Na Amazon, uma revolta cada vez mais frequente

Não é a primeira vez que funcionários se rebelam contra a cultura interna da gigante americana. Agora, centenas deles estão usando um canal interno de comunicação para criticar abertamente o sistema de avaliação de desempenho e de coaching, classificado como ambíguo e injusto

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Não foram poucas as vezes em que críticas à cultura interna da Amazon e ao tratamento dispensado aos em seus executivos e funcionários vieram à tona. Em muitas dessas ocasiões, os comentários nada positivos eram ligados ao estilo cruel e impiedoso de Jeff Bezos, fundador da gigante de tecnologia.

No início de julho, Bezos deixou o dia a dia da companhia e entregou o comando da operação para Andy Jassy, que, até então, comandava a Amazon Web Services (AWS), braço de tecnologia do grupo. Mas, ao que tudo indica, o novo CEO ainda não conseguiu modificar essa percepção dentro da empresa.

O novo alvo dos burburinhos entre os profissionais da companhia é o Performance Improvement Plan, ou PIP, como é mais conhecido o sistema de avaliação de desempenho e plano de melhoria de performance da Amazon.

Diferentemente das postagens feitas por ex-profissionais com passagens ela Amazon em fóruns online como o Reddit, dessa vez, centenas de funcionários estão criticando abertamente o sistema, por meio de um canal interno de comunicação na plataforma Slack. Criado no fim de julho, o canal leva o nome de “I got pipped”, em uma referência ao programa em questão.

Segundo o site americano Business Insider, o canal já conta com quase 300 funcionários desde a sua criação. Nele, muitos profissionais estão fazendo desabafos sobre situação na empresa e contando piadas autodepreciativas sobre suas inclusões no plano de avaliação. Outros, por sua vez, dão conselhos sobre como sair do programa.

“Seria bom saber se é possível sobreviver ao PIP e permanecer empregado”, escreveu um dos funcionários. “Sempre ouvimos sobre essas coisas assustadoras, mas, desta vez, parece pessoal”, complementou outro profissional.

Parte das críticas e da revolta é direcionada ao que os funcionários classificam como ambiguidade e injustiça do sistema. A alegação é de que o programa dá muito poder aos gestores e, em contrapartida, oferece poucos recursos para quem está incluído no programa.

“Seu gestor não confiaria mais em você quando o colocasse no seu dev/pip. É a natureza humana”, afirmou um dos profissionais. Nesse caso, dev/pip se refere a uma parte do programa que inclui um sistema de coaching, voltado a funcionários com baixo desempenho.

Nas postagens, os funcionários também fazem referência a uma prática interna da Amazon, conhecida como “contratar para demitir”. Nela, os gestores contratam profissionais que pretendem demitir no prazo de um ano apenas para cumprir a meta de rotatividade anual, conhecida internamente como “unregretted attrition”.

O sistema de avaliação da Amazon é baseado em regras complexas de classificação. Os funcionários são distribuídos em um dos cinco grupos de desempenho. A lista inclui o nível “superior”, o de ”alto valor”, que tem três subdivisões, e o “menos eficaz”.

Cada gestor atribui notas aos profissionais sob sua alçada, mas não é instruído a dividir a avaliação de desempenho com esses funcionários. Ao mesmo tempo, esses executivos precisam atender as métricas da “unregretted attrition”, que incluem um índice de 6% de funcionários que não se importam em deixar a empresa, voluntariamente ou não, segundo documentos obtidos pelo Business Insider.

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