Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, não fez questão de esconder um dos verdadeiros interesses do país por trás da deposição de Nicolás Maduro, na Venezuela, no último sábado, 3 de janeiro: o petróleo do país sul-americano, dono das maiores reservas da commodity no mundo.

Entretanto, a reconstrução da indústria petrolífera no país, cuja estrutura de produção está sucateada, será um trabalho árduo e exigirá investimentos pesados. E, nesse contexto, há quem não esteja disposto a contribuir com essa missão.

Esse é o caso da Equinor, gigante norueguesa do setor de petróleo e gás, avaliada em US$ 57,9 bilhões. CEO da companhia, Anders Opedal deixou clara a posição da empresa em relação ao tema durante uma conferência realizada em Oslo nesta quarta-feira, 7 de janeiro.

“No momento, isso não está na mesa”, afirmou Opedal, em rápida conversa com a agência Reuters, nos bastidores do evento. “Saímos da Venezuela porque queríamos realocar capital”.

A Equinor ingressou na Venezuela em meados da década de 1990. Na época, a companhia europeia investiu bilhões de dólares no mercado local e elegeu o país como um dos pontos estratégicos em seu mapa de operações.

O grupo decidiu deixar, porém, o mercado venezuelano no início desta década. A saída do país foi oficializada em meados de 2021, quando a companhia concluiu a venda da fatia remanescente de 9,67% que detinha no projeto Petrocedeño para a estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA).

Na oportunidade, a Equinor se limitou a informar que a transação estava em linha com sua estratégia de concentrar seu portfólio em “áreas centrais internacionais e geografias prioritárias” onde a empresa poderia alavancar suas vantagens competitivas.

Com o acordo, fechado com a Corporación Venezolana del Petróleo (CVP), uma subsidiária da PdVSA, a estatal passou a ser única acionista do projeto, dado que, na mesma época, a TotalEnergies também se desfez de sua participação de 30,32% na iniciativa.

Agora, segundo a Reuters, enquanto a Equinor rechaça qualquer plano de um regresso à Venezuela, Donald Trump planeja se reunir com executivos de petrolíferas no fim desta semana para discutir alternativas para revitalizar essa indústria no país.

Enquanto isso, algumas multinacionais do setor estão buscando outros pleitos em meio às movimentações de Trump e de seus pares mirando essa reconstrução, um processo que, obviamente, deve dar prioridade às companhias americanas.

Um dos exemplos nesse cenário são a italiana Eni e a espanhola Repsol. Com US$ 6 bilhões em pagamentos a receber do governo venezuelano, as duas empresas viram um sinal favorável para terem acesso a essas cifras a partir da queda de Maduro, no último fim de semana.

Ambas as companhias ressaltaram porém que, nos contatos iniciais, os representantes oficiais americanos foram indiferentes aos seus pedidos e que esses interlocutores reforçaram a percepção de que a filosofia America First, encampada por Trump, também será a tônica na Venezuela.