O Inter apresentou lucro líquido de R$ 421 milhões em balanço do segundo trimestre, divulgado após o encerramento do pregão de quarta-feira, 5 de agosto. O resultado foi 34% superior ao do mesmo período do ano passado, mas apenas 6,7% maior que o do trimestre anterior.
Esse é o décimo terceiro trimestre consecutivo de crescimento de lucro, que ficou acima das expectativas do mercado, que esperava uma leve retração frente ao trimestre anterior, para cerca de R$ 410 milhões.
A receita líquida da fintech somou R$ 2,6 bilhões no trimestre, alta de 32% em relação a igual período de 2025, enquanto as despesas subiram 19% no ano. O índice de eficiência do Inter chegou a 42%, e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 16,3%. A margem financeira (NIM), por sua vez, superou pela primeira vez o patamar de 10%, fechando em 10,1%.
Apesar do avanço nas principais métricas, a companhia reconhece piora nos indicadores de qualidade de crédito, atribuída às frentes de cartões e consignado privado.
A inadimplência acima de 90 dias, indicador mais acompanhado pelo mercado, foi de 5,3% no período, ante 4,6% no mesmo período do ano passado, enquanto a inadimplência de 15 a 90 dias subiu 0,7 p.p., para 4,8%. A carteira total do banco fechou em R$ 52 bilhões, alta de 29%, sem considerar títulos e valores mobiliários.
Relativamente novo na carteira do Inter, o consignado privado tem sofrido com o efeito do provisionamento antecipado desse produto. Como o pagamento do consignado privado é descontado diretamente na folha de pagamento, quando o cliente troca de emprego, é preciso revincular o desconto ao novo empregador — processo que pode levar algum tempo. Nesse intervalo, a parcela fica em aberto, mesmo que o cliente não tenha, de fato, deixado de pagar.
“Primeiro vêm as despesas e a receita só chega nos trimestres seguintes — é o que chamamos de upfront provisioning, e isso consome ainda mais [o resultado no curto prazo]”, afirma Santiago Stel, CFO do Inter, em entrevista ao NeoFeed.
Embora não abra o indicador por linha de crédito, Stel disse que a inadimplência nessa frente está em “duplo dígito”. “O consignado público tem uma inadimplência de cerca de 4% ao ano. O consignado privado tem mais de 10%”, afirma Stel.
O CFO diz que essa alta é, em grande parte, resultado de efeitos operacionais — e não necessariamente de piora do risco de crédito — e que a tendência é de queda ao longo do tempo. “Na nossa opinião, ela deveria ir para um dígito — mas quão rápido isso vai acontecer é algo difícil de precisar.”
Segundo o CFO, a maturação da carteira ainda deve demorar e, até lá, ainda é possível que a inadimplência nessa nova vertente siga subindo, conforme o banco acelera o crescimento no consignado privado. “Deve levar alguns trimestres ainda [para maturar essa carteira], pois estamos em um ciclo de investimento bem alto.”
No segundo trimestre, a carteira de consignado privado do Inter subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,8 bilhões. Embora ainda em expansão, o ritmo de crescimento representou uma desaceleração em relação ao trimestre anterior, quando a carteira teve aumento nominal de R$ 600 milhões.
Stel, no entanto, afirma que o plano é seguir ampliando essa linha de crédito. “Ainda é um produto com 30% de ROE. Com o custo de risco que tem, é super rentável. Faremos mais, o quanto conseguirmos vender para a nossa base de clientes.”
Na frente de cartões de crédito, já madura na carteira do Inter, o aumento da inadimplência é explicado pela mudança de estratégia, com maior exposição a clientes que não pagam a fatura integralmente — o que gera mais receita.
A mudança, explica Stel, tem ocorrido ao longo dos últimos anos. Desde 2024, por exemplo, o mix de clientes que pagam a fatura integralmente caiu de 80% para 74%, hoje, com os 26% restantes concentrados em produtos financeiros — parcelamentos e rotativo, que rendem juros.
A carteira de cartões saltou de R$ 10 bilhões para R$ 16 bilhões no período, e a receita de juros do produto cresceu 64%, de aproximadamente R$ 400 milhões para R$ 700 milhões.