2%. 

Ao identificar que a demanda deve permanecer positiva e o câmbio favorável, a Ferrari elevou as expectativas para o acumulado do ano. A montadora projeta agora uma receita ao final de 2022 de € 4,9 bilhões, acima dos € 4,8 bilhões que estimava inicialmente e dos € 4,3 bilhões de 2021. 

O lucro por ação ajustado passou de uma faixa de € 4,55 a € 4,75 para um intervalo de € 4,80 a € 4,90 euros. No ano passado, o ganho por ação foi de € 4,50. 

“A qualidade desses seis meses e a robustez do nosso negócio nos permite revisar para cima as projeções para 2022 em todas as métricas”, disse, em nota, o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna. 

O resultado da Ferrari no segundo trimestre mostra que o mercado de luxo não desacelerou neste começo de ano, mesmo diante da alta da inflação e sinais de que a economia mundial vai esfriar. 

Outras montadoras de luxo também tiveram resultados expressivos neste começo de ano. A também italiana Lamborghini, controlada pela Volkswagen, apresentou o melhor primeiro semestre de sua história. As vendas subiram 5%, para 5,1 mil unidades, a receita avançou 30,6%, para € 1,3 bilhão, e o lucro operacional expandiu 69,6%, para € 425 milhões. 

A britânica Bentley, que passou a ficar sob o controle da Audi no começo do ano, apresentou no primeiro semestre um lucro operacional de € 398 milhões, acima dos € 389 milhões registrados no acumulado de 2021. Em termos de volume, as vendas avançaram 3%, a 7,4 mil unidades. 

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