No “mar de sal” da Argentina, o glamping ganha um representante de respeito

Em um lugar inóspito, uma espécie de ímã de aventureiros, um empresário resolveu criar um acampamento cinco-estrelas. Eis o Pristine Salinas Grandes

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Deserto de sal espetacular que ocupa 212 quilômetros quadrados e fica a 3.400 metros de altitude na província de Jujuy, noroeste da Argentina, Salinas Grandes entrou para o mapa de destinos dos aventureiros que não abrem mão de conforto. Mas só a partir de 1º de novembro. O motivo é a chegada do Pristine Salinas Grandes, “glamping” (camping com glamour) que abre as portas por lá nessa data.

Baseado no conceito dos acampamentos ecológicos com serviço cinco-estrelas que tanto vêm fazendo sucesso pelo mundo, o Pristine reúne só quatro tendas-suítes – duas com 29 metros quadrados e duas com 39 metros quadrados – e uma tenda central comum aos hóspedes.

Todas são erguidas com princípios sustentáveis, como 100% de energia solar e uma rígida política de gestão de resíduos, e estrutura de domes geodésicas sobre plataformas de madeira, que evitam a corrosão do solo.

Para pousar o Pristine por ali, seu fundador, o empresário Nicolas Languasco Basy fez um acordo com a comunidade indígena local, por meio de um contrato legal com a Cooperativa Cachi del Chincho do povoado de Aguas Blancas.

Cada uma das domes foi batizada com um nome indígena que dita os tons da decoração. Ou seja, “Qoyllur” (Estrela, tons de cinza), “Pacha” (Terra, cores de terra), “Inti” (Sol, nuances de ocre) e “Killa” (Lua – azuis e rosas).

No interior, há camas king size, ambiente de estar com mesa de tora de madeira e aquecedor em ferro tipo salamandra. As maiores possuem também sofá-cama para acomodar mais uma pessoa e banheira no deque externo com aquecimento a lenha perfeita para o relax sob as estrelas.

“O protagonismo da cultura ancestral de nossos sócios estratégicos da Cooperativa Cachi del Chincho da comunidade de Aguas Blancas e os valores aplicados à sustentabilidade real do projeto fazem de Pristine um sonho com o qual muitos se identificam”, diz o empreendedor.

O argentino já atuava, desde 2013, na comercialização de produtos turísticos da Argentina. “Fomos mais além dos limites da imaginação, da ciência e da engenharia para poder criar um produto que redefine a hotelaria moderna no nosso charmoso país.”

A filosofia, segundo ele, é a de promover o desenvolvimento do local sob um modelo de “economia circular”, no qual se priorizam a cultura, os recursos humanos, a paisagem remota e o serviço de primeira.

As tendas se parecem com quartos de hotéis cinco-estrelas

Para tanto, foi conduzido um importante trabalho junto à população composta de 25 famílias do povoado na capacitação de jovens e no resgate de tradições locais. A gastronomia é um exemplo disso.

À cargo da chef regional Mariana Garcia del Rio, ingredientes ancestrais, como milho e quinoa, e receitas autênticas do povoado ganham uma abordagem gourmet e um toque de cozinha molecular.

“Acredito que revalorizar nossos ingredientes ancestrais e valorizar o que é saudável e o que a terra provê é fundamental para seguirmos promovendo a nossa cultura”, afirma Garcia del Rio.

Com diárias partir de US$ 682 para duas pessoas, incluindo todas as refeições e os passeios, o glamping promete oferecer experiências como visitar a Cooperativa Cachi del Chincho e participar do processo de extração de sal. E, ainda, ver o nascer e o pôr-do-sol no local, algo antes impensável por lá, já que visitantes iam e voltavam no mesmo dia desde Salta ou San Salvador de Jujuy pois não havia onde passar a noite.

Entre os passeios estão a observação de estrelas com guias especialistas em astronomia, a visita às salinas com explicações geológicas e uma experiência de fotografia personalizada, tour ao pitoresco vilarejo de Purmamarca e um trekking leve pelas montanhas coloridas. Também é possível fazer o passeio à Quebrada de Humahuaca, declarada Patrimônio Natural e Cultural da Humanidad pela UNESCO, em 2003, e que abriga vilas andinas e ruínas pré-incas.

O percurso até Salinas Grandes já marca o início da aventura. As Salinas Grandes ficam a mais de 1400 quilômetros de Buenos Aires. O aeroporto mais próximo é o San Salvador de Jujuy, a 131 km de distância. Há também há a opção de voar para Salta, a maior cidade da região, porém mais distante – a 248 km.

Desde Jujuy, a viagem passa pela Montanha de Sete Cores, o povoado de Purmamarca, e a famosa Cuesta de Lipán, um trecho íngreme e em zigue-zague da Rota Nacional 52, que liga o norte da Argentina ao Deserto de Atacama, no Chile. O Pristine Salinas Grandes é o primeiro de cinco projetos da marca na Argentina.

Outras aventuras ainda estão por vir em destinos como o Valle do Uco, em Mendoza, e o Parque Nacional Esteros del Iberá, conhecido como o “Pantanal argentino”. “A ideia é converter o nosso país em: ‘Argentina, primeiro destino glamping do mundo’”, diz Languasco Basy.

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