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Negócios

Seis meses sem Galló no comando. E quase nada mudou na Renner

José Galló transformou a Renner na maior varejista de moda do País. Fora do dia a dia, a empresa segue sua cartilha. E os resultados do terceiro trimestre indicam que a companhia continua nos trilhos

 

José Galló deixou o posto de CEO para assumir a presidência do Conselho de Administração em abril

Durante toda a manhã e o início da tarde desta sexta-feira, a cotação das ações da Renner registrou leves oscilações, com uma maior tendência para a alta. Sem grandes variações, os papéis refletiam a divulgação do resultado do terceiro trimestre da varejista, realizada ontem, após o fechamento do mercado.

A tendência também parece caracterizar outra importante questão para a companhia. Seis meses após José Galló deixar o posto de CEO para assumir a presidência do Conselho de Administração da empresa, não há sinais de que haverá grandes rupturas na estratégia bem-sucedida adotada pela Renner nos últimos anos.

Dentro de um processo de sucessão que teve início em 2013, o escolhido para substituir o executivo foi Fabio Adegas Faccio, prata da casa que começou na Renner como trainee, em 1999. Mesmo ano em que Galló assumiu o comando da companhia.

Em 20 anos à frente da operação, Galló liderou a transformação de uma pequena rede com oito lojas e valor de mercado inferior a R$ 1 milhão em uma gigante do varejo brasileiro. Hoje, considerando todas as suas bandeiras – Renner, Camicado, YouCom e Ashua, a companhia tem mais de 500 pontos de venda. E está avaliada em R$ 39 bilhões, sendo a maior varejista de moda do País.

A Renner tem mais de 500 pontos de vendas no País

Essa trajetória foi coroada com o último resultado consolidado sob o seu comando. Em 2018, a Renner reportou um lucro líquido de R$ 1 bilhão, a maior cifra registrada pela empresa em sua história.

Sócio da consultoria Varese Retail, Alberto Serrentino destaca a preocupação do mercado sobre o que seria a Renner pós-Galló. “Mas foi um processo bem estruturado e o Faccio conhece profundamente o negócio”, afirma. “A Renner é um exemplo de como boa governança, sucessão planejada e modelo de gestão robusto podem perenizar um negócio sem personalizá-lo. Tanto que os números seguem acima do mercado.”

Entre julho e setembro, a Renner apurou uma receita operacional líquida de R$ 2,22 bilhões, alta de 14,5% na comparação com o mesmo período de 2018. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 37,2%, para R$ 466,3 milhões.

Já o lucro líquido recuou 2,6%, para R$ 189,3 milhões. A companhia atribuiu a queda, no entanto, ao menor resultado operacional, impactado por itens não comparáveis, e a maior alíquota efetiva de Imposto de Renda. Excluídos esses efeitos, a última linha do balanço traria um crescimento de 24,6%.

“Seguimos apresentando ganho consistente de market share, um bom ritmo de vendas de mesmas lojas e conseguimos manter os níveis de margem bruta do ano passado, cujo patamar foi o mais alto da história da companhia”, disse Laurence Gomes, diretor financeiro e de relações com os investidores, em teleconferência com analistas.

Em relatório, o BB Investimentos ressaltou que as expectativas positivas em relação aos resultados foram confirmadas, especialmente quanto ao crescimento de receita e das margens.

Agenda digital

Se os sinais são de continuidade de boa parte das estratégias, em algumas frentes, os passos começam a ganhar mais velocidade. É o caso dos esforços da Renner para consolidar sua abordagem multicanal.

Com um investimento de R$ 600 milhões e início de operação previsto para 2022, um dos destaques dessa área é o novo centro de distribuição que será construído em Cabreúva, interior de São Paulo.

“Vamos operar cada vez mais sob uma visão omnichannel”, disse Faccio, o novo presidente da Renner

A unidade ocupará uma área de 150 mil metros quadrados e irá consolidar as operações das lojas físicas e do e-commerce da rede. “Vamos operar cada vez mais sob uma visão omnichannel”, disse Faccio, na teleconferência com os analistas. “E não apenas do ponto de vista do cliente, mas também da operação, pois vamos enxergar todo o estoque integrado.”

Outras iniciativas estão em curso. Com testes em três lojas, o recurso de clique e retire será estendido a 30 unidades até a Black Friday. E o plano prevê a cobertura de toda a rede em 2020.

Ao mesmo tempo, quatro lojas já integram um projeto-piloto de terminais de autoatendimento, com uma participação de 20% nas vendas desses pontos de venda. O plano é levar essa opção a outras oito unidades até o fim de 2019.

A rede também está validando o pagamento via aplicativo em seis lojas e planeja fechar o ano com 30 pontos de venda habilitados para esse recurso.

A instalação da tecnologia de RFID é mais uma vertente que está ganhando corpo. A Renner programa encerrar o ano com 100% da rede coberta. Hoje, 300 lojas contam com esse expediente, usado, entre outras questões, para o controle de estoque, tanto na retaguarda quanto nas frentes de lojas.

“Temos feito o inventário a cada 15 dias e conseguimos ter melhor acuracidade e menos ruptura no abastecimento”, afirmou Faccio. “Mas esse é só o primeiro impacto. Há muitos outros ganhos potenciais.”

O presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, Eduardo Terra, destaca que a Renner investiu, silenciosamente, na transformação digital nos últimos anos. “Eles fizeram e estão tocando muita coisa no backoffice”, afirma. “E agora chegaram ao ponto de terem um pilar de sustentação para levar isso à ponta dos clientes.”

Para ele, ter um CEO mais jovem naturalmente imprime velocidade a esses esforços. “Mas isso ganha ainda mais força com o Galló olhando para essa agenda a partir de uma função mais estratégica.”

O jeito Renner

O estilo de gestão de Galló, marcado, entre outros traços, pela solidez e a visão de longo prazo, também parecem seguir no escopo. E isso pode ser visto nos próximos passos para estratégias que foram implementadas recentemente.

É o caso da Ashua, bandeira voltada à moda plus size que teve sua estreia em 2016, no e-commerce, e inaugurou lojas físicas a partir de 2018. Hoje, são cinco unidades, duas delas inauguradas recentemente, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro.

Depois de abrir sete lojas no Uruguai, a Renner prepara agora a entrada no mercado argentino

“Aprendemos bastante no e-commerce e estamos testando agora as lojas físicas”, afirmou Faccio. “Mas antes de colocar velocidade nessa estratégia, vamos seguir fazendo ajustes, entendo melhor o perfil do público, o produto e o serviço.”

Essa é também a proposta dos próximos movimentos da expansão internacional, iniciada em 2017. Depois de abrir sete lojas no Uruguai, a Renner prepara agora a entrada no mercado argentino, com um plano que envolve a inauguração de três a quatro unidades.

“É um bom teste para a nossa operação internacional e pode nos habilitar para explorar outros mercados no futuro”, afirmou o CEO. “Mas, primeiro, vamos consolidar essas poucas unidades e fazer um bom trabalho por lá.”

Serrentino, da Varese Retail, aponta os acertos na estratégia de internacionalização da Renner. Entre eles, a escolha por mercados próximos à sua sede, em Porto Alegre (RS).

“Eles elegeram um roteiro com fortes sinergias logísticas, de clima, tipo de produto e hábitos de moda”, afirma Serrentino. “É um excelente teste de baixo risco para aprender a operar fora do Brasil. No fundo, eles estão dando continuidade ao que explica o sucesso da empresa: o jeito Renner de fazer as coisas.”

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