Pressionada pelo aumento das despesas no segundo trimestre, a rede varejista Assaí reportou uma receita líquida de R$ 19,1 bilhões, alta de 0,9% no período. O Ebitda ajustado apresentou retração de 0,7%, com R$ 1,07 bilhão. O lucro líquido recorrente do período, de R$ 344 milhões, 93,6% sobre a mesma base do ano passado.
No período, a companhia ganhou market share de 0,3 pontos percentuais, em relação ao segundo trimestre de 2025, e avançou 3,4% no fluxo mensal de clientes, com 40 milhões de consumidores em suas lojas.
Mas o cenário macroeconômico desafiador atingiu diretamente a parcela mais relevante da base do Assaí, que é justamente o público mais sensível a preço. Isso acelerou um movimento que já era perceptível nos carrinhos, que é o efeito trade down, quando as pessoas trocam produtos da mesma categoria por marcas de valores mais baixos.
Com isso, a empresa sentiu um efeito na redução do tíquete médio, ainda que o volume de vendas tenha subido no segundo trimestre. A questão é que, mesmo assim, é necessário manter o patamar de atendimento e de reposição de produtos nas prateleiras. E isto custa alto para uma empresa do setor de alimentação.
Esse movimento também contribuiu para o aumento das despesas, que alcançaram R$ 2,23 bilhões no período, uma alta de 5,1% em relação à mesma base do ano anterior.
“Fomos aumentando serviços nas lojas e o comportamento do consumidor pede isso. Mas estamos no limite destas despesas. A maior parte destes gastos está nas nossas lojas, com nossas equipes. Mesmo com compras menores dos clientes, é preciso manter estes serviços”, diz Rafael Sachete, CFO do Assaí, durante a coletiva de imprensa.
Segundo o executivo, o trabalho da companhia, neste sentido, é em evitar cortar custos, para não perder eficiência no atendimento. Mas, na avaliação dele, se o cenário macro ficar ainda mais crítico, é possível que seja necessário um corte mais representativo nas despesas.
“Não dá para cortar muito além, porque podemos perder nosso consumidor. Mas se o país piorar, talvez seja necessário espremer mais e piorar um pouco a qualidade. A companhia é ágil e, se precisar, vamos agir”, afirma Sachete.
Parte das despesas também está relacionada às novas avenidas de crescimento da companhia, como as marcas próprias, o canal digital, e as farmácias dentro das lojas. A primeira unidade foi inaugurada no dia 16 de julho, na loja da Marginal Tietê. A segunda foi aberta no bairro Penha, também em São Paulo.
Até o fim do ano, serão 25 unidades, com potencial de 250 farmácias dentro dos supermercados. O ponto-chave neste negócio, segundo a empresa, é a redução de custos fixos como locação, energia elétrica e segurança, o que garante uma maior rentabilidade para disputar mercado com as principais varejistas do setor farmacêutico.
“Perto de um mês de funcionamento, a nossa primeira farmácia está em uma rampa de receitas muito similar à da empresa líder do segmento de drogarias [RD Saúde]. Quando eles abrem uma farmácia, a venda média que atingem é parecida com a que estamos alcançando”, explica o CFO.
Mesmo assim, a empresa conseguiu entregar um caixa robusto do período. O Assaí fechou o segundo trimestre com uma geração de caixa operacional de R$ 3,3 bilhões, no acumulado dos últimos 12 meses.
A alavancagem, em ritmo de queda, chegou a 2,37 vezes a relação dívida versus Ebitda, contra um índice de 3,17 vezes no segundo trimestre de 2025. A diminuição no período foi de 0,8 vez.
No período, o Assaí também conseguiu reduzir em R$ 953 milhões o volume de recebíveis descontados de cartões de crédito.
“A gente reforça nossa estratégia de reduzir dívida líquida, alavancagem, e estar muito mais seguro neste momento mais desafiador do varejo, com taxas de juros mais pressionadas para o mercado de consumo”, afirma o CFO.
No acumulado de 2026, as ações ASAI3 na B3 registram valorização de 16,6%. O Assaí tem valor de mercado de R$ 11,5 bilhões.