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GrubHub livra restaurantes de taxa de serviço e testa o apetite do mercado

Mesmo com a operação no vermelho, a plataforma de entrega comunicou que vai oferecer uma alternativa gratuita aos restaurantes parceiros. A decisão surpreendeu o mercado, pois apps de delivery costumam cobrar entre 15% e 30% de comissão

 

GrubHub tem valor de mercado de US$ 6,2 bilhões

Quando uma companhia opera no prejuízo, é comum ouvir notícias sobre cortes de gastos, salários e até estruturas, mas nunca de fonte de receita. O GrubHub pegou todos de surpresa ao anunciar que vai mesmo caminhar na contramão e liberar uma ferramenta que permite que restaurantes aceitem pedidos sem pagar nenhum tipo de comissão por isso.

Plataformas de delivery, como o GrubHub, têm como importante fonte de renda a taxa de serviço que cobram dos restaurantes, uma tarifa que varia entre 15% e 30%. Outra parte de seus rendimentos é proveniente da taxa de entrega, cobrada do usuário – essa será mantida intacta.

A proposta da companhia é isentar os restaurantes das comissões de serviço quando os pedidos são feitos fora do ambiente virtual da companhia. Isso significa que o GrubHub vai criar links diretos para cada estabelecimento, que ficam então livres para promovê-los em suas redes sociais, e-mail marketings e outras plataformas. Toda vez que um cliente clicar neste botão customizado de “pedir agora”, na página do restaurante, aquela transação fica livre da taxa.

“Mesmo que sejamos a ponte tecnológica do pedido, vamos abrir mão da comissão porque não estamos fornecendo o serviço de marketing”, disse Seth Priebatsch, diretor de receita da companhia, à rede americana CNBC. 

A empresa ainda vai monetizar com a taxa de processamento do pagamento e com a cobrança da entrega, paga pelo usuário, mas perde uma parcela significativa da transação. 

“Me parece uma estratégia bastante arriscada”, diz o economista Simon Board, professor da UCLA, ao NeoFeed. “A impressão que dá é que a companhia está, de alguma forma, subsidiando o aumento de sua base de restaurantes, mas isso pode mexer com a temperatura do mercado inteiro – e estamos falando de um setor sensível”. 

Embora os aplicativos de delivery estejam experimentando uma alta considerável na demanda, por conta das medidas de isolamento em vigor, as operações dos maiores players não estão lucrativas. O próprio GrubHub deve encerrar o ano no vermelho, mesmo com a demanda em alta. 

No final do terceiro trimestre, o app viu sua média diária de pedidos saltar 46% para 668,8 mil pedidos, ao mesmo tempo o número de usuários ativos avançou 41%, para 30 milhões. Tudo isso colaborou para que, nos primeiros nove meses de 2020, o app gerasse uma receita de US$ 1,3 bilhão, mas anotasse prejuízo de US$ 88 milhões. Entre janeiro e setembro de 2019, o GrubHub gerou US$ 970 milhões de receita, com lucro de US$ 9,1 milhões. 

No relatório apresentado aos investidores, a companhia defende sua decisão polêmica de abrir mão dessa importante comissão, sobretudo em tempos difíceis. “O Grubhub foi fundado para ajudar restaurantes a construir suas marcas online: fizemos isso por mais de 20 anos antes da pandemia, estamos fazendo isso durante a pandemia e continuaremos apoiando a comunidade de restaurantes por muito tempo depois da pandemia”, escreveu a empresa no documento.

O peso da comissão de serviço aplicada pelos aplicativos de entrega há tempos é alvo de críticas e apelos por parte de restaurateurs, mas até a pandemia, muitos tinham a opção de não se alinhar a nenhum app de delivery e conduzir uma operação de entrega caseira. 

Agora, com as medidas de isolamento aplicadas em grandes centros urbanos, como Nova York e Los Angeles, a única alternativa para o setor é operar sob o esquema de entrega profissional – daí a necessidade de encontrar uma empresa de tecnologia parceira.

O GrubHub quer ser essa “mão amiga”, mas não o faz por camaradagem. A empresa confirma que a polêmica decisão de trabalhar com esses links diretos gratuitos tem a ver com a sua própria subsistência. Segundo a Associação Nacional de Restaurantes, 110 mil estabelecimentos vão encerrar suas operações por conta da pandemia – e sem restaurantes, o GrubHub e outros apps não têm o que vender. “Essa é uma das maneiras que podemos ajudar; queremos ser parceiros e converter o tráfico online de cada restaurante em pedidos”, disse Priebatsch. 

O mercado não reagiu bem à novidade e as ações da empresa encerraram o pregão da última terça-feira, 8 de dezembro, numa queda de 2,1%. Desde o começo do ano, contudo, a companhia acumula alta de 37,5% e seu valor de mercado é de US$ 6,2 bilhões. Em junho deste ano, a holandesa Just Eat Takeaway.com desembolsou US$ 7,3 bilhões pela aquisição do GrubHub. A negociação passa agora pela análise dos órgãos responsáveis e a expectativa é que a transação seja concluída no ano que vem. 

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