Stone reduz em 40% valores de acordo de não competição com fundadores da Linx

Em nova proposta, os fundadores da Linx, Alberto Menache, Nércio Fernandes e Alon Dayan, receberão R$ 185 milhões se acordo de venda com a Stone for fechado para não competir com a empresa. Contrato também foi estendido de três anos para cinco anos

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Um dos pontos mais criticados da primeira proposta da Stone pela Linx, os valores do acordo de não competição dos fundadores da Linx, Alberto Menache, Nércio Fernandes e Alon Dayan, foi reduzido em até 40%.

De acordo com os novos termos, o acordo foi também estendido de três anos para cinco anos. Alberto Menache, que é CEO da Linx, caso o contrato seja fechado, receberá R$ 19 milhões por ano (R$ 95 milhões no período completo).

Ele também receberá R$ 5 milhão por um contrato de um ano de trabalho com a Stone. Antes, o acordo previa R$ 15 milhões por três anos. Ao fim do primeiro ano, o contrato pode ser renovado.

Os outros dois fundadores receberão valores menores pelo acordo de não competição. Nércio Fernandes terá um pacote de R$ 15 milhões por ano (R$ 75 milhões nos cinco anos) e Alon Dayan, R$ 3 milhões por ano (R$ 15 milhões).

Na primeira proposta, os três receberiam somados R$ 305 milhões por um período de três anos, segundo a Stone.

Essa cláusula foi bastante criticada por acionistas minoritários, em especial a gestora Fama Investimentos que, em carta aberta, disse que os fundadores da Linx receberiam, incluindo a venda das 26 milhões de ações que são donos mais o prêmio por não competição, um valor de R$ 46 por ação, prêmio de aproximadamente 35% sobre o valor a ser recebido pelos minoritários.

“Não mudou nada”, diz Fabio Alperowitch, da Fama ao NeoFeed, referindo-se a nova proposta. “Depois de toda essa discussão pública, o fato de terem reafirmado a estrutura só mostra o quanto concordam com ela. Anteriormente, podiam até alegar inocência e falta de sensibilidade Agora não mais. Piorou ao invés de melhorar.”

De acordo com Alperowitch, a empresa é extremamente estratégica. “Não fazer um processo competitivo aberto significa querer proteger os interesses pessoais em detrimento dos acionistas.”

Segundo apurou o NeoFeed, os novos valores foram negociados diretamente com os fundadores e com um comitê formado pelos conselheiros independentes da Linx, composto por João Cox e Roger Ingold.

Nesta terça-feira, 1º de setembro, a Stone aumentou a oferta pela Linx. De acordo com a nova proposta, a Stone vai pagar o equivalente a R$ 35,10 por ação.

Na proposta anterior, a Stone pagava o equivalente R$ 33,7625 por cada ação da Linx. Ontem, as ações da Linx fecharam cotadas a R$ 35,58 na B3.

Com a nova oferta, a Stone avalia a Linx em R$ 6,284 bilhões, um aumento de 3,9% sobre o valor anterior.

A oferta da Totvs, que era parte em dinheiro e parte em ações da empresa, era de R$ 34,09 por ação da Linx.

A Stone está também reduzindo a multa prevista no acordo de associação de R$ 605 milhões para R$ 473,7 milhões caso a transação fosse fechada com um terceiro.

Além disso, a multa compensatória em caso de não aprovação da aquisição pela Stone pelos acionistas da Linx em assembleia geral foi reduzida de R$ 151 milhões para R$ 112,5 milhões.

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