Negócios

Fim de uma era: AB InBev começa processo para substituir Carlos Brito

O brasileiro Carlos Brito fez da AB InBev a maior cervejaria do mundo através de uma série de aquisições. Agora, deve deixar o comando em 2021. Candidatos externos estão sendo considerados

 

Carlos Brito, CEO da AB InBev

A Anheuser-Busch InBev (AB InBev), dona das marcas Budweiser e Stella Artois e da Ambev no Brasil, iniciou um processo para substituir o CEO Carlos Brito, o brasileiro que liderou sua transformação na maior cervejaria do mundo por meio de uma série de aquisições durante 16 anos que esteve à frente da empresa.

A cervejaria está considerando seriamente candidatos externos para o cargo, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto, o que seria uma mudança significativa para uma empresa que se orgulha de sua cultura local. A informação é do Financial Times (FT).

Duas dessas pessoas disseram que a AB InBev está trabalhando com a empresa de recrutamento Spencer Stuart na pesquisa. Uma das pessoas disse que Brito estava envolvido com o conselho da AB InBev no processo e planejava deixar o cargo em algum momento do próximo ano.

A escolha de um candidato externo para ocupar o cargo de CEO pode ser explicada em parte pelo fato de que a AB InBev está considerando atualmente apenas um candidato interno. Trata-se de  Michel Doukeris, que dirige o negócio da Anheuser-Busch com base na América do Norte, acrescentaram as fontes do FT.

Outros candidatos internos, como o diretor de estratégia David Almeida e o diretor de marketing Pedro Earp, não estão sendo considerados como sucessores de Brito.

Também é possível que Brito permaneça no comando por mais tempo se a empresa não encontrar um candidato durante a pesquisa, disse uma das pessoas. Essa pessoa acrescentou que Brito deve ir para o conselho de administração da empresa após sua renúncia. A AB InBev não quis comentar.

Mudanças na gestão da AB InBev acontecem no momento em que a empresa luta contra uma dívida pesada decorrente da compra da SABMiller por US$ 104 bilhões, em 2016, que culminou em quase duas décadas de negociações, dando-lhe uma posição dominante na indústria cervejeira.

Tendo atingido níveis recordes em 2015 antes do negócio com a SABMiller, as ações da AB InBev estão agora mais de 60% abaixo desse nível, com investidores preocupados com seu endividamento, que, ao final de junho era de US$ 87,4 bilhões, o que equivalia a 4,9 vezes o seu lucro.

A AB InBev reduziu pela metade seu dividendo no fim de abril, após outra redução em 2018. A companhia também adotou outras estratégias para ajudar a pagar suas dívidas, incluindo a venda de sua divisão australiana por US$ 11 bilhões para a Asahi neste ano.

A saída de Brito marcaria o fim de uma era para a indústria cervejeira depois que Jean-François van Boxmeer, da Heineken, também renunciou ao comando da cervejaria holandesa neste ano.

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