A Fox Corp. anunciou a compra da Roku, em mais um passo da tradicional companhia de mídia para se adaptar às transformações promovidas pelo streaming.

A controladora da Fox News acertou a compra da companhia americana que transforma televisões comuns em smart TVs por um total de US$ 160 por ação, sendo US$ 96 por ação em dinheiro e 0,9693 ação da Fox.

A operação pressupõe um equity value de US$ 25 bilhões e um enterprise value de US$ 22 bilhões para a Roku. Os acionistas da Fox deterão 73% da empresa combinada, com o restante ficando nas mãos dos investidores da plataforma.

A aquisição, prevista para ser concluída no ano que vem, é o movimento mais recente da Fox para reposicionar a companhia diante do novo momento do mercado, em que cada vez menos pessoas assinam TV a cabo. Em 2020, a companhia comprou a plataforma Tubi por US$ 440 milhões e, no ano passado, lançou seu próprio serviço, o Fox One.

Na apresentação feita a analistas para tratar da aquisição, na segunda-feira, 15 de junho, os executivos da Fox destacaram que a participação do streaming na audiência total de televisão nos Estados Unidos saltou de 25%, em 2020, para 48%.

Enquanto isso, aproximadamente 98% das principais transmissões televisivas nos Estados Unidos são de notícias e esportes ao vivo, áreas nas quais a Fox vem se concentrando desde que vendeu sua operação e catálogo de entretenimento para a Disney, em 2017.

Com a Roku, a Fox ganha uma base de 100 milhões de aparelhos conectados para distribuir seu conteúdo, posicionando-se na interseção entre a produção de conteúdo ao vivo e a distribuição e oferta de serviços de streaming. A empresa destacou que a Roku permanecerá aberta a outras companhias.

“Este é um momento decisivo para a Fox e uma extensão natural da estratégia deliberada e focada que temos executado há quase uma década”, diz Lachlan Murdoch, CEO da Fox, em nota. “Essa combinação transformará o escopo da nossa empresa em verticais de alto crescimento e resultará em uma mudança significativa em nosso perfil geral de crescimento.”

Fundada em 2002 por Anthony Wood, ex-funcionário da Netflix, a Roku se tornou o principal nome no mercado de dispositivos de conexão para televisores nos Estados Unidos, respondendo por 44% das horas gastas pelos americanos assistindo a conteúdo por meio dessas plataformas.

A empresa registrou, no primeiro trimestre, receita de US$ 1,2 bilhão, alta de 22% na comparação anual. A publicidade respondeu por 49% do montante, enquanto as assinaturas de serviços representaram 41%; o restante veio da venda dos aparelhos.

Nos primeiros três meses do ano, a Roku teve lucro de US$ 85,7 milhões, revertendo o prejuízo registrado um ano antes.

A operação prevê que Wood, que acumula os cargos de presidente e CEO da Roku, passe a integrar o conselho de administração da Fox.