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Com um caixa “animal” de R$ 375 milhões, Petlove faz primeira aquisição

Após aportes de Softbank e L Catterton, a Petlove, maior e-commerce de produtos pets do Brasil, compra a Vetus, dona de um sistema de gestão para petshops, hospitais e médicos veterinários. Objetivo é reforçar estratégia multicanal para competir com Cobasi e Petz

 

Marcio Waldman, fundador e CEO da Petlove

Depois de receber R$ 375 milhões dos fundos Softbank e L Catterton em plena pandemia, a Petlove descobriu que o software pode ser um negócio animal e está abrindo a carteira para fazer sua primeira aquisição após a chegada dos recursos em seu caixa.

A Petlove está comprando a Vetus, uma empresa especializada em sistemas de gestão para petshops, hospitais e médicos veterinários, fundada por João Paulo Cruz. O valor da transação não foi revelado.

Com a compra da Vetus, o objetivo da Petlove é reforçar sua estratégia de omnichannel, abrindo caminho para começar a oferecer produtos de terceiros através de seu site.

“O software da Vetus vai permitir que a gente pegue a nossa operação, que é online, e leve para a loja física”, afirma Marcio Waldman, fundador e CEO da Petlove, com exclusividade ao NeoFeed.

O sistema da Vetus permite fazer toda a gestão do negócio veterinário, como estoque, pagamentos e questões fiscais, assim como todo gerenciamento dos atendimentos veterinários e o histórico clínico do pet.

A ideia é que, em seis meses, 10 mil estabelecimentos e profissionais parceiros do Vet Smart, um portal de informações técnicas de produtos veterinários comprado pela Petlove há um ano, estejam usando a solução.

Com isso, eles vão poder se integrar ao portal da Petlove para vender produtos e serviços diretamente no marketplace que a varejista online está começando a construir. “Não temos ainda o marketplace”, afirma Waldman. “O software da Vetus vai ser uma parte grande da nossa plataforma.”

Apesar de ser o maior e-commerce de produtos pets no Brasil, a Petlove está atrás da Cobasi e Petz, que faturam aproximadamente R$ 1,1 bilhão cada e têm presença física.

A Petlove deve fechar 2020 com um faturamento de R$ 540 milhões, resultado que foi acelerado por conta pandemia (a previsão para esse ano era de obter uma receita de R$ 440 milhões).

A companhia obtém 65% de sua receita através de uma assinatura, criada em 2016, em que o cliente monta uma cesta de produtos que lhe é enviada regularmente. “A assinatura cresce 80% ao ano, uma taxa maior do que a própria Petlove”, diz Waldman.

Para competir com Cobasi e Petz, a Petlove está não só criando um marketplace, como também investindo em pontos físicos através de parceiros.

Em Belo Horizonte, a startup está fazendo um teste piloto de venda através de seu site com três lojas. A entrega, no entanto, é feita através de uma loja parceira de duas formas. A primeira delas é o cliente retirando o produto no ponto físico, no modelo de clique e retire. A segunda é a loja servir de estoque para fazer a entrega ao consumidor na estratégica conhecida como “ship from store”.

O plano é estender o teste para toda a cidade de Belo Horizonte e para outro município, cujo nome não é revelado, até o fim deste ano. Em 2021, a intenção é estar presente em 20 cidades do Brasil com esse projeto. A Petlove, nesse caso, ganha uma comissão do varejista toda vez que originar a venda.

Durante a pandemia, a empresa desenvolveu também uma ferramenta “white label” que permite que pet shops, clínicas e veterinários criem uma loja virtual em poucos minutos e possam vender produtos a seus clientes através do site da Petlove.

Mas quem está comprando não sabe que a empresa que está por trás daquele site é a Petlove, que cuida de tudo: da tecnologia, dos produtos e até da entrega. Os parceiros não pagam nada e ganham um comissão por originar a venda. Até agora, 2,5 mil lojas foram montadas. A meta é chegar a 10 mil até o fim deste ano.

Mercado bilionário

O mercado de pets deve faturar R$ 37,5 bilhões em 2020, segundo estimativas do Instituto Pet Brasil (IPB), que cobre as áreas de varejo e criação animal, uma alta de 6,25%. O Brasil é o terceiro maior mercado mundial, atrás somente de EUA e China.

“As famílias passaram a ficar muito mais em casa, ou exclusivamente dentro de casa, e isso refletiu em maior cuidado e dedicação com os pets”, diz Nelo Marraccini, presidente-executivo do IPB.

De acordo com a pesquisa da IPB, o omnichannel ainda não é uma ferramenta amplamente usada pelo varejo pet. O motivo é que quase 80% da rede de comercialização são lojas menores, com faturamento médio de R$ 60 mil a R$ 100 mil. Esses pontos possuem até quatro funcionários e oferecem cerca de 30% de cobertura do mix de produtos pet.

Por conta da pandemia, no entanto, até lojas menores tiveram de se adaptar e disponibilizar outros canais de comunicação, como WhatsApp e redes sociais, para se comunicar com os compradores e continuar a oferecer produtos e serviços.

É um contingente gigantesco, estimado em 26 mil lojas, que a Petlove quer penetrar com seu marketplace. Agora, com a ajuda da Vetus.

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