A crise de imagem da plataforma X, alvo de investigação criminal na França, não tem sido atualmente a única preocupação para o bilionário Elon Musk. A Tesla, montadora de veículos elétricos do empresário, vem perdendo tração de forma sistemática na Europa e já cai mais uma posição no pódio.

Dados divulgados nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, pela consultoria de análise de mercado Jato Dynamics mostram que a alemã Volkswagen, que viveu um período de crise de vendas, ultrapassou a Tesla na venda de carros elétricos no continente europeu em 2025.

Segundo o levantamento, o volume de vendas de veículos fabricados pela Volks cresceu 56% em 2025 em comparação com o ano anterior, impulsionado pela alta procura pelo modelo ID.7. Por outro lado, a Tesla registrou queda de 27% no mesmo período.

No total, a Volkswagen vendeu 274.278 veículos elétricos a bateria na Europa no ano passado, enquanto a montadora de Elon Musk vendeu 236.357. Em 2025, o volume de venda de automóveis deste tipo no continente acumulou alta de 29% sobre o ano anterior.

Essa virada marca o fim de um reinado de quatro anos da empresa do bilionário americano no mercado europeu. E a perspectiva para 2026, na visão de analistas, é de ampliação deste cenário, com aumento nas vendas dos modelos da Volkswagen, principalmente os SUVs.

Esse é mais um revés representativo para a companhia de Musk, que perdeu a liderança global na comercialização de veículos elétricos para a chinesa BYD também no ano passado, após as vendas anuais da montadora americana registrarem queda pelo segundo ano consecutivo.

E foi justamente a alavanca de vendas na Europa que fez com que a marca chinesa conseguisse tirar a empresa de Musk no primeiro lugar do pódio na corrida dos veículos elétricos. Já em maio do ano passado, a companhia asiática já havia tomado a ponta na venda de carros.

A Tesla, cujas vendas caíram 8,6% em 2025, enfrenta forte concorrência, principalmente no mercado europeu, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade de revitalizar o negócio principal de automóveis, justamente no momento que Musk direciona a empresa para robôs-táxi e robôs humanoides.

As vendas da BYD fora da China atingiram 1.046.083 unidades em 2025, um aumento de 150,7% em relação a 2024. Globalmente, foram 2,26 milhões de unidades de veículos 100% elétricos comercializados no ano passado, alta de 27,9%.

Já a Tesla alcançou 1,64 milhão de veículos em 2025, uma queda de 8,3% em relação ao ano anterior. Para se ter uma ideia de quanto a empresa chinesa “passou e abriu”, esse volume de 1,6 milhão é só o que a BYD pretende vender fora da China em 2026.

Quando Elon Musk esteve à frente do Departamento de Eficiência Governamental (Doge), no início do mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, até maio de 2025, ele já havia enfrentado problemas na Europa, principalmente pelos seus ataques a adversários de políticos de extrema-direita.

Esse movimento, à época, gerou uma forte reação negativa dos consumidores, que fizeram um boicote à marca. Em janeiro do ano passado, por exemplo, as vendas na Alemanha tiveram um recuo de 60%, detectado após o apoio de Musk ao partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha, nas eleições gerais de 2025.

No mesmo período, a marca de Musk registrou queda de 45% no mercado do Reino Unido e de 11% no país da concorrente BYD.

A partir da pressão provocada em seus negócios por causa de posicionamento político, Musk deixou a Casa Branca, em conflito com Trump, e sob alegação de que iria se concentrar nas suas empresas e recuperar a imagem abalada de sua montadora. Com isso, a Tesla diminuiu parte das perdas em suas ações no auge da atuação pública do empresário.

O mercado, no entanto, ainda parece duvidar da capacidade de Musk em fazer a Tesla voltar a andar rápido no circuito dos veículos elétricos. Nesta quinta-feira, as ações da companhia registram queda de 2,3% na Nasdaq, por volta de 11h30 (horário local).

No acumulado de 12 meses, os papéis da montadora americana têm valorização de 5%. A Tesla está avaliada em US$ 1,23 trilhão.