Made in USA? JBS “está mais internacional do que nunca”, diz o BofA

A empresa brasileira surpreendeu os analistas ao registrar um resultado melhor que o esperado no segundo trimestre, influenciado, principalmente, pelo desempenho da operação nos EUA. Em linha com esse cenário, a JBS anunciou uma proposta para assumir 100% das ações da Pilgrim’s Pride no país

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Maior processadora de carnes do mundo, a brasileira JBS está mais internacional do que nunca, afirmam os analistas do Bank of America, em relatório distribuído a clientes na manhã desta quinta-feira, dia 12 de agosto.

Na análise, o banco destacou o desempenho da JBS nos Estados Unidos, onde o Ebitda ajustado da operação no segundo trimestre superou em 15% a projeção do BofA. O mercado americano, reforçam os analistas, representa 90% do Ebitda consolidado da companhia.

No fim da noite da quinta-feira, 12 de agosto, a JBS reforçou esse apetite pelos negócios nos Estados Unidos ao divulgar que o seu Conselho de Administração aprovou o envio de uma proposta para a compra da totalidade das ações da Pilgrim’s Pride, com o plano de fechar o capital da produtora americana de frangos e de carne suína, na qual a empresa brasileira detém uma fatia de 80,21%.

Nos termos da proposta, a JBS planeja pagar US$ 26,50 por ação da Pilgrim’s Pride. Segundo a empresa, a transação representa um prêmio de 17% em relação ao preço de fechamento das ações ordinárias da companhia americana, avaliada em US$ 5,5 bilhões, no pregão da quinta-feira.

“A operação proposta tem como objetivo, em especial, simplificar a estrutura societária das subsidiárias da JBS, maximizando sua eficiência administrativa, otimizando as receitas e aumentando ainda mais sua flexibilidade operacional e estratégica”, afirmou a JBS, em comunicado.

Para os analistas do BofA, a operação dos Estados Unidos é justamente um dos fatores que contribuíram para que a JBS registrasse um Ebitda ajustado de R$ 11,7 bilhões no segundo trimestre, número 10,8% superior às estimativas do banco.

“Enquanto isso, a operação do Brasil continua a enfrentar ventos contrários relacionados a custos inflacionários, repasse limitado e moeda local mais forte”, escrevem os analistas Isabella Simonato e Guilherme Palhares.

Na visão do banco americano, a JBS está no caminho certo para cumprir sua estratégia de longo prazo de crescimento orgânico e inorgânico dos negócios, ao mesmo tempo em que consegue retornar capital aos acionistas.

Desde o início do ano, a JBS retornou R $ 7,5 bilhões em dividendos que foram anunciados ou pagos e em recompras líquidas, um rendimento implícito de 9%.

Sob a ótica do crescimento inorgânico, a companhia confirmou, na semana passada, a aquisição de 100% das ações da Huon, empresa listada na Austrália. Nos termos do acordo, a JBS vai pagar 425 milhões de dólares australianos (US$ 314 milhões) pelo ativo.

“Trata-se de uma aquisição estratégica, que marca a entrada da JBS no negócio de aquicultura. Vamos repetir o que fizemos anteriormente com frango, suínos e produtos de valor agregado, para deixar nosso portfólio ainda mais abrangente”, disse, em fato relevante, Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS.

No segundo trimestre, a JBS registrou lucro líquido de R$ 4,4 bilhões, alta de 30% em relação a igual período do ano anterior. O BofA recomenda compra dos papéis, com preço-alvo estimado de R$ 50. Na quarta-feira, a ação fechou negociada a R$ 33,01.

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