A Copa do Mundo acertou em cheio a Lojas Renner no segundo trimestre deste ano. E não de forma positiva. O maior evento esportivo pesou significativamente sobre as vendas da varejista no período, a tal ponto que a companhia se viu obrigada a revisar para baixo a projeção de crescimento da receita líquida em 2026, ainda que espere uma aceleração das vendas no segundo semestre.
A Renner informou na quinta-feira, 6 de agosto, que passou a projetar um aumento de 4% a 8% da receita líquida em 2026, abaixo do intervalo anterior, que estimava uma expansão de 9% a 13%.
“Já tínhamos a expectativa de que o menor crescimento do ano seria no segundo trimestre, por conta da base de comparação do ano anterior, quando crescemos 18%”, diz Fabio Faccio, CEO da Renner, ao NeoFeed.
“Mas revisamos nossa projeção para o ano porque o segundo trimestre ficou abaixo do que esperávamos, por conta do impacto sobre o fluxo nas lojas físicas”, complementa.
O efeito foi grande. Em um momento em que os juros altos prejudicam o poder de compra da população, a receita líquida de varejo somou R$ 3,7 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 1,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia registrado expansão de 18,5%. Na ocasião, o outono mais frio ajudou a produzir um crescimento “fora da curva”, segundo Faccio.
No conceito de vendas em mesmas lojas (que considera o desempenho de unidades em funcionamento há mais de 12 meses), a alta foi de apenas 0,5%.
O desempenho acabou prejudicando as principais linhas do balanço. O Ebitda ajustado total somou R$ 844,6 milhões, queda de 5,3%. Já o lucro líquido ficou estável, em R$ 404,6 milhões, sendo parcialmente beneficiado por uma menor alíquota efetiva de imposto de renda (IR) e contribuição social (CS).
O fluxo de caixa livre recuou 59,4%, para R$ 135,1 milhões. Apesar disso, a Renner fechou o trimestre com uma posição de caixa de R$ 1,9 bilhão e caixa líquido de R$ 1,2 bilhão.
Segundo Faccio, a Copa acabou ofuscando o Dia das Mães, que teve vendas recordes no período. Com o fim do evento, as operações voltaram à normalidade, mas os efeitos sobre os resultados já haviam sido sentidos.
“Até agora tivemos um crescimento acumulado de 2,5%, e imaginamos uma aceleração no segundo semestre para atingir o patamar que esperamos para este ano”, afirma o CEO.
“Já contávamos que 2026 ficaria mais próximo de 9%, na faixa inferior do intervalo projetado. Com o desempenho do primeiro semestre abaixo do esperado, já começamos a projetar que seria pouco provável atingir o topo da faixa original”, complementa.
Faccio destaca que essa revisão é pontual. Para os anos de 2027 a 2030, a Renner manteve a projeção de crescimento da receita líquida entre 9% e 13%, assim como as demais métricas, incluindo o Retorno sobre o Capital Investido (Roic), que deve chegar a cerca de 20% até 2030.
Se o segundo trimestre foi negativo em termos de vendas, o período também foi marcado por novos ganhos de margem, resultado dos ajustes operacionais promovidos nos últimos anos.
A Renner fechou mais um trimestre com margens brutas recordes no varejo e no vestuário, de 57,5% e 58,7%, respectivamente, o que resultou em crescimento de 1,8% do lucro bruto.
O CFO da Renner, Daniel Santos, apontou ainda que as despesas operacionais cresceram apenas 1,5%, para R$ 1,3 bilhão, mesmo com a pressão inflacionária e os maiores investimentos relacionados à abertura de lojas no período.
Apesar da queda nas vendas, nada muda nos planos da Renner, inclusive nos investimentos para ampliar sua base de lojas. Em relação a esse plano, que prevê a inauguração de 140 a 170 unidades da bandeira Renner até 2030, elevando a rede para algo entre 570 e 600 lojas, ele disse que os pontos abertos em 2024 apresentam margens levemente superiores à média da companhia.
“A expansão que estamos fazendo é eficiente em termos de alocação de capital”, disse. “Todos os fatores estratégicos, todas as alavancas estratégicas, permanecem.”
Quanto à Realize, braço financeiro da Renner, a orientação é manter uma postura mais restritiva na originação, sem utilizar todo o seu potencial para impulsionar o varejo até que o cenário macroeconômico melhore.
No segundo trimestre, a carteira total da Realize registrou redução de 1% na comparação anual, para R$ 6,4 bilhões. A participação dos cartões próprios nas vendas foi de 28%, queda de 0,6 ponto percentual.
As ações da Renner fecharam o pregão com queda de 1,39%, a R$ 13,48. No ano, os papéis acumulam alta de 0,75%, levando o valor de mercado a R$ 13,6 bilhões.