Ao reduzir exposição a bancos, Warren Buffett deixa de ganhar bilhões de dólares

À frente da Berkshire Hathaway, o bilionário americano eliminou suas participações em bancos como Goldman Sachs e J.P. Morgan, além de reduzir sua fatia no Wells Fargo, temendo os efeitos da pandemia. Mais de um ano depois, esses ativos recuperaram os patamares pré-crise e estão rendendo bilhões

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O megainvestidor Warren Buffett

Com sua visão privilegiada, Warren Buffett acumulou uma fortuna de US$ 108 bilhões e alcançou o status de lenda no mercado financeiro. Algumas movimentações recentes mostram, porém, que até mesmo o “Oráculo de Omaha” nem sempre toma as melhores decisões.

Em 2020, logo após a chegada e o avanço da Covid-19, o bilionário americano e sua gestora Berkshire Hathaway eliminaram suas participações em bancos como Goldman Sachs, J.P. Morgan, M&T Bank, PNC Financial e Synchrony Financial, além de reduzir boa parte de sua fatia no Wells Fargo. O único ativo no qual mantiveram sua posição foi o Bank of America.

Passado mais de um ano, o arrependimento pode estar batendo na porta da gestora e do megainvestidor. As ações desses bancos recuperaram as cotações pré-pandemia e muitos desses papéis estão registrando seguidas altas no mercado de capitais.

Em recente reunião com acionistas da gestora, citada em reportagem do site americano Business Insider, Buffett explicou que decidiu sair dos bancos porque temia que a Berkshire Hathaway estivesse superexposta ao setor e poderia sofrer caso a pandemia piorasse.

“No geral, não queríamos ter tanto nos bancos quanto nós tínhamos”, afirmou o investidor, ao destacar que os bancos têm o Federal Reserve como rede de segurança, no caso de qualquer impacto mais significativo. “Nós dependemos de nós mesmos”, acrescentou.

O tempo vem mostrando, porém, que a decisão pode ter sido precipitada. Com um valor de mercado atual de US$ 121,7 bilhões, o Goldman Sachs ilustra esse cenário. Avaliada, no fim de 2019, em US$ 2,8 bilhões, a participação que a Berkshire Hathaway detinha no banco valeria hoje US$ 4,3 bilhões.

Em 16 de março de 2020, a ação do Goldman Sachs registrou sua pior cotação nesse intervalo, fechando o pregão a US$ 138,41. Na última quarta-feira, o papel fechou o dia negociado a US$ 358,38. Bem acima, inclusive, da cotação no fim de 2019, de US$ 231,58.

O J.P. Morgan, avaliado em US$ 486 bilhões, reforça esse contexto. Em 15 de março de 2020, as ações do banco registraram seu pior momento, quando fecharam o pregão a US$ 83,50. Na quarta-feira, o papel alcançou a cotação de US$ 161,11, também superior ao fim de 2019, quando valiam US$ 138,34.

Mas nem todas as escolhas de Buffett vêm se mostrando equivocadas. Avaliado em US$ 358 bilhões, o Bank of America fechou o pregão de ontem com suas ações a US$ 41,97, depois de alcançar seu menor nível também em 16 de março de 2020, a US$ 19,67.

No fim de 2019, a cotação do papel do banco era de US$ 34,90. A participação da gestora no ativo teve uma valorização de 18% desde então e hoje está avaliada em US$ 42 bilhões.

A perspectiva, no entanto, é que a conta das cifras perdidas por Buffett diante de toda essa estratégia cresça nos próximos meses, dado que as ações dos bancos devem se beneficiar com questões como a reabertura da economia americana e as taxas de juros mais elevadas.

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