A BR Malls disse não à Aliansce. Mas o Safra vê méritos na fusão

O banco Safra ainda acredita que a fusão tem chance de acontecer depois de uma avaliação detalhada dos acionistas da BR Malls. Em relatório, os analistas explicam os motivos

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O Villa-Lobos é um dos shopings da BR Malls

A Aliansce propôs uma fusão de iguais com a BR Malls, que não foi aceita na semana passada. Mas os acionistas da Aliansce divulgaram um fato relevante nesta segunda-feira, 17 de janeiro, afirmando que vão insistir na tentativa de unir as duas administradoras de shopping centers.

Nessa batalha, a Aliansce, que vale R$ 5,1 bilhões, conta com um relatório favorável do Banco Safra, que vê muitos méritos na fusão com a BR Malls, avaliada em R$ 7,1 bilhões.

“A combinação criaria uma das maiores plataformas de varejo do país e a maior operadora de shopping da América Latina”, escreveram os analistas Luiz Peçanha e Rafael Rehder, em relatório divulgado aos clientes na sexta-feira, 14 de janeiro, que o NeoFeed teve acesso.

Segundo o relatório, a nova empresa teria 79 shoppings e um GMV total de aproximadamente R$ 36 bilhões (dado de 2019, antes da pandemia).

Com isso, a união das duas empresas superaria gigantes do comércio eletrônico como Via Varejo (R$ 24 bilhões) e Americanas (R$ 19 bilhões). E ficaria próximo de Mercado Livre (R$ 48 bilhões) e Magazine Luiza (R$ 44 bilhões).

“O portfólio da NewCo (como o Safra chama a união das duas empresas) superaria de longe o segundo e terceiro maiores players de shopping do país, com R$ 16 bilhões e R$ 14 bilhões em GMV em 2019, respectivamente”, escreveram os analistas.

De acordo com eles, o poder de barganha da nova empresa com os inquilinos aumentaria também substancialmente. “O novo portfólio contaria com mais do que o dobro de lojas-chave (como Renner, Arezzo, Centauro, Riachuelo, etc.) da segunda e terceira maiores operadoras de shoppings do país”, estimam os analistas.

Os analistas do Safra também enxergam ganhos de sinergia que podem acrescentar de R$ 1,4 bilhão a R$ 2,6 bilhões no valor presente líquido das empresas combinadas, gerando um upside de 12% a 22% no valor de mercado.

Outros benefícios, em uma eventual fusão, são a complementariedade de portfólio, com uma baixa taxa de sobreposições de ativos. As duas companhias aumentariam sua presença geográfica, passando a atuar em 16 estados.

“Apesar da recusa da proposta pelo conselho da BR Malls, acreditamos que a transação tem uma grande chance de ter sucesso após uma avaliação detalhada de seus benefícios pelos acionistas da BR Malls”, escreveram Peçanha e Rehder.

A recusa, segundo fato relevante divulgado pela BR Malls, se deu porque a proposta não atribuía um pagamento de prêmio à BR Malls. “A proposta subavalia consideravelmente o valor econômico justo da BR Malls e do seu portfólio de ativos e, portanto, não atende aos melhores interesses dos acionistas”, diz um trecho do comunicado.

Para o mercado, essa foi a senha para que a Aliansce melhore sua oferta ou que novos interessados venham à mesa de negociação. Pela proposta da Aliasnce, os acionistas da BR Malls receberiam, para cada 1 ação de sua titularidade, 0,31769690 ações ordinárias de emissão da Aliansce e uma parcela em dinheiro no montante R$ 1,6 bilhão.

A dupla de analistas do banco Safra, no entanto, reforça que vê grande upside para as ações das duas empresas e que os papéis estão pressionados pelas condições macroeconômicas ruins. “A aprovação dessa fusão pode ser um gatilho importante para as ações das duas empresas.”

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