A indústria da notícia está em crise. Nenhum mercado do mundo escapa ao desinteresse e à desconfiança crescentes dos consumidores. Mas, em meio à fragmentação da audiência, à competição das plataformas digitais das big techs e à proliferação das fake news, a CNN Brasil surge como um laboratório de possíveis respostas aos desafios impostos ao novo ecossistema da informação.
Lançada há pouco mais de seis anos, fruto do investimento do empresário Rubens Menin, a emissora é o veículo de maior credibilidade do País: 62% dos brasileiros confiam na marca. Na outra ponta, apenas 17% têm uma percepção negativa dela. É o menor índice de rejeição entre todas as empresas jornalísticas citadas no relatório Reuters Institute Digital News Report 2026.
Realizado anualmente pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, a pesquisa é a mais abrangente e respeitada análise do consumo global de notícias. Para a 15ª edição do estudo, foram ouvidas 100 mil pessoas em 48 países.
“O verdadeiro patrimônio de uma empresa de comunicação não é sua sede, seus estúdios ou seus equipamentos, é a credibilidade. Sob essa perspectiva, a CNN Brasil é hoje a empresa mais rica do jornalismo brasileiro”, diz João Vítor Xavier, CEO da CNN Brasil, em conversa com o NeoFeed.
Os dados da emissora se tornam ainda mais eloquentes frente aos índices de confiança nos veículos de comunicação brasileiros. Ao longo dos últimos doze anos, os índices despencaram de 62% para 36% — uma das maiores retrações registradas pelos pesquisadores de Oxford no mundo.
“Esse resultado deve servir como um chamado para que os parâmetros de excelência sejam constantemente revisitados e fortalecidos”, afirma Xavier. “A confiança é um patrimônio coletivo do jornalismo e sua preservação interessa a toda a sociedade."
Um dos pontos mais decisivos para a liderança da CNN Brasil está na combinação entre notícia relevante e alcance.
Desde o início da operação da emissora, em 15 de março de 2020, a empresa adotou a estratégia multiplataforma. A marca está na televisão, no digital, no streaming e nas TVs conectadas.
Um conteúdo, várias linguagens
“Mais do que distribuir, nós produzimos para todas as plataformas”, diz Virgílio Abranches, vice-presidente de jornalismo, conteúdo e operações da emissora, ao NeoFeed.
A CNN Brasil cria os conteúdos conforme as especificidades de cada ambiente em que a notícia é veiculada. O formato muda, mas o rigor da apuração é o mesmo.
“Foi preciso um trabalho interno de mudança de cultura e mentalidade”, lembra Abranches. “Parece simples, mas, na prática, os profissionais têm de pensar em como tratar uma mesma informação para várias plataformas, preservando a sustentabilidade da estrutura.”

A abordagem não poderia ter sido mais eficiente. Em março, a CNN Brasil atingiu a marca histórica de 119 milhões de pessoas alcançadas, em um único mês, em todos os seus canais.
No streaming, por exemplo, a audiência no Prime Video foi duas vezes superior à média. A TV por assinatura registrou o melhor desempenho desde setembro de 2025, com 11 milhões de telespectadores únicos. As transmissões ao vivo cresceram 65% e acumularam o maior volume de espectadores únicos desde outubro de 2023.
“O nosso produto é a informação. Não é a televisão, não é o rádio, não é o computador… Isso é produto da Sony, da Dell, da Samsung”, afirma Xavier.
Em sua opinião, muitas empresas tradicionais de jornalismo seguem presas à forma — mais do que ao conteúdo: “As pessoas escolhem a forma. Para mim, não importa muito se eu vou chegar a elas por uma rede social ou pela televisão… O nosso compromisso é entregar conteúdo de qualidade.”
O novo endereço da notícia
Levar informação de qualidade onde quer que a audiência esteja torna-se imprescindível no cenário atual. A notícia, afinal, mudou de endereço.
Pela primeira vez, as redes sociais, os serviços de mensagens instantâneas, as plataformas de vídeo e os chatbots de IA ultrapassaram os sites e os aplicativos das empresas de comunicação como principal porta de entrada para o noticiário.
Para 54% das pessoas em todo o mundo, o caminho até a informação hoje começa com algoritmos, recomendações automáticas e compartilhamentos. Para 51%, a origem da jornada continua nas marcas jornalísticas, informa o Instituto Reuters.
A diferença parece sutil, mas revela uma mudança radical de comportamento. Comprar o jornal, ligar a televisão ou acessar um portal especializado... Manter-se atualizado sempre foi uma escolha intencional. A notícia, porém, deixou de ser o destino. Ela agora chega quase por acaso, misturada a memes, dancinhas e posts de influenciadores.
Ou seja, a informação nunca foi tão abundante e acessível, nem tão dispersa, incidental e periférica.
Informativo, sim. Opinativo, não
Globalmente, desde 2021, a proporção dos que se dizem “muito” ou “extremamente” engajados com o noticiário caiu 13 pontos percentuais. E pior. O desinteresse se faz acompanhar pela perda de credibilidade.
Para as empresas de comunicação, o desafio está posto: além de fazer a notícia chegar ao público, é preciso convencê-lo de que ela merece atenção.

E isso só se conquista com relevância. Por trás da escalada da CNN Brasil ao topo do ranking da credibilidade, está também o foco no jornalismo de fatos — “muito mais informativo do que opinativo”, define Xavier. No fundo, a postura serve como indicador de honestidade e transparência, faz coro Abranches.
Na emissora, não há espaço para o “jornalista lacração”, reforça o vice-presidente. Figura cada vez mais frequente, é aquele profissional que quer se sobrepor à notícia, viralizar. “Aí vira circo”, diz. “Eu, como espectador, muitas vezes não consigo entender uma entrevista porque o entrevistado mal respondeu e o jornalista cortou, fez piada, ironia… O descrédito na notícia também vem daí.”
Quando a CNN Brasil opina, lembra o CEO, ela opina por intermédio de especialistas. Não por acaso, a emissora tem ampliado sua oferta de conteúdo especializado. No ano passado, lançou o canal CNN Money, focado em notícias e análises do mercado financeiro. Mais recentemente, criou os núcleos editoriais CNN Infra e CNN Agro. O primeiro se dedica à cobertura de temas sobre infraestrutura, logística, mineração e energia. E o outro, ao agronegócio.
A busca por fornecer informações aprofundadas passa também pelas parcerias da emissora com outras marcas jornalísticas. No esporte, a aliança é com a rádio Itatiaia. Na economia e negócios, com o NeoFeed. “Todos ganham, sobretudo o público, que passa a ter acesso a produtos diversificados e de qualidade”, afirma Xavier.
Em um ambiente marcado pela dispersão da audiência, pela desconfiança e pelo desinteresse, a experiência da CNN Brasil sugere uma lição importante.
A tecnologia pode até ter transformado a forma como consumimos notícia, mas a credibilidade da informação segue como o ativo mais valioso — e, cada vez mais, uma condição de sobrevivência para a indústria jornalística.