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Insiders

Por que o Vale do Silício está perdendo espaço nos EUA

Insatisfeitas com o alto custo de vida, algumas startups estão trocando a Baía de São Francisco por outras cidades americanas, como Austin e Los Angeles

 

Califórnia – O Vale do Silício, na Califórnia, é a região do planeta que concentra uma das maiores quantidades de empresas inovadoras por metro quadrado.

A pouco mais de 60 km de São Francisco, a região que abrange as cidades de Palo Alto, Santa Clara, Mountain View e outras viu proliferar o número de negócios bilionários em suas fronteiras.

Essa expansão teve também o seu lado negativo. O mercado imobiliário, por exemplo, acompanhou essa escalada: uma casa de três quartos, adquirida por US$ 245 mil em 1997, foi vendida no mês passado por US$ 1,1 milhão, e o aluguel de um apartamento simples, de um quarto, dificilmente sairia por menos de US$ 3 mil.

Essa pressão financeira que ameaça a qualidade de vida local está fazendo com que companhias transfiram seus escritórios para outras regiões dos Estados Unidos. Esse é o caso da Localwise, que anunciou recentemente a mudança de suas instalações para Denver, no Colorado, onde pretende contratar 50 pessoas no ano que vem – por enquanto a equipe conta com oito pessoas, todas em Oakland.

“O que pesou mesmo foi a qualidade de vida”, comentou o CEO da empresa, Ben Hamlin, a um jornal local. “Não é nada fácil pedir para que as pessoas mudem com a empresa, mas ajuda o fato de eles quererem ir. Nosso time prefere viver em Denver do que em Oakland.”

Esse êxodo tecnológico não parece ser um desejo pontual, uma vez que uma pesquisa divulgada pela Reuters e conduzida pela Brunswik Group mostrou que 41% dos jovens entre 18 e 34 anos da região pretendem se mudar da Baía de São Francisco nos próximos 12 meses.

“É difícil encontrar um bom engenheiro de software e, quando o fazemos por aqui, logo o perdemos para gigantes como Facebook e Google”, diz Mike Krieger, fundador do Instagram

Isso explica outro ponto levantado no relatório: a dificuldade de contratar novos talentos, mesmo com salários atrativos. Por mais que o pagamento seja tentador, os profissionais sabem que isso não se converte necessariamente em uma melhora de vida, uma vez que o alto custo anestesiaria esse “aumento”.

Foi batendo nesta tecla, aliás, que Mike Krieger, o brasileiro cofundador do Instagram, aconselhou os empreendedores que o assistiam em uma palestra a tentarem a sorte em outras fronteiras. “É difícil encontrar um bom engenheiro de software e, quando o fazemos por aqui, logo o perdemos para gigantes como Facebook e Google, que conseguem cobrir virtualmente qualquer oferta”, disse ele. Uma possível solução – ou saída – para este transtorno, de acordo com Krieger, é fixar as atividades em regiões dos Estados Unidos e além.

Quem seguiu à risca o conselho foram a Vacasa, empresa de gerenciamento de aluguéis de curta temporada, e Urban Airship, que trabalha com engajamento online. Ambas escolheram Portland para abrigar seus escritórios. A diversidade e o custo de vida pesaram para essa decisão, além do fato de a média salarial da região ter crescido 20% nos últimos dos anos e o número de pessoas que com menos de 65 anos que estabeleceram residência ali subiu 32% de seis anos para cá – o que garante um ambiente diverso.

Características semelhantes também tornam Seattle atrativa, sobretudo para grandes empresas de tecnologia. Microsoft e Amazon foram as primeiras gigantes a ocupar a área, mas não demorou para o e-commerce do Walmart chegar para dividir a bonança também.

Outro polo para inovação é Austin, no Texas, berço da Dell, que abriu suas portas em 1980 e pavimentou o caminho para Apple, eBay e IBM, que mantêm atividades na área. A sociedade liberal da cidade texana atraiu ainda as queridinhas Tastemade, Chive Media Group e a plataforma de vouchers RetailMeNot – para citar algumas.

Austin, a capital do Texas, está cada vez mais atraindo startups

Nos últimos anos, Austin se tornou também um dos polos mais atrativos dos Estados Unidos. Essa atenção foi capitaneada pelo South by Southwest (SxSW), um conjunto de festivais de cinema, música e tecnologia que ganha cada vez mais relevância e atrai pessoas de todas as partes do globo – a caravana de brasileiros, inclusive, é cada vez mais maior ano após ano.

Já Washington, D.C., a capital americana, seduz pelas conexões políticas, econômicas e sociais: um combo indispensável para negócios disruptivos. Empresas ligadas à educação, como Kaplan e LexisNexis, estão inaugurando hubs ali, onde mora um terço da força de trabalho digital americana, segundo o relatório Greater Washington Partnership.

Com 17 universidades e faculdades que garantem um fluxo incomparável de alunos STEMs (ciência, tecnologia, engenharia e matemática, da sigla em inglês), a pequena Grand Rapids, no Michigan, está no radar de muito empreendedor. A varejista Meijer, a companhia de equipamentos para limpeza Bissell, a organização de assistência média Spectrum Health e a empresa de marketing Amway são algumas das que já desembarcaram na região.

Mas nem todos cogitam transferir seus escritórios para áreas tão longínquas. Muitas startups foram para Los Angeles, onde nasceu o que hoje é conhecido como Silicon Beach, na zona oeste da cidade. Ali se concentram mais de 500 empresas de tecnologia, como o Snapchat, TrueCar e Dollar Shave Club, o que faz com que a área seja avaliada em US$ 155 bilhões, segundo o Mediakix.

Para não permitir a gentrificação, o abismo social e a falta de diversidade, Los Angeles tem trabalhando com algumas regras específicas, como a política habitacional, que garante que pessoas de baixa renda tenham também acesso à região.

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