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Para o BTG Pactual, o BNDES pode salvar as contas do governo federal em 2020

Com a redução da previsão de crescimento do PIB em 2020, o governo terá dificuldades para cumprir sua meta de déficit primário. A solução? O BNDES. Saiba o motivo

 

Sede do BNDES, no Rio de Janeiro

O BNDES pode ajudar o governo federal a fechar suas contas e cumprir sua meta de déficit primário em 2020, segundo as contas do BTG Pactual.

Em relatório divulgado hoje a clientes, o BTG Pactual refez suas projeções e reduziu a previsão de crescimento do PIB em 0,8 ponto percentual em 2020, passando de 2,2% para 1,4%.

O coronavírus, que vem desacelerando a atividade econômica global e a economia chinesa, seria responsável por 0,3 ponto percentual. Outro 0,5 ponto percentual deve-se a uma reavaliação dos economistas do BTG Pactual, depois dos dados do PIB de 2019, que cresceu 1,1%.

Com base nesses dados, o economista do BTG Pactual e ex-diretor da IFI (Instituto Fiscal Independente), Gabriel Leal de Barros, resolveu refazer também as suas contas e chegou a conclusões preocupantes sobre o cenário fiscal brasileiro

O relatório, cujo título é “Cuidado à frente”, estima que para cada percentual a menos no PIB brasileiro, o governo perde R$ 14,6 bilhões em receitas recorrentes.

A previsão do BTG Pactual era a de que o déficit primário do governo central ficasse em R$ 120 bilhões em 2020, dentro da meta do governo federal de R$ 124,1 bilhões. Mas os parâmetros levavam em conta um crescimento mais robusto.

Com a desaceleração econômica, a estimativa é de que o governo vai ter de apertar ainda mais o caixa. E não há muitas alternativas na mesa, a não ser cortar as despesas discricionárias, que são aquelas que não são obrigatórias.

Ou, como o próprio relatório sugere, o BNDES pode ter um papel fundamental e ajudar o governo a fechar suas contas.

“O cenário fiscal está ficando mais desafiador e a bola está quicando, enquanto o BNDES está vendendo sua carteira de ativos”, afirmou Barros ao NeoFeed.

Só em fevereiro, o BNDES arrecadou R$ 22 bilhões com a venda de suas ações da Petrobras. A meta da instituição financeira, neste ano, é vender R$ 38,8 bilhões. As participações do BNDES na Copel, Tupy e JBS também devem ser vendidas esse ano.

Mas, segundo o BTG Pactual, o banco tem R$ 110 bilhões em ativos, de acordo com dados de setembro do ano passado, que poderiam ser vendidos. O BNDES conta com posições acionárias ainda em Vale, Eletrobras e Suzano.

Gustavo Montezano, presidente do BNDES

Em declarações recentes, o presidente do banco de fomento, Gustavo Montezano, tem dito que o objetivo é reduzir a carteira de ações em até 80%.

“Faremos um desinvestimento relevante nos próximos três anos” disse Montezano, em fevereiro deste ano, que a estratégia passa por vender esses papéis via oferta pública, mesa de operações ou em bloco.

Esses recursos, na visão do BTG Pactual, poderiam ser repassados ao governo federal em forma de dividendos. Isso ajudaria não só o governo a fechar suas contas, mas como evitar um corte mais radical nas despesas discricionárias, o que seria difícil do ponto de vista política. Em especial, em um ano eleitoral.

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