Maior banco de investimentos da América Latina, o BTG Pactual está de olho em fortalecer sua presença numa área em que normalmente não é sinônimo: banco de varejo.

Depois de adquirir as ações remanescentes do Banco PAN, o BTG Pactual passou a consolidar integralmente os resultados do banco e da Too Seguros, seguradora que controlava com a Caixa, em seus resultados gerenciais, criando a área de consumer finance & banking.

Com esses ativos, o banco espera que a vertical se torne mais uma avenida de crescimento dos resultados do BTG Pactual no médio e longo prazo.

“Estamos bastante confiantes, essa é uma área importantíssima para o desenvolvimento e crescimento do BTG Pactual”, disse Renato Cohn, CFO do banco, na segunda-feira, 11 de maio, em entrevista coletiva. “Já investimos no passado, continuamos investindo e esperamos que essa área seja uma parte mais relevante da composição de receitas do banco.”

No primeiro trimestre de 2026, a área de consumer finance foi responsável por 11% da receita do BTG Pactual. A expectativa é de que, no longo prazo, a unidade possa responder por 15% a 20% da receita do banco, destacando que não é uma meta fechada.

“Chegar a 20% vai levar um tempo, pelo menos cinco anos, como percentual do total de receitas”, disse Cohn. “É nessa direção que caminhamos, para que a área de consumer finance fique mais relevante dentro do conjunto de receitas do BTG.”

Dentro da estratégia para consumer finance está a expansão da rentabilidade do Banco PAN para um patamar similar ao do próprio banco até 2028 – no terceiro trimestre, último balanço em que era uma instituição autônoma, o PAN apresentou um ROE de 12,1%.

Para isso, Cohn afirmou que o BTG Pactual planeja uma série de medidas para ganho de eficiência, com uso de um único core bank system, além de ações para garantir originação de crédito de mais qualidade, reduzindo inadimplência e custo de crédito.

“Acreditamos que conseguimos, no médio prazo, assim que migrarmos o sistema bancário para um só, melhorar a experiência do cliente de maneira relevante”, disse o CFO. “Obviamente isso leva tempo, mas melhorando a experiência do cliente, fidelizamos melhor e conseguimos originar melhor a carteira de crédito.”

Com a entrada em crédito pessoa física, Cohn disse que a expectativa é de ver um aumento nas provisões, ainda mais num momento em que os juros altos pesam sobre a inadimplência dos bancos.

Mas ele afirmou que não houve mudança relevante no provisionamento de crédito do banco, destacando que a proporção de ativos em relação à carteira ficou praticamente igual em estágios dois e três, que levam em consideração o risco de perda esperada. O banco adquiriu experiência ao longo de quase uma década, desde quando passou a contar com o PAN.

“Quando você entra em crédito pessoa física, há um volume maior de provisão e também de inadimplência. Mas isso não mudou tanto”, disse. “Obviamente esperamos aumentar um pouco mais nossa exposição na área de consumer finance, mas marginalmente.”

Ele afirmou ainda que a carteira é quase integralmente com garantia, um patamar de quase 95%, apoiada principalmente em crédito de veículos e consignados.

O banco registrou nos três primeiros meses do ano uma receita de R$ 10 bilhões, alta de 34,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, recorde para a linha.

O lucro líquido ajustado do BTG Pactual foi de R$ 4,8 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 42,3% na comparação anual, outro recorde, com o retorno ajustado sobre o patrimônio (ROAE) atingindo 26,6%, acima dos 23,2% registrados no primeiro trimestre de 2025.

Por volta das 17h15, as units do BTG Pactual caíam 2,75%, a R$ 57,04. No ano, os ativos acumulam alta de 9,29%, levando o valor de mercado a R$ 228,6 bilhões.