Para o CIO da BlackRock, 2022 será o ano de “garimpar” ativos

Nigel Bolton entende que a seleção de ações deve ganhar mais relevância do que as estratégias guiadas pelos índices e temas macroeconômicos

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Pressão inflacionária, problemas na cadeia global de abastecimento e a preocupação com um possível novo avanço da Covid-19. Esses são alguns dos fatores que têm mexido com os humores do mercado e que prometem seguir trazendo incertezas para os investidores em 2022.

Nesse cenário, Nigel Bolton, co-chief investment officer da BlackRock, maior gestora do mundo, com US$ 9,5 trilhões sob seu guarda-chuva, entende que a seleção de ações, o chamado stock picking, deve ganhar mais relevância para os investidores, em detrimento das estratégias guiadas pelos índices e temas macroeconômicos.

“Eu acredito que esse será um fator-chave por muitos anos”, disse Bolton, em entrevista ao programa Squawk Box, da rede americana CNBC. “Você ainda quer estar inclinado para ações e ativos de risco em seu portfólio, mas precisa ter expectativas muito mais realistas em termos do retorno que irá ter nos próximos 12 meses.”

Sob essa ótica, ele observou que em vez de se concentrar em segmentos como finanças e energia, com base em suas baixas avaliações e o alinhamento com a recuperação econômica, os investidores vão precisar garimpar ativos e adotar uma abordagem mais diferenciada.

“Algumas das maiores empresas petrolíferas tradicionais serão capazes de mudar e podem ter um futuro bastante razoável a partir de valuations que parecem atraentes”, afirmou Bolton, acrescentando que haverá vencedores e perdedores em todos os setores da economia.

“Por isso, entendo que o tema para o ano que vem será o stock picking”, observou. “Eu acredito que será um bom mercado para stock pickers e menos para os investidores com uma estratégia ‘top down macro’.”

Bolton também falou sobre os problemas na cadeia global de abastecimento. Sob esse contexto, ele destacou as melhores perspectivas para as empresas com uma base mais diversificada de fornecedores e que estabeleceram laços mais estreitos com esses parceiros no decorrer dos últimos anos.

“Nós saímos da era do ‘just in time’ para a era do ‘just in case’ e isso irá significar custos um pouco mais altos”, afirmou. “Mas acho que se você tem esse bom controle de gestão e diversificação de fornecedores, ainda poderá se sair muito bem nesse ambiente.”

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