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Transformação Digital

Medidas, tecidos e algoritmos: como a Oficina está criando o alfaiate do futuro

Um software ajuda a marca do grupo Reserva a produzir camisas sob medida. Agora, ela se prepara para se expandir através de lojas próprias e franquias e estuda um modelo exclusivo de assinaturas de roupas

 

Felipe Siqueira, da Oficina Reserva

Em 2014, Felipe Siqueira era um consultor que atuava na empresa de recrutamento de executivos Michael Page, em São Paulo. O emprego exigia um traje formal: camisas sociais, blazers e sapatos.

Boa parte dos funcionários da Michael Page usava o serviço de alfaiates para ter peças personalizadas e bem alinhadas, uma exigência para quem precisava se relacionar com altos executivos de grandes empresas.

Certo dia, Siqueira teve uma ideia: por que em vez de ir até ao alfaiate, o alfaiate não viria até ele? Marcou, então, um horário com um profissional que atendia a maioria dos consultores da Michael Page, reservou uma sala e avisou os colegas de trabalho.

“Nunca vou esquecer desse dia. Em duas horas, o alfaiate conseguiu pedidos que somavam R$ 27 mil”, relembra Siqueira. “Pensei: tem um negócio ali, mas precisava buscar uma forma de baixar o preço e tornar esse modelo em escalável.”

Siqueira pediu demissão da Michael Page e foi para Belo Horizonte, sua cidade natal. Lá, com a ajuda de dois sócios – o engenheiro Gabriel Zandomênico e o mestre em ciências da computação João Paulo Pesce – começou a desenvolver um algoritmo para melhorar o processo de produção de camisas sociais sob medida (mais tarde se juntou ao trio o administrador Arthur Bretas).

“Eu queria reduzir o preço das camisas de R$ 600 para R$ 300 e o prazo de entrega de 60 dias para 15 dias”, diz Siqueira. Em maio de 2015, nascia a Social Tailor, sua startup para resolver as “dores” de uma das profissões mais antigas e pouco tecnológicas do mundo: o alfaiate.

A Social Tailor é o embrião da Oficina Reserva, uma joint venture da startup mineira com o Grupo Reserva, do empresário Rony Meisler, que começou a operar em janeiro de 2017. A participação de cada um no negócio não é revelada.

“Tinha o sonho de fazer uma marca de básico”, afirma Rony Meisler, fundador e CEO do grupo Reserva, que deve faturar R$ 400 milhões em 2019. “Eles tinham um algoritmo que fazia camisa social sob medida. Fizemos, então, negócio com eles e está sendo um baita sucesso.”

Modelo Avon e Natura

Hoje, a Oficina Reserva tem um modelo misto que combina 150 consultores porta a porta com duas lojas próprias. Esse exército de vendedores foi inspirado nos consultores da americana Avon e da brasileira Natura, ambas da área de cosméticos. Só que, em vez de produtos de beleza, eles estão munidos de uma fita métrica e um smartphone.

Todas as medidas são colocadas em um aplicativo de celular e enviadas para o quartel-general da Oficina Reserva, que se mudou para o Rio de Janeiro após o negócio com o grupo Reserva. Lá, em apenas seis minutos um molde é desenhado. No processo tradicional, o alfaiate demora, pelo menos, duas horas.

O cliente pode ainda escolher uma camisa entre 300 mil combinações possíveis. Não há nenhuma marca visível. A única concessão é a possibilidade de bordar as iniciais do nome do cliente. “A gente acredita que não precisamos ser um outdoor”, afirma Siqueira.

“A gente acredita que não precisamos ser um outdoor”, afirma Siqueira

A entrega acontece, em média, 15 dia depois de as medidas serem tiradas. No processo tradicional, Siqueira diz que o cliente só recebe a camisa pronta entre 45 dias e 60 dias. O preço começa a partir de R$ 299.

Atualmente, a Oficina Reserva conta com consultores em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Belo Horizonte. Em 2020, a meta é chegar a 400 “alfaiates” e aumentar a abrangência territorial deles.

Os profissionais não são funcionários da Oficina Reserva. Em geral, são pessoas que complementam a renda com um segundo emprego. A remuneração são comissões que variam de 15% a 20%, dependendo do desempenho das vendas. “Nosso melhor consultor chega a tirar R$ 10 mil por mês”, afirma Siqueira.

Lojas próprias

Depois de tirar medidas de mais de 10 mil homens, a Oficina Reserva colocou todos os números em um novo algoritmo e criou uma linha de produtos básicos para vender em lojas próprias.

“Conhecemos, como ninguém, as medidas dos homens brasileiros e criamos nossos próprios modelos, com um caimento perfeito”, afirma Siqueira.

Loja da Oficina Reserva em shopping no Rio de Janeiro

A Oficina Reserva tem atualmente duas lojas no Rio de Janeiro. A terceira será inaugurada em São Paulo, em meados de setembro, no cruzamento da Rua da Consolação com a Oscar Freire, endereço nobre da capital paulista.

“Nosso plano é ter, no mínimo, cinco lojas em 2020”, diz Siqueira, que é o responsável pelo marketing da Oficina Reserva. “Devemos expandir em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.”

Meisler disse, com exclusividade ao NeoFeed, que a expansão das lojas deve ser também no modelo de franquias. Ele afirmou também que está nos planos da marca alugar roupas, em um modelo inédito no Brasil. “O cliente paga um fee mensal para usar o produto”, disse Meisler. “Vamos entrar nesse mercado muito em breve.”

As lojas da Oficina Reserva têm também uma pegada diferente das do varejo tradicional. Elas incluem uma barbearia, um bar da marca de uísque Johnnie Walker e um ateliê de costura para fazer ajustes. O consumidor pode optar também por um modelo sob medida.

O ambiente é também cheio de tecnologia. Não há, por exemplo, caixas. Todo o atendimento é feito pelo vendedor, que ajuda o consumidor a escolher a roupa, recebe o pagamento e entrega a mercadoria, semelhante ao modelo adotado pelas lojas Apple, nos EUA.

As peças contam com etiquetas RFID, uma espécie de chip que emite sinais de rádio. Quando o consumidor entra no provador, um leitor óptico sabe o produto que ele leva e o que rejeita. A tecnologia ajuda a Oficina Reserva no desenvolvimento de novas coleções.

O modelo mais vendido, diz Siqueira, é uma camiseta preta básica, no melhor estilo de Steve Jobs, o cofundador da Apple (morto em 2011), que sempre vestia um modelo parecido.

“Eles oferecem um produto com preços acessíveis, sob medida e de qualidade”, afirma Amnon Armoni, coordenador do curso de Gestão Estratégica de Marketing da Faculdade Armando Alvares Penteado (FAAP). “É um conceito interessante e diferente do que existe. Vai pegar? Espero que sim. Acredito? Não sei.”

Armoni diz que um dos desafios da Oficina Reserva é desenvolver um produto premium sem marca. “Roupa envolve marca”, afirma Armoni. “Pode ser um problema.”

Pelo Facebook

Siqueira e Meisler se conheceram de uma forma inusitada. Quando a empresa ainda se chamava Social Tailor, um cliente importante de Belo Horizonte escreveu um post pelo Facebook recomendando a empresa.

Rony Meisler, fundador e CEO do grupo Reserva

Muitas pessoas comentaram o post e ele acabou aparecendo no newsfeed de Meisler, que se interessou pelo modelo de negócio da empresa e enviou um e-mail para o endereço de contato da companhia.

‘Ele mandou uma mensagem para o contato@socialtailor.com.br. No começo achei que fosse uma pegadinha”, relembra Siqueira.

Depois de uma conversa inicial, ele foi até o Rio de Janeiro conhecer Meisler. Quando chegou lá, outra surpresa. O CEO do grupo Reserva o recebeu de bermuda e com todos os sócios e diretores.

Apesar de os dois se identificarem desde o começo, a negociação foi longa e só foi selada um ano depois, no fim de 2016. Siqueira conversava também com alguns fundos de venture capital, mas avaliou que o grupo Reserva poderia ter mais sinergias com o seu negócio.

Meisler concorda. “A Oficina Reserva é um produto básico que flerta com o trabalho”, diz ele. “É um produto para outra ocasião da vida do homem.”

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