Em meio a um cenário macroeconômico complicado para os bancos, o Bradesco registrou mais um trimestre de aumento do lucro líquido e expansão da rentabilidade, conseguindo manter o crescimento da carteira de crédito mesmo com a elevação das provisões.

O banco fechou o segundo trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 7 bilhões, aumento de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado e de 3,5% ante o resultado do primeiro trimestre. A expectativa de analistas consultados pela Bloomberg era de que o Bradesco registrasse um lucro de R$ 6,96 bilhões.

O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) atingiu 16,2%, alta de 0,4 ponto percentual na comparação trimestral e de 1,6 ponto percentual na anual.

"Mantivemos boa tração comercial, apesar do apetite ao risco moderado, pois crescemos mais ano versus ano do que no trimestre anterior”, afirma Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, em nota. “Gerimos bem os riscos na tesouraria e no crédito. Fizemos ajuste fino nos modelos e na nossa exposição a linhas e clusters mais arriscados.”

O resultado veio dentro do esperado pelo mercado, um desenvolvimento positivo em um momento mais conturbado da economia, que atingiu em cheio o Santander no período.

“Foi o décimo trimestre seguido de crescimento do lucro do Bradesco, confirmando a trajetória de recuperação que o banco vem apresentando nos últimos anos”, disse Vitor Bueno, sócio e analista da Nord Investimentos.

O banco informou que as receitas totais somaram R$ 37,6 bilhões, com altas de 2,1% na comparação trimestral e de 10,3% na anual. A margem financeira bruta alcançou R$ 20,8 bilhões, com avanço de 15,7% na comparação anual e de 4,1% na trimestral. A margem com clientes subiu 3,6% no trimestre e 13,8% em 12 meses, para R$ 20,2 bilhões.

Mesmo sinalizando uma postura mais conservadora na concessão de crédito, a carteira expandida totalizou R$ 1,1 trilhão, aumento de 11,6% na comparação anual e de 4,3% na trimestral. A carteira de pessoas físicas subiu 8,4% ante o segundo trimestre de 2025 e 1,2% em relação ao trimestre anterior, para R$ 479,7 bilhões.

A carteira de PMEs teve expansão anual de 16,1% e avanço de 5,1% na trimestral, para R$ 267,5 bilhões. A carteira de grandes empresas fechou o segundo trimestre em R$ 389,4 bilhões, alta de 12,7% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 7,8% ante os primeiros três meses do ano.

Segundo Nicolas Merola, analista da EQI Research, a carteira cresceu em ritmo acelerado, com o banco reduzindo sua exposição ao crédito pessoal para pessoas físicas e focando modalidades mais seguras, como aquelas com garantias reais, caso do crédito veicular, que cresceu 26,8%.

“Porém, onde o banco mais cresce é em pessoa jurídica, principalmente no crédito rural, setor que vem passando por dificuldades”, disse, citando que o crédito rural cresceu 20,3% na comparação trimestral e 31% na anual, para R$ 56,7 bilhões. “É um ponto de atenção”, complementou Merola.

Para Bueno, da Nord, o aumento das provisões foi um ponto negativo, ainda que esperado. A despesa expandida com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) cresceu 22,6% na comparação anual e 3,3% na trimestral, para R$ 9,98 bilhões.

Ele também apontou que a inadimplência acima de 90 dias apresentou aumento em relação ao primeiro trimestre, de 0,1 ponto percentual, alcançando 4,3%.

Um gestor ouvido pelo NeoFeed destacou que esse aumento da PDD seria preocupante se a carteira estivesse crescendo mais em operações de maior risco, mas o Bradesco tem atuado principalmente em linhas mais seguras.

“Como a originação não tem sido nesse público [massificado e mar aberto], não me preocupa. Acaba sendo normal o aumento da PDD, porque o ciclo de crédito é ruim”, disse ele, que pediu para não ser identificado.

A receita com prestação de serviços totalizou R$ 10,5 bilhões no segundo trimestre, com altas de 1,1% na comparação trimestral e de 1,7% na anual. Já as despesas operacionais subiram 3,4% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 16,4 bilhões, e avançaram 1,6% em relação ao primeiro trimestre.

O índice de eficiência operacional, que mede o custo em relação à receita, atingiu 46,5%, com quedas de 0,4 ponto percentual e de 3,4 pontos percentuais nas comparações trimestral e anual, respectivamente. Quanto menor o índice, melhor a eficiência do banco.

Para o gestor, o resultado dá o tom do que deve vir pela frente no segundo semestre. “Apesar de ter capacidade de crescimento grande, o Bradesco quer melhorar o ROAE fazendo as coisas certas, de forma estrutural. Vai continuar sendo uma evolução trimestral”, disse.

No pós-mercado da Bolsa de Nova York (NYSE), os papéis do Bradesco registravam alta de 0,57%, a US$ 3,50. As ações preferenciais do Bradesco fecharam o pregão com queda de 0,76%, a R$ 18,05.

No ano, os papéis acumulam baixa de 0,77%, levando o valor de mercado do banco a R$ 180,7 bilhões.