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Nos copos e taças, o vermute volta a ganhar protagonismo

Com uma nova geração de vermutes importados de produtores que apostam na qualidade, o Brasil é um dos países que está reforçando a procura pela bebida, cujo consumo global cresceu, em média, 16% nos últimos dois anos

 

Negroni, um dos drinques clássicos feito com o vermute

Mais conhecido por ser o ingrediente de drinques clássicos como Negroni, Manhattan ou o Dry Martini, o vermute vêm ganhando cada vez mais protagonismo nos copos e taças.

Esse ‘renascimento’ vem na esteira de produtores renomados, que estão apostando na qualidade do vinho base e na complexa combinação dos botânicos infusionados, seguindo a bem-sucedida onda surfada pelos gins.

Essa nova posição é atestada pelos números. Segundo o instituto de pesquisa britânico IWSR, nos dois últimos anos, o consumo mundial de vermute cresceu, em média, 16%. Até 2027, deve ser um mercado global de US$ 15,7 bilhões, de acordo com estimativa da Grand View Research.

O mercado brasileiro está em linha com essa tendência. Por aqui, um dos grandes casos de sucesso recente é o do vermute francês Lillet, produzido na região de Bordeaux, que chegou ao Brasil pela Brand Factory (Pernod Ricard Brasil).

O Lillet foi criado no século XIX, utilizando o vinho branco de Bordeaux e amadurecido em barricas de carvalho por cerca de seis meses. Em 2020, as vendas ao mercado brasileiro do vermute francês registrou um crescimento superior a 60%.

Outro destaque no Brasil é a Rey Fernando de Castilla, vinícola histórica de Jerez, que lançou seu vermute em junho de 2016, utilizando um blend de Oloroso, com idade média de oito anos de envelhecimento e infusionado com 27 botânicos.

Jan Petersen, enólogo e sócio da vinícola, comenta que os vermutes de Jerez passaram pela mesma crise dos vinhos de Jerez nas última décadas, quando o foco migrou para a produção de grandes volumes, deixando de lado a qualidade.

“É uma lição que trazemos para os vermutes de Jerez também: manter o foco na qualidade do produto para não repetirmos os erros do passado”, diz Petersen.

O vermute francês Lillet

Segundo a Casa Flora, importadora dos produtos de Rey Fernando de Castilla no Brasil, o vermute da vinícola registrou um crescimento de 15% nas vendas em 2020.

Influenciada pelo sucesso espanhol, a restauratrice Cristiana Beltrão, do carioca Bazzar, criou o seu vermute após comentário de um amigo e cliente catalão. “Há dois anos, ele falou sobre o fenômeno do vermute em Barcelona, onde se cunhou o termo vermuteo, em associação ao tapeo”, conta Cristiana Beltrão. “O costume de sair para beber vermute já estava tão presente quanto sair para comer tapas”

O Bazzar lançou seu vermute neste ano, utilizando apenas produtos brasileiros (vinho da Serra Gaúcha e botânicos da região Sudeste). Segundo a restauratrice, a previsão mais otimista era que as garrafas produzidas durassem um mês. Mas, em poucos dias, elas já se esgotaram.

“A ideia era testar o produto, ainda sem investir na divulgação, e, apenas no boca a boca, foi tudo vendido”, diz Cristiana, que teve que acelerar a produção de um novo lote.

Contemporâneo do caso jerezano de Fernando de Castilla, mas no Piemonte, na Itália, Pio Boffa relançou o vermute da Pio Cesare também em 2016. Uma das referências em Barolo, Pio Boffa recuperou a receita de seu bisavô, utilizando Chardonnay e Moscato como vinho base e a infusão de 26 ervas maceradas por 40 dias com o vinho fortificado.

O Pio Cesare Vermouth

Boffa faleceu em abril deste ano, vítima de Covid-19, aos 66 anos de idade. Quando esteve no Brasil para lançar o Pio Cesare Vermouth (R$ 901,90, na importadora Decanter) e o Barolo Chinato (outro tipo de vermute, tinto e que utliza seu Barolo clássico como vinho base e custa R$ 1.281,40, na Decanter), Boffa comentou que a vinícola havia parado de produzir os vermutes, em 1951, porque o segmento estava corrompido por vinhos de baixa qualidade.

Em 2016, sua filha Federica, que agora assumiu o comando da vinícola, sugeriu retomar a produção, com foco na qualidade. A cada ano, a Pio Cesare lança no mercado apenas 1 mil garrafas de seu Vermute branco e 1 mil garrafas do Barolo Chinato.

O preço de seu Barolo Chinato se explica pelo vinho base, que utiliza o Barolo clássico de Pio Cesare. Entre inúmeros prêmios e pontuações acima de 95/100, o vinho já figurou por quatro vezes na lista Top 100 da Wine Spectator.

Tradicionalmente, o vermute é a bebida que tem como base um vinho, enriquecido com um destilado, açúcar e infusão de ervas e botânicos, entre as quais a principal é losna (família da artemísia, planta de sabor anisado). O próprio termo vermouth é derivado de “wormwood”, a losna, em inglês.

Hoje, tanto a fortificação quanto o anisado podem ser atenuados, dando maior amplitude de expressões aos vermutes. Para valorizar e perceber a boa qualidade dos vinhos e botânicos utilizados, estes novos vermutes podem ser bebidas apenas gelados, como um vinho branco, ou com algumas pedras de gelo da taça.

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