A três semanas da estreia do Brasil na Copa do Mundo, que será contra o Marrocos, no dia 13 de junho, às 19 horas, em Nova Jersey, as companhias Heineken e Ambev já enxergam as oportunidades de crescimento no consumo de bebidas no mercado nacional a partir do início da competição
Levantamento realizado pelo Citi ouviu 1,8 mil pessoas em sete países, incluindo Brasil, Estados Unidos, México e Reino Unido. No recorte feito entre os torcedores brasileiros, a cerveja mais lembrada como opção é a Heineken, com 40%, seguida pela Amstel, com 14%, e a Brahma, com 10%.
Quando a análise é pela dona das marcas, o grupo holandês lidera a preferência, com 56%. A Ambev aparece com 40%, e a dona da Itaipava, 4%. O torcedor brasileiro, segundo a pesquisa feita pelo banco, lidera entre os que pretendem aumentar o volume de bebidas durante as partidas.
“Os brasileiros se destacam globalmente na intenção de aumentar o consumo de álcool, com 58% dos consumidores prevendo um aumento na ingestão de bebidas alcoólicas durante o torneio (contra 50% globalmente), enquanto 26% planejam beber significativamente mais, a maior porcentagem entre os mercados pesquisados”, diz o relatório assinado pelos analistas Renata Cabral e Luiz Felipe Terzariol.
Outro dado relevante é, entre os que garantem que vão beber mais, 73% afirmam que vão aumentar a dose de cerveja. A média global é de 64%. Quando a questão é “beber significativamente mais”, os brasileiros aparecem com 26%, seguido pelos mexicanos, com 15%, e pelos americanos, com 14%.
Neste sentido, a multinacional brasileira já precifica a importância da Copa do Mundo para o resultado financeiro da empresa entre o fim do segundo trimestre e o começo do terceiro. No balanço dos primeiros três meses do ano, a Ambev já projeta ações para capturar este mercado, principalmente os que irão assistir do sofá.
“À medida que nos aproximamos da Copa do Mundo, nosso ecossistema digital continuará desempenhando um papel fundamental na ativação da demanda, aproveitando o conjunto mais amplo de ocasiões geradas pelo evento. Em conjunto, [os apps] Bees e Zé Delivery seguem fortalecendo nossa execução, melhorando a alocação de recursos e apoiando a escalabilidade da nossa estratégia de crescimento”, diz o relatório da empresa.
Na call de resultados, o CEO da Ambev, Carlos Lisboa, demonstrou otimismo com os jogos do Brasil e com os feriados no ano, ainda que a indústria de cerveja tenha registrado queda nos primeiros meses do ano.
Ainda assim, a Ambev reportou crescimento de 1,2% no volume no trimestre. No segmento premium, área justamente em que sempre houve uma disputa maior com a Heineken e que a multinacional brasileira passou a liderar após 10 anos, a partir do terceiro trimestre de 2025, a Ambev apresentou crescimento perto de 20%.
A receita da companhia no primeiro trimestre foi de R$ 22,46 bilhões, queda de 0,1%. O lucro líquido, de R$ 3,88 bilhões, foi 2,1% superior do que a mesma base do ano anterior.
A Heineken fechou o primeiro trimestre com queda no volume, entre 1% e 3%, influenciada justamente pelo menor patamar de vendas. Ainda assim, a receita no Brasil aumento um dígito médio, segundo a empresa. O grupo holandês não abre o resultado por país.
Como estratégia, a Heineken fez o lançamento global, primeiro no Brasil, de sua versão com menos álcool e 30% menos caloria, chamada Heineken Ultimate. A distribuição no país começa neste mês, em São Paulo e Minas Gerais.
Na pesquisa do Citi, 83% dos brasileiros ouvidos disseram que pretendem assistir aos jogos em casa, com amigos e familiares, contra 48% do resultado nos Estados Unidos. Por outro lado, 43% dos torcedores do Brasil querem ver em bares ou restaurantes, bem acima da média global, de 35%.
Os analistas do Citi enxergam como pontos favoráveis para a alta no consumo no Brasil além da Copa do Mundo, que é o volume de feriados em dias úteis em 2026 superior ao que foi registrado no ano passado. Ao todo, serão 14, contra 11 de 2025.
A maior parte dele ocorre em feriados prolongados, o que, na visão do Citi, amplifica a oportunidade de consumo.
Mas a tese dos analistas também apresenta riscos, que passa, inclusive, pelo desempenho em campo do grupo convocado pelo técnico italiano, a exemplo da expectativa pelo anúncio em torno de Neymar.
“Uma eliminação precoce do Brasil poderia reduzir o momento de consumo. O gasto do consumidor também pode ser limitado pela alta inadimplência das famílias, e a demanda por cerveja premium pode sofrer com pressões de acessibilidade/preço”, afirma o relatório.