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O coronavírus vai limpar a barra das big tech? O ex-CEO do Google espera que sim

O executivo Eric Schmidt diz que os americanos deveriam ser mais “gratos” às empresas de tecnologia, que estão desempenhando um papel fundamental nesta pandemia. E mira suas críticas à atuação do governo americano

 

Aos 64 anos, Eric Schmidt é um dos homens mais ricos do mundo com fortuna avaliada em US$ 14,6 bilhões

Inevitavelmente, esse tempo de distanciamento social nos leva a reflexão. Para Eric Schmidt, ex-CEO do Google, talvez seja a oportunidade perfeita para que os americanos aprendam a ser gratos às grandes empresas de tecnologia e voltem suas críticas para o governo. 

A polêmica declaração do executivo de 64 anos foi feita em uma live junto ao Economic Club of New York, na terça-feira, 14 de abril. No vídeo, Schmidt atacou a resposta de Washington à pandemia e enalteceu as corporações.

“Pense em como seria a vida hoje se não fosse pela Amazon, por exemplo. Os benefícios que essas empresas, que a gente adora demonizar, trouxeram no sentido de comunicação e informação são profundos. Espero que as pessoas se lembrem disso quando a situação melhorar”, afirmou Schmidt.

Schmidt, que tem uma fortuna estimada em US$ 14,6 bilhões, continua sendo um dos homens mais poderosos do Vale do Silício, embora não tenha mais nenhum cargo executivo. Ele ainda completou. “Vamos ser mais gratos a essas empresas, que conseguiram capital, investiram e desenvolveram essas ferramentas que estamos usando agora e que têm nos ajudado muito. Imagine passar por essa pandemia sem esses recursos.” 

O ex-CEO do Google e hoje conselheiro técnico da Alphabet, a holding que controla a gigante de busca, fez referência ao que ele considera “perseguição” que as big tech têm sofrido por parte do público e do Estado, que avalia formas de regular o setor.

Empresas como Amazon, Google, Facebook e Apple têm sido questionadas nos EUA e na Europa por conta de seus poderes quase ilimitados. Muitos especialistas também criticam o uso de práticas consideradas monopolistas para dominar mercados e eliminar concorrentes. Sem falar das diversas falhas relacionadas a maneira como essas empresas tratam a privacidade de seus usuários.

Nos últimos anos, os órgãos de defesa da concorrência têm agido e multado as companhias de tecnologia. Em março deste ano, a Apple, sob comando de Tim Cook, teve de desembolsar US$ 1,2 bilhão para arcar com uma penalidade imposta pela França, que a acusa de comportamento antitruste.

Já o Facebook pagou US$ 5 bilhões, em julho do ano passado, para encerrar uma investigação do governo americano sob suas práticas de privacidade. Segundo a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês), a multa foi a maior já imposta a qualquer companhia por violar a privacidade dos consumidores.

Esses são apenas dois exemplos do cerco à big tech. E tudo indicava que ele seria ainda maior. Novas políticas para regular o setor de tecnologia estavam no centro do debate político americano em pleno ano eleitoral. Até que chegou a crise do novo coronavírus mudando as prioridades de todo mundo, inclusive a do governo.

“Pense em como seria a vida hoje se não fosse pela Amazon. Os benefícios que essas empresas, que a gente adora demonizar, trouxeram no sentido de comunicação e informação são profundos”

Por outro lado, as companhias do Vale do Silício, diante desse novo cenário, estão tentando ajudar no combate ao Covid-19. Não sem polêmica. Google e Apple anunciaram que vão se unir no desenvolvimento de um mecanismo para mapear pessoas que possam ter sido infectadas pelo coronavírus. Tudo, segundo as empresas, acontece de forma anônima e automática. Mas a prática levanta dúvidas sobre questões relacionadas à privacidade.

Iniciativas como essa do setor privado sustentam o discurso de Schmidt, que critica a lentidão do governo americano em lidar com o avanço do novo vírus. “Provavelmente demoramos um mês para nos organizar e isso custou vidas”, disse ele.

Relutante quanto à possibilidade de retomar as atividades comerciais, o executivo acredita que os governantes estejam “voando às cegas” com a falta de testes e dados que possibilitem embasar uma decisão responsável. 

“Isso vai mudar nossas vidas por mais tempo que pensamos. Não vai ser uma recuperação rápida para que voltemos a nos abraçar, beijar e ir a restaurantes”, diz Schmidt.

Apesar disso, o ex-CEO do Google acredita que um lockdown rigoroso não é sustentável e que sua manutenção levaria a “um ciclo significativo de falências”. 

Mesmo sem apresentar uma alternativa, Schmidt apenas ponderou que a decisão de nos manter em casa não é politicamente e economicamente viável e, mais do que isso, é injusta. “Sobretudo com quem mais sofre.” 

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