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Negócios

“Stranger Things” no resultado da Netflix

Pela primeira vez desde 2011, serviço de streaming perde usuários nos Estados Unidos. Ações desabam mais de 12% no after hours.

 

Imagem da primeira temporada da série Stranger Things

A série é quase de terror, como Stranger Things. Pelo menos, para a Netflix. As ações da companhia chegaram a desabar mais de 13% no after hours  após a divulgação do resultado de seu segundo trimestre de 2019, que mostrou uma queda de usuários nos Estados Unidos e uma desaceleração global.

O resultado sinalizou aos investidores que o gigante de streaming está perdendo o seu momento à medida que a concorrência na área está aumentando.

No trimestre, a Netflix adicionou 2,7 milhões de assinantes, uma queda de 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos Estados Unidos, a companhia perdeu 130 mil assinantes.

É a primeira vez que o número dos assinantes cai nos Estados Unidos desde 2011, quando a empresa anunciou que iria dividir suas operações em uma voltada para streaming e outra para aluguel de DVD – até então seu negócio principal. Naquela época, a Netflix perdeu 800 mil clientes.

Em junho deste ano, a empresa contava com 151,6 milhões de assinantes globalmente, um número inferior a sua previsão de 153,9 milhões e menor do que esperavam os analistas de Wall Street, que estimavam 156,5 milhões de assinantes.

A receita cresceu 26% para US$ 4,9 bilhões, em parte por conta do aumento de preços das assinaturas. Mas o lucro caiu 30%, para US$ US$ 270 milhões.

A Netflix atribuiu o mal resultado ao aumento de preços e a uma grade programação pouco atrativa no segundo trimestre. Mas acredita que isso vai mudar a partir de agora, mencionando alguns shows de sucesso, como comédia de humor negro Dead to Me e a série When They See Us.

“A Netflix tem uma série de dificuldades pela frente, com o aumento da competição e a retirada de alguns conteúdos populares de sua programação”, afirmou Eric Haggstrom, analista do eMarketer, à Bloomberg. “Mas boas séries no próximo trimestre podem ajudá-la a atrair ex-assinantes.”

Novos competidores estão chegando para tentar derrubar a posição hegemônica que a companhia fundada pelo empreendedor Reed Hastings tinha até então.

Nos próximos meses, a Disney vai lançar seu serviço de streaming. A HBO terá o seu próprio serviço. Além da Apple, que também atuará com mais força nessa área.

Não bastasse o aumento da concorrência, a Netflix está perdendo para rivais alguns de seus shows mais importantes, como o The Office e Friends, os dois mais populares de seu catálogo.

O primeiro irá para a NBCUniversal a partir de 2021. O segundo fará parte do catálogo da HBO Max, um novo serviço de streaming da WarnerMedia, que será lançado neste ano.

Em carta aos acionistas, a Netflix já está se preparando para enfrentar esses tempos mais duros. “Acreditamos que teremos um negócio mais valioso no longo prazo ficando de fora da briga por receita e focando na competição pela satisfação dos assinantes.” Entendeu?

Problemas à vista

O aumento da concorrência é apenas um dos problemas da Netflix. A empresa queima caixa como nunca. No ano passado, foram US$ 3 bilhões. Neste ano, a expectativa é gastar mais US$ 3 bilhões.

Os investidores não estavam preocupados com a queima de caixa porque o número de usuários crescia, o que justificava os investimentos da empresa. Agora, isso pode mudar – o que já está sendo refletido no preço das ações da empresa.

Alguns analistas acreditavam que o valor do papel da Netflix já estava muito inflado. “O preço atual da ação da Netflix assume uma base de 360 milhões de assinantes”, disse ao NeoFeed, no mês passado, Vinay Nakarni, head de estratégias globais da ClearBrigde. “Vemos mais valor em produtores de conteúdo como a Disney que tem um histórico comprovado de geração de bons retornos.”

Um estudo da Economatica, feito com exclusividade para o NeoFeed, mostrou que os papéis da Netflix foram os que mais se valorizaram em uma década. Eles avançaram incríveis 6.180% no período analisado – de 26 de junho de 2009 a 26 de junho de 2019.

O levantamento incluiu as empresas listadas nas bolsas latino-americanas e também as listadas nas bolsas do Estados Unidos e que fazem parte do Russel 1000, índice que reúne as maiores empresas americanas.

Se fosse uma série de sua programação, poderíamos dizer que o personagem principal está passando por problemas no momento. Se terá um final feliz, só assistindo as cenas do próximo capítulo para saber.

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