A Shopper está acelerando sua aposta em entregas rápidas, aquelas que são feitas em até 20 minutos, em um movimento para competir com Zé Delivery, da Ambev, Rappi e Daki.
Depois de operar exclusivamente dentro do aplicativo do iFood, que detém uma participação minoritária na empresa, o serviço passa agora a estar disponível também no app próprio da varejista. O movimento vem acompanhado de um plano de investir R$ 100 milhões para levar essa operação além da cidade de São Paulo e ampliar seu alcance no Estado.
A estratégia visa a aumentar o peso da Shopper Now nos resultados da companhia e contribuir para a meta de alcançar R$ 2 bilhões em receita em 2027. “Achamos que o serviço pode responder por 20% a 25% do nosso negócio em um ano e meio”, afirma Fábio Rodas, cofundador e CEO da Shopper.
Lançada como piloto em julho, com apenas uma dark store, a Shopper Now surgiu para preencher uma lacuna entre os dois modelos já oferecidos pela empresa: compras programadas, com periodicidade mensal, quinzenal ou semanal; e compras únicas, entregues no mesmo dia, mas com prazo mínimo de duas horas.
Hoje, a Shopper opera 13 dark stores em São Paulo, Campinas e São Caetano do Sul. O plano é quase quadruplicar esse número até o fim do ano, abrindo pelo menos 30 novas unidades e ampliando a cobertura das entregas rápidas no Estado.
Segundo Rodas, um dos motivos da expansão é que o serviço acabou se mostrando também um canal eficiente de aquisição de clientes. Sem abrir números, o executivo diz que a empresa tem observado uma migração desses consumidores para os demais serviços da plataforma.
“A Shopper Now virou uma porta de entrada para o cliente experimentar a Shopper e depois passar a comprar de forma mais planejada”, afirma Rodas.
Com os resultados iniciais, a companhia se sente pronta para ganhar mercado. E uma parte relevante dessa expansão passa por dar mais destaque à categoria de bebidas, que já apresenta forte demanda e deve ganhar ainda mais tração com a Copa do Mundo.
Desde o início do piloto, bebidas geladas — alcoólicas e não alcoólicas — foram a categoria que mais cresceu entre os 3 mil itens disponíveis. Em maio, o segmento registrou alta de 100,7% na receita em base anual, enquanto a Shopper como um todo cresceu 70%.
“Vimos que algumas pessoas estavam usando o serviço com frequência para a compra de bebidas em diversas ocasiões, e agora queremos expandir essa oferta para que mais gente conheça e passe a utilizar a plataforma”, diz Rodas.
A categoria ganhará um espaço dedicado dentro do aplicativo, com sortimento ampliado, mas seguirá utilizando a infraestrutura logística da Shopper Now.
A empresa também quer aproveitar o segmento para atender demandas de eventos sociais — churrascos, encontros e “esquentas” — oferecendo desde picanha resfriada até copos plásticos e abridores de garrafa. A ideia é se diferenciar de serviços como o Zé Delivery, mais focado exclusivamente em bebidas.
A entrada mais robusta da Shopper nesse mercado ocorre em um momento em que plataformas como Rappi e Daki já oferecem o serviço.
Mesmo contando com investidores de peso — GIC, Minerva, Quartz (que tem José Galló como um dos principais investidores) e o próprio iFood — a empresa optou por adiar sua estreia. A avaliação interna era de que, para ter sucesso, era preciso estar operacionalmente “redonda”, dada a complexidade do modelo.
“O modelo de entrega rápida existe desde 2015 e já estava no nosso radar, mas entendemos que, entre todos os modais, ele é o mais ineficiente, no sentido de que há muita ociosidade. Para realizar uma entrega em 15 minutos, é preciso ter pessoas em uma dark store esperando o pedido acontecer. Se tivéssemos começado por esse modelo, teríamos que usar muito capital”, explica Rodas.
Para ele, essa paciência foi determinante para manter a empresa competitiva em um mercado que já derrubou players como Trela e Justo e fez a Daki perder o status de unicórnio.