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Por que os testes da vacina da Covid-19 em crianças serão decisivos

A Pfizer começa a testar, nos Estados Unidos, a vacina desenvolvida em parceria com a BioNTech em crianças de seis meses a 11 anos de idade. A imunização dessa faixa etária é crucial para o controle da pandemia do novo coronavírus

 

A farmacêutica Pfizer, responsável pela primeira vacina contra a Covid-19 aprovada por uma autoridade sanitária no mundo, anunciou que está testando, nos Estados Unidos, o imunizante em crianças com idades entre seis meses e 11 anos. A vacina é produzida em parceria com a alemã BioNTech.

A vacinação desta faixa etária é considerada crucial para o controle da pandemia e para a obtenção da chamada imunidade de rebanho, quando uma parcela significativa da população tem anticorpos contra uma doença específica.

Embora crianças tenham menor propensão a desenvolver sintomas graves da Covid-19, médicos têm registrado um aumento nos casos de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), uma condição inflamatória que afeta os vasos sanguíneos de crianças e adolescentes e que pode surgir semanas após a infecção.

Dados compilados nos Estados Unidos, em dezembro do ano passado, apontam pouco mais de 2 mil casos, incluindo 30 mortos. A síndrome é rara, mas o que preocupa os especialistas é sua gravidade. Nos últimos meses, entre 80% e 90% dos pacientes com a condição foram internados em unidades de terapia intensiva.

Nos Estados Unidos, as crianças representam 20% da população. No Brasil, elas correspondem a 17% da população, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

O anúncio da Pfizer é feito em um momento em que o presidente americano Joe Biden reforça o compromisso de vacinar a população rapidamente. Nesta quinta-feira, 25 de março, anunciou que a meta é aplicar 200 milhões de doses antes de completar 100 dias no cargo. A meta original era aplicar 100 milhões de doses.

Biden tem pouco mais de um mês para atingir seu objetivo. Atualmente, já foram aplicadas 131,9 milhões de doses, sendo que 85,5 milhões de americanos já receberam ao menos uma dose das três vacinas disponíveis e 46,4 milhões foram imunizados com duas doses. Cerca de 2,5 milhões de doses têm sido aplicadas diariamente

Os Estados Unidos foram o país mais afetado pela pandemia do novo coronavírus. Mais de 30 milhões de casos foram reportados e mais de 545 mil americanos perderam a vida.

A fase inicial do estudo da Pfizer será realizado com 144 crianças e os primeiros participantes já tomaram suas doses. A expectativa da farmacêutica é ter resultados preliminares até o fim deste ano.

O estudo será dividido em três faixas de idade: 6 meses a dois anos, entre dois e cinco anos, e entre cinco e 11 anos. As crianças começarão recebendo uma dose de 10 microgramas, e a quantidade vai aumentando progressivamente até que a dosagem ideal seja encontrada. Para efeito de comparação, os adultos precisam de duas doses de 30 microgramas cada para obter a imunização completa.

Em janeiro, a empresa anunciou que também está testando a vacina em crianças com idades entre 12 e 15 anos. A Pfizer disse que os primeiros resultados foram “encorajadores” e que espera poder compartilhá-los em breve.

A vacina da Pfizer/BioNTech é administrada para maiores de 16 anos. Os imunizantes produzidos pela Moderna e pela Johnson & Johnson são indicados para maiores de 18 anos.

A Pfizer não é a única farmacêutica que está testando suas vacinas em crianças. A Moderna deu início aos estudos com crianças entre 12 e 17 anos em dezembro de 2020. No dia 16 de março deste ano afirmou que também começou os testes em menores de 12 anos. A Johnson & Johnson também planeja testar sua dose única até mesmo em recém-nascidos.

No Brasil, duas vacinas têm registro definitivo de uso concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a da AstraZeneca/Oxford e a da Pfizer/BioNTech. A vacina da AstraZeneca é produzida pela Fiocruz. No caso do imunizante da Pfizer, um acordo foi firmado com o Ministério da Saúde para a entrega de 100 milhões de doses ao longo de 2021, mas as primeiras 13,5 milhões só devem ser enviadas entre abril e junho.

A CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, tem autorização para uso emergencial. O laboratório também entrou com um pedido para uso definitivo, mas a autorização ainda não foi concedida.

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