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Três investidores explicam porque essa é uma boa hora para começar um negócio

Menos competição, mais profissionais e marketing mais barato. Os investidores da Sierra Ventures, Renegade Partners e da NetView Capital, três gestoras do Vale do Silício que têm bilhões de dólares para investir em startups, avisam que não faltará dinheiro para  boas ideias

 

“Nunca desperdice uma boa crise.” A frase popularizada pelo primeiro ministro britânico Winston Churchill (1875-1965) parece não envelhecer no Vale do Silício, mas alguns investidores estão indo além.

Em um encontro virtual, três gestores de venture capital defenderam a tese de que este é o melhor momento para começar um negócio baseado em tecnologia.

O trio, composto por Mark Fernandes, da Sierra Ventures; Renata Quintini, da Renegade Partners, e Ravi Viswanathan, do NetView Capital, participaram do Collision, um dos principais eventos de tecnologia que aconteceria em Toronto, no Canadá. A conversa foi mediada pela jornalista Kimberly Weisul, da revista Inc.

Fernandes, que é managing partner da Sierra Ventures, uma antiga gestora da Califórnia que já investiu mais de US$ 2 bilhões em startups em estágio inicial, afirmou que “talvez não seja a temporada certa para inaugurar um restaurante, mas acho que o cenário é ideal para lançar uma startup de tecnologia”.

Não por acaso, o fundo de investimento onde trabalha está por trás de startups como a plataforma de contratação por meio de inteligência artificial Phenom People, e a companhia de segurança de dados Text IQ.

De acordo com ele, devido à crise, muita gente evita correr riscos e posterga o lançamento de projetos. “Então, a competição agora é menor”, afirmou Fernandes. Além disso, o gestor apontou para o barateamento das soluções e ferramentas de marketing como outro motivo para começar uma empresa agora.

Quintini, fundadora da Renegade Partners, que captou US$ 300 milhões neste ano, acrescenta que há muitos talentos disponíveis no mercado. “Montar a equipe afinada é um dos principais desafios de uma startup e a ‘briga’ por profissionais qualificados sempre foi acirrada”, disse ela. “Dada a paralisação das atividades econômicas, percebo que há muita gente boa disposta a ouvir propostas.”

O portfólio da Renegade Partners conta com a empresa de segurança virtual RunSafe Security e a companhia de machine learning de linguagem Kristalic.
Já Ravi Viswanathan, fundador e managing partner da NewView Capital, que tem US$ 1,35 bilhão para investir e apostar em startups que já estão mais maduras, diz que a pandemia desacelerou muitas coisas, o que abriu mais espaço para o networking.

Ravi Viswanathan (acima, à esq.), Renata Quintini (acima, à dir.), a jornalista Kimberley Weisul (esq.) e Mark Fernandes

“Conhecer o CEO ou o fundador de um negócio é fundamental para decidirmos por um investimento. Agora, que o tempo parece correr mais devagar, é o momento perfeito para construir relacionamento. Digo isso para empreendedores e investidores: dediquem-se ao networking”, disse Viswanathan.

Os três gestores de venture capital concordam que o mundo pós-Covid será mais adequado às startups que grandes companhias. “Todo mundo parece ter entendido na prática a importância de enxugar os custos e ninguém consegue fazer um produto de qualidade mais rápido e mais barato que um empreendedor. A eficiência de operação é a chave da sobrevivência”, afirmou Fernandes.

O trio também foi unânime em dizer que, nesses tempos incertos, não vai faltar dinheiro para negócios disruptivos com capacidade de crescer exponencialmente. O novo normal, na verdade, não parece tão diferente do velho normal. Ao menos, para o mundo de capital de risco.

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