Após destronar a Tesla no mercado de carros elétricos, os chineses prometem abrir uma nova frente de disputa contra outra empresa de Elon Musk, atualmente, sua "menina dos olhos": a SpaceX.
A China testou com sucesso um sistema de recuperação de foguetes na sexta-feira, 10 de julho, segundo informações da mídia estatal. O Long March-10B foi lançado de uma base na província de Hainan, no sul do país.
Segundo a rede estatal CCTV, cerca de seis minutos após a separação entre o propulsor e o estágio superior, o propulsor retornou verticalmente e foi recuperado em uma plataforma marítima.
Foi a primeira vez que a China demonstrou com sucesso a tecnologia de recuperação de foguetes, um passo importante dentro dos planos de Pequim de se transformar em uma potência espacial.
Nos últimos anos, o país vem ampliando o número Outra meta é levar astronautas à Lua até 2030.
O lançamento bem-sucedido "estabelecerá uma base sólida para acelerar a melhoria das capacidades de acesso ao espaço do país", afirmou a China Aerospace Science and Technology Corp., estatal responsável pelo desenvolvimento do foguete, segundo o jornal The Wall Street Journal (WSJ).
O foguete Long March-10B foi desenvolvido para fins comerciais e é capaz de transportar uma carga útil de pelo menos 16 toneladas para a órbita terrestre baixa.
O resultado abre uma nova frente de disputa para a SpaceX, embora os chineses ainda estejam muito atrás da companhia de Musk. O bilionário e sua equipe vêm desenvolvendo a tecnologia de foguetes reutilizáveis há mais de uma década, trabalho que culminou na criação do Falcon 9.
A SpaceX pousou pela primeira vez um foguete Falcon 9 após um voo orbital em dezembro de 2015, segundo a agência de notícias Reuters. Em seu site, a companhia afirma que o propulsor já realizou 660 missões.
Enquanto o Falcon 9 pousa de forma autônoma sobre pernas retráteis em uma plataforma terrestre ou em um navio-drone, o Long March-10B ainda precisa ser recuperado por meio de uma rede.
Mas, se o que os chineses fizeram no mercado de carros elétricos servir de parâmetro, Musk deve enfrentar uma concorrência cada vez mais forte no segmento de foguetes reutilizáveis nos próximos anos.
Por meio de bilhões de dólares em incentivos, Pequim desenvolveu o maior ecossistema de carros elétricos do mundo, com centenas de marcas — gerando, inclusive, saturação e falências no mercado chinês — e grandes fabricantes de baterias.
A BYD, principal montadora do país, tornou-se a maior fabricante de carros elétricos do mundo, ultrapassando a Tesla. Em 2024, a companhia chinesa superou a americana em faturamento e, um ano depois, também a desbancou em volume de vendas.
Em 2025, a BYD vendeu 1,76 milhão de veículos, enquanto a Tesla comercializou 1,63 milhão de unidades.
Com o aumento da concorrência — considerando que os japoneses também devem apresentar um protótipo de foguete reutilizável neste sábado, 11 de julho, além dos avanços da Blue Origin, de Jeff Bezos —, a SpaceX está investindo na próxima geração de foguetes.
Parte dos US$ 75 bilhões levantados em sua oferta pública de ações, a maior da história, será utilizada para acelerar o desenvolvimento da Starship, família de foguetes reutilizáveis capaz de transportar cargas mais pesadas que o Falcon 9 e de realizar missões tripuladas. A empresa já investiu mais de US$ 15 bilhões no projeto, segundo reportagem publicada pela Reuters em março.