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Uma reunião sem filtro: o governo nu em praça pública

O NeoFeed selecionou algumas frases da reunião ministerial do dia 22 de abril, cujo vídeo teve seu sigilo retirado, que mostram o que pensam alguns dos integrantes do ministério de Jair Bolsonaro, além do próprio presidente, sem nenhum filtro

 

Reunião ministerial do dia 22 de abril

Uma imagem vale mais do que mil palavras, diz um velho ditado. Mas as palavras ainda valem muito.

A reunião ministerial do dia 22 de abril, que teve o sigilo retirado pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal, é um retrato fiel do governo de Jair Bolsonaro.

O vídeo, que é parte do inquérito que apura suposta interferência presidencial na Polícia Federal, mostrou de maneira nua o que pensam alguns dos integrantes do ministério, além do próprio presidente.

“É putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou”, disse Bolsonaro.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, aproveitou para atacar o SFT. “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”, afirmou.

Ricardo Salles, do Meio Ambiente, disse que era a hora de aproveitar a pandemia para flexibilizar as regras. “Estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid e ir passando a boiada”, disse ele.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o Banco do Brasil. “O senhor já notou que o BNDES e a Caixa que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer. Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo.”

O NeoFeed selecionou algumas das frases dessa reunião ministerial. Elas estão reproduzidas de acordo com a transcrição divulgada pelo STF. Confira:

Jair Bolsonaro
“Não pode falar nada. Tem que ignorar esses caras, cem por cento. (…) Então se a gente puder falar zero com a imprensa é a saída”

“E os governos estaduais não têm como pagar salário. (…) A desgraça tá aí. Eles vão querer empurrar essa trozoba pra cima da gente, e a gente vai reagir porque aqui não é saco sem fundo.”

“E havendo necessidade, qualquer dos poderes, pode, né? Pedir as Forças Armadas que intervenham pra restabelecer a ordem no Brasil.”

“E vou continuar indo em qualquer lugar do Brasil e ponto final, é problema meu.”

“Se tiver que cair um dia, vamos cair lutando, uma bandeira justa. Não por uma babaquice de exame de antivírus, pô.”

“E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô! Não é ameaça, não é uma extrapolação da minha parte. É uma verdade.”

“Essa cambada que tentou chegar no poder em 64, se tivesse chegado, a gente tava fodido todo mundo aqui. Ia tá felicíssimo se tivesse cortando cana, ganhando vinte dólar por mês.”

“É putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira.”

“O que os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! Isso é uma verdade. O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo, esse estrume do Rio de Janeiro, entre outros, é exatamente isso. Aproveitaram o vírus, tá um bosta de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um bosta.”

Abraham Weintraub, ministro da Educação

“E acabar com essa porcaria que é Brasília (..) Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF.”

“Odeio o termo “povos indígenas”, odeio esse termo. Odeio. O “povo cigano”. Só tem um povo nesse país. Quer, quer. Não quer, sai de ré. É povo brasileiro, só tem um povo. Pode ser preto, pode ser branco, pode ser japonês, pode ser descendente de índio, mas tem que ser brasileiro, pô! Acabar com esse negócio de povos e privilégios.”

Paulo Guedes, Ministro da Economia

“Não vai ter molezinha pra empresa aérea, pra nada disso. É dinheiro que nós vamos botar usando a melhor tecnologia financeira lá de fora. Nós vamos botar dinheiro, e… vai dar certo e nós vamos ganhar dinheiro. Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas.”

“A China é aquele cara que cê sabe que cê tem que aguentar, porque pro cês terem uma ideia, pra cada um dólar que o Brasil exporta pros Estados Unidos, exporta três pra China.”

“O senhor já notou que o BNDES e a Caixa que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer. Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo.”

Ricardo Salles, ministro do Meio-Ambiente

“Nós temos a possibilidade nesse momento que a atenção da imprensa tá voltada exclusiva … quase que exclusivamente pro COVID (…). A oportunidade que nós temos (…), é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação, todas as reformas que o mundo inteiro nessas viagens que se referiu o Onyx certamente cobrou dele. (…) Então pra isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de COVID e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De IPHAN, de ministério da Agricultura, de ministério de Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo.”

Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

“A maior violação de direitos humanos da história do Brasil nos últimos trinta anos está acontecendo neste momento, mas nós estamos tomando providências. A pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos. E nós tamo subindo o tom e discursos tão chegando. Nosso ministério vai começar a pegar pesado com governadores e prefeitos.”

Tarcísio Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura

“Tivemos aí dois caras aí na história recente que pegaram terra arrasada e entraram pra História. Um foi o Roosevelt, o outro foi o Churchill. O terceiro vai ser o Bolsonaro.”

Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal

“O Luiz Lima, que nadou com meu pai, foi atleta olímpico, teve a esposa e a filha de catorze anos presa ontem, no camburão. Que porra é essa? (…) Se fosse eu, ia pegar minhas quinze armas (…) se a minha filha fosse pro camburão ou eu matava ou morria.”

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