Itaú Unibanco entra de cabeça na tokenização de ativos financeiros

Banco anuncia criação de unidade de negócio responsável pela transformação de ativos em representações digitais, visando atingir um número maior de investidores, além dos qualificados

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O Itaú Unibanco está avaliado em R$ 204,7 bilhões

No passo mais recente de seu processo de digitalização e da tentativa de se colocar na vanguarda dos produtos financeiros, o Itaú Unibanco anunciou nesta quinta-feira, 14 de julho, o lançamento da Itaú Digital Assets, área que será responsável por ampliar o uso da tokenização de ativos na instituição. 

A divisão vai responder pela tokenização de ativos financeiros, ou seja, pelo processo de transformação de ativos em representações digitais, os chamados tokens, como um título ou uma ação numa rede blockchain. A unidade fará parte da diretoria de Mercados Globais, Tesouraria e América Latina do Itaú Unibanco, liderada por Pedro Lorenzini. 

Segundo Vanessa Fernandes, executiva encarregada de liderar a Itaú Digital Assets, a área vai tokenizar os ativos dentro do portfólio do banco, o que permitirá democratizar o acesso a produtos financeiros, antes restritos a investidores qualificados. A executiva tem 15 anos de casa, atuando na equipe de tecnologia. 

“A tecnologia permite melhoria na precificação [dos ativos], trazer mais eficiência, acessibilidade a pequenos investidores e aumentar a liquidez dos ativos”, disse ela durante a apresentação da área. 

Além da tokenização, a Itaú Digital Assets vai desenvolver uma plataforma, chamada de “token as a service”, onde ocorrerá a originação dos ativos, com assessoria na criação dos tokens, a emissão, distribuição e a custódia dos ativos, tudo desenvolvido dentro do banco. 

A ideia é que esses serviços estejam disponíveis até o fim do ano, com a distribuição feita pelos canais do Itaú, entre eles o íon, plataforma de investimentos voltado para clientes que têm conta corrente nos segmentos Uniclass e Personnalité, em que é preciso ter renda mensal a partir de R$ 4 mil e R$ 15 mil, respectivamente. 

“Sendo uma plataforma proprietária do Itaú, ela consegue trazer segurança para o investidor e o emissor”, afirmou Fernandes. 

O banco escolheu o mercado de crédito para ter os primeiros produtos tokenizados, por conta de sua expertise no segmento e pelo baixo risco, com preferência por ativos tradicionais com lastros reais. Criptomoedas não fazem parte dos planos da Itaú Digital Asset no momento. 

O primeiro ativo tokenizado pela Itaú Digital Asset foi emitido no dia 4 deste mês. Foram recebíveis antecipados por um cliente, cujo nome não foi revelado, totalizando R$ 350 mil, com prazo de 35 dias. Essa emissão foi voltada a clientes do Private Banking e funcionários do banco. 

Fernandes não informou quanto o banco está investindo na divisão e na plataforma. Ela observou que a operação é tocada em conjunto com outras áreas, como produtos, distribuição e back office. 

Com a Itaú Digital Asset, o Itaú Unibanco avança na modernização da sua oferta de produtos, especialmente no processo de tokenização. No começo de junho, o Itaú BBA, banco de investimentos do grupo, coordenou a primeira emissão de debêntures tokenizadas do País. 

Os ativos foram emitidos pela Salinas Participações, uma empresa do Rio de Janeiro especializada na área de home care. A operação totalizou R$ 74 milhões, com prazo de seis anos e remuneração de CDI +3,90%.

Por volta das 14h45, as ações preferenciais do Itaú Unibanco caíam 2,41%, a R$ 21,86. No ano, elas acumulam alta de 4,25%, levando o valor de mercado a R$ 204,7 bilhões.

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