Negócios

Shoppings fechados, otimismo em baixa? Não para a Aliansce Sonae

Mesmo com diversos de seus shoppings fechados, a Aliansce Sonae acredita que a recuperação do setor será mais rápida do que em 2020 e espera que o movimento retorne aos níveis normais ainda no primeiro semestre, com o avanço da vacinação

 

Shopping Manauara, em Manaus, está com taxa de ocupação em torno de 97%

Em março e abril do ano passado, quando os centros comerciais foram fechados por conta da pandemia do novo coronavírus, o presidente da Aliansce Sonae, Rafael Sales, comparou a situação a catástrofe. “Caiu um meteoro em cima dos shoppings centers”, disse ele, na ocasião.

Agora, com o aumento de mortes e da contaminação do coronavírus atingindo patamares recordes, a Aliansce Sonae, que tem 27 shoppings em seu portfólio, além de administrar outros 12, está de novo diante dessa ameaça.

Apenas no estado de São Paulo são dez shoppings fechados, um quarto do portfólio total da empresa. Outros dois no Distrito Federal estão abertos apenas para serviços essenciais, como drogarias. Centros de compras administrados pela empresa, em Belo Horizonte e no Ceará, também estão com as portas fechadas. E a lista pode aumentar nos próximos dias.

Mas não pense que Sales dessa vez está pessimista. Mesmo diante desse cenário, ele já vê sinais claros de recuperação. “Com a normalização que esperamos a partir da vacinação, já no fim de março, há uma tendência clara de que os shoppings estarão mais cheios”, afirmou Sales, em conferência com analistas nesta quinta-feira, 11 de março.

Sales usou o Shopping Manauara, em Manaus, como exemplo da retomada. “Ele está com taxa de ocupação em torno de 97%. Com a vacinação chegando na faixa dos 60 anos, estamos vendo a vida voltar ao normal”, afirmou o executivo. Em janeiro, a cidade viveu um colapso do sistema de saúde, com falta de oxigênio nos hospitais.

Os investidores também estão confiantes de que a normalização do setor será mais rápida do que o esperado. Nesta quinta-feira, as ações da empresa, avaliada em R$ 6,7 bilhões, estavam sendo negociadas com alta de 7% por volta das 15 horas. No ano, desvalorizam-se quase 10%.

Ao longo do ano passado, a taxa de ocupação dos shoppings administrados pela Aliansce Sonae se manteve em torno dos 95%. No último trimestre, fechou com 95,8%, pouco abaixo dos 96,7% registrados no mesmo período de 2019. Entre outubro e dezembro, a empresa assinou 176 contratos, o mesmo patamar de 2019. “Minha maior preocupação é manter os lojistas engajados”, disse Sales.

Para manter esse índice, a estratégia da Aliansce Sonae é oferecer negociações individuais aos lojistas. Em locais onde o fechamento acontece por mais tempo, as condições são melhores. “Percebemos que se a gente der essa ajuda temporária, logo o pessoal está pagando de volta”, afirma Sales.

Para ele, o fechamento tem impacto na provisão, mas com uma geração de caixa no montante de R$ 187,6 milhões em 2020, a operadora diz estar preparada para enfrentar o ano. “Vai ser muito mais fácil que no ano passado”, diz Sales.

O otimismo da Aliansce Sonae com a retomada é tanto que, na semana passada, a companhia anunciou a compra de uma participação adicional de 21% no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Com o investimento, avaliado em R$ 275,1 milhões, a operadora terá 51% do shopping.

O Leblon é visto como peça estratégica na consolidação da empresa em mercados que considera relevantes, com alta densidade demográfica e renda qualificada. Uma expansão no shopping está prevista para 2021.

A Aliansce Sonae também lançou uma plataforma de venda online que tem cerca de 4,5 mil de seus s7 mil lojistas engajados. De acordo com Sales, as vendas online funcionam como um complemento das atividades nas lojas físicas.

No último trimestre, a flexibilização do funcionamento teve impacto no aumento do nível de vendas dos lojistas, que atingiu R$ 4,1 bilhões, cerca de 86% do patamar registrado no mesmo período de 2019. Com os descontos nos aluguéis, a inadimplência líquida do trimestre ficou em 5,2%, menor valor registrado ao longo de 2020.

No quarto trimestre, o lucro líquido da operadora despencou 94,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de R$ 100,6 milhões para R$ 5,2 milhões. Entre outubro e dezembro, a receita líquida teve queda de 12,7%, chegando a R$ 238,6 milhões.

O NOI (resultado operacional líquido) caiu 18,8% e atingiu R$ 199,7 milhões. O Ebitda fechou em R$ 151,8 milhões, 27,8% menor na comparação com os três últimos meses de 2019.

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