Warren Buffett está deitado em um colchão com US$ 149 bilhões

O volume em caixa da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, atingiu um patamar recorde no terceiro trimestre. Em vez de aquisições, a gestora tem optado por recomprar ações. De janeiro a setembro deste ano, já foram mais de US$ 20 bilhões

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O megainvestidor Warren Buffett

Desde a chegada da Covid-19, em março de 2020, o mercado se questiona em relação à ausência de grandes movimentações e investimentos por parte da Berkshire Hathaway, gestora do bilionário americano Warren Buffett, dono de uma fortuna estimada em US$ 106,4 bilhões.

Neste fim de semana, ao divulgar seu balanço referente ao terceiro trimestre, a empresa mostrou, em números, um dos reflexos dessa atuação menos intensa adotada durante a pandemia. E o número representa um recorde no histórico da gestora.

A Berkshire Hathaway encerrou o período com US$ 149,2 bilhões em caixa e equivalentes. Com o montante, a companhia superou o maior volume nesse indicador, estabelecido no início de 2020, antes do avanço da Covid-19. Já o retorno dos investimentos somou US$ 3,8 bilhões, contra US$ 24,8 bilhões, há um ano.

A manutenção dessa estratégia mais conservadora chama ainda mais atenção não apenas por contrastar com o perfil de Buffett e da gestora. Mas também por ocorrer em um momento de extrema liquidez e de intensa atividade no mercado.

Entretanto, se praticamente não fechou acordos no período, a gestora seguiu olhando para “dentro de casa”. O novo recorde veio em um trimestre no qual a Berkshire Hathaway destinou US$ 7,6 bilhões em recompras de ações, dando sequência a uma política que começou a ser reforçada a partir de 2018.

No acumulado de janeiro a setembro deste ano, a empresa já reservou pouco mais de US$ 20 bilhões para essa finalidade. Em 2020, por sua vez, a Berkshire Hathaway recomprou US$ 24,7 bilhões em ações.

Ao mesmo tempo, alguns números da gestora mostraram os benefícios capturados com a reabertura gradual da economia e ao aumento da demanda por parte dos consumidores. O lucro operacional da companhia, por exemplo, avançou 18% entre julho e setembro, para US$ 6,47 bilhões.

Uma das áreas em destaque que contribuíram para esse desempenho foram os negócios de ferrovias, que reportaram um lucro operacional recorde de US$ 3,03 bilhões, o que representou uma alta de 11% na comparação anual.

Entretanto, a Berkshire Hathaway fez uma ressalva em relação aos impactos decorrentes dos problemas na cadeia global de abastecimento. Entre eles, os custos mais altos de materiais, fretes e outros insumos.

No período, um dos segmentos bastante impactados foi o de seguradoras, com perdas da ordem de US$ 784 milhões no trimestre, muito em função de incidentes como o furacão Ida, nos Estados Unidos, e de enchentes na Europa.

Nesse cenário e na contramão de alguns indicadores positivos no trimestre, o lucro líquido da Berkshire Hathaway recuou 65,6%, para US$ 10,3 bilhões. Já a receita da companhia cresceu 12% no período, para US$ 70,5 bilhões.

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