O governo chinês está de olho na DeepSeek. A startup chinesa de inteligência artificial (IA) está captando recursos de investidores apoiados pela administração de Xi Jinping, na corrida do país para alcançar a autossuficiência tecnológica.
Segundo fontes familiarizadas com as negociações, alguns potenciais investidores avaliaram a DeepSeek em cerca de US$ 50 bilhões, a partir de rodadas recentes de investimentos.
O Fundo Nacional de Investimento da Indústria de Inteligência Artificial da China, um fundo governamental com um ano de existência e cerca de US$ 8,8 bilhões em capital, tem avançado nas conversas para investir na próxima rodada, segundo fontes ouvidas pelo jornal Wall Street Journal.
A empresa de IA quer estabelecer uma avaliação de mercado que sinalize seu valor e forneça um parâmetro para a concessão de ações aos funcionários, ajudando assim a reter os melhores talentos, afirmaram algumas das fontes.
Desde que a startup causou forte impacto em investidores do Vale do Silício e de Wall Street, no início, Pequim tem considerado a DeepSeek uma campeã nacional em IA. A empresa tornou-se, então, um componente essencial do plano chinês de desenvolver empresas nacionais de ponta em diversas áreas de tecnologia.
A iniciativa do fundo do governo chinês em realizar aporte na startup do país tem como pano de fundo uma forma do país em se proteger contra os controles de exportação dos Estados Unidos e assumir a liderança na disseminação da IA pelo mundo.
Em abril, a DeepSeek lançou seu principal modelo atualizado, chamado V4. Embora o novo modelo tenha sido treinado com chips de ponta da Nvidia, a empresa trabalhou em estreita colaboração com a Huawei e outros fornecedores de chips nacionais, sinalizando uma mudança de foco em relação à dependência de fornecedores americanos.
Os investidores esperam que o novo produto da DeepSeek impulsione uma onda de implementação de IA na China, à medida que as indústrias buscam automatizar tarefas mais complexas, desde utilizações em escritórios até nas áreas de fábrica.
Os principais modelos da DeepSeek, incluindo o V4, são de código aberto, o que significa que os usuários podem baixá-los e modificá-los gratuitamente. A empresa obtém uma pequena receita com a venda de acesso aos seus modelos, que são executados em sua infraestrutura de computação.
Embora a capacidade da DeepSeek de aumentar rapidamente sua receita seja vista como incerta, alguns investidores acreditam que suas conexões com a indústria chinesa eventualmente ajudarão na a construir um negócio lucrativo.
Outras empresas de IA com sede na China já apresentam altas avaliações de mercado. A Zhipu AI, listada na Bolsa de Hong Kong, tem atualmente uma capitalização de mercado de cerca de US$ 50 bilhões, enquanto a MiniMax está avaliada em US$ 30 bilhões.
Em 2024, a China arrecadou o equivalente a cerca de US$ 50 bilhões na terceira parcela de seu fundo nacional de semicondutores, conhecido como Big Fund, com o objetivo de fortalecer a capacidade do país na fabricação de chips. Meses depois, o Big Fund ajudou a criar o fundo de IA (Inteligência Artificial).
Nos primeiros meses após a explosão global e o reconhecimento de alguns dos principais investidores no mundo, a DeepSeek chegou a recusar capital externo, inclusive de fundos ligados ao governo, buscando proteger suas decisões de interferências externas.
Em vez disso, a empresa se apoiou financeiramente na fortuna pessoal de seu fundador e CEO, Liang Wenfeng, e nos lucros de seu fundo de hedge. A startup foi criada em maio de 2023.
Agora, a empresa está se alinhando ao apelo de Pequim para fortalecer a resiliência da China contra a pressão dos Estados Unidos.
A China está intensificando a supervisão da IA e de outras tecnologias estratégicas. Recentemente, orientou algumas empresas que desenvolvem inteligência artificial a não aceitar investimentos americanos sem a aprovação do governo.
Essas restrições seguiram justamente as medidas adotadas pelos Estados Unidos, que limitam os investimentos em empresas chinesas de IA avançada e bloqueiam as exportações de tecnologia de chips para o país.
Em abril, o governo da China proibiu a aquisição bilionária da startup de IA Manus pela Meta, que pagaria US$ 2 bilhões pela empresa. Sediada em Singapura, a empresa tem raízes chinesas.