Transformação Digital

A brasileira CI&T já é mais “gringa” do que nacional

Entrevistado do Conexão CEO, Cesar Gon, cofundador da CI&T, fala sobre o crescimento da companhia tecnologia durante a pandemia, as operações internacionais que já representam 60% de sua receita e a meta de abrir o capital da empresa nos Estados Unidos

 

Enquanto boa parte das empresas corre atrás de recuperar as receitas perdidas diante do caos econômico que se instalou com a pandemia, a empresa de tecnologia CI&T corre para dar conta da demanda.

O faturamento da empresa, que deve alcançar mais R$ 1 bilhão neste ano, tem crescido a patamares de 40%. É mais do que a média de 25% ao ano que vinha apresentando nos últimos anos.

“Muitas empresas já enxergavam a transformação digital como estratégica, mas agora colocaram um senso de urgência”, diz ao NeoFeed, Cesar Gon, o cofundador e CEO da companhia fundada, em 1995, em Campinas.

Com 2,7 mil funcionários e presença em todos os continentes, com atuação em países como China, Japão, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Inglaterra e Portugal, Gon afirma que hoje 60% dos negócios da empresa são originados fora do Brasil.

E a companhia está intensificando esse processo que, no fim do dia, traz mais resiliência e uma diversificação. Afinal, cada mercado responde de um jeito. “Estamos investindo na criação de um centro de inovação em Portugal para atender o mercado europeu”, diz Gon.

Como clientes do porte de uma Coca-Cola, Johnson & Johnson, entre outras companhias globais, a CI&T também vem se estruturando para dar passos mais ousados ao lado do sócio Advent, um fundo de private equity americano. “Está nos nossos planos abrir capital nos EUA”, diz Gon.

A seguir, alguns trechos da entrevista que o empresário, um self made man, concedeu ao programa Conexão CEO. A íntegra, mais detalhada, pode ser acompanhada no vídeo acima.

A urgência da transformação digital
O trágico processo pandêmico acelerou uma mudança de comportamento da sociedade que já vinha acontecendo. Mas isso ganhou uma velocidade e deixou as empresas mais vulneráveis em suas estratégias, principalmente no campo digital. Muitas empresas já enxergavam a transformação digital como estratégica, mas agora colocaram um senso de urgência. A transformação não é só sobre tecnologia, ela tem outras facetas como a questão da cultura. E não é um assunto trivial, é necessário mexer em várias outras peças.

Os setores que estão buscando a transformação
Além do óbvio, que é o varejo, o setor de educação com o ensino a distância; as empresas de bens de consumo buscando o acesso direto ao cliente final e não apenas contar com a cadeia de distribuição; e o setor de saúde. Esses são segmentos que estão se redesenhando frente a essa nova realidade do mercado.

Mudança dos modelos de liderança
O que vem pela frente é o século digital. Estamos esperando e já conseguimos visualizar um darwinismo no mercado corporativo. Para competir com as gigantes como Amazon, Apple, Google e com as fintechs e startups, as empresas precisam se mexer numa velocidade que elas não estão acostumadas. É preciso repensar a maneira como você está organizado, a maneira como usa a tecnologia, mas precisa rever o sistema de gestão e o seu modelo de liderança. Será necessário que as lideranças sejam mais colaborativas e participativas. Para jogar o jogo da inovação, não pode ser tão hierárquico.

A operação internacional
Em um ano desconfortável como esse, vamos crescer 40% em 2020. Nos últimos anos, vínhamos crescendo 25% ao ano. Mas é claro que a empresa está passando por um momento especial. Desde o ano passado, temos um novo sócio, que é a Advent, abrimos operações em outros países e hoje 60% de nossa receita já vem de fora do Brasil. Estados Unidos é a nosso principal mercado, abrimos neste ano em Portugal e estamos abrindo na Austrália.

As regiões mais afetadas
A Ásia sofreu menos, apesar de ter sofrido antes. Do ponto de vista de negócios e economia, foi mais leve, por incrível que pareça. A Europa sofreu muito, mas voltou. Já estamos vendo movimentações na Inglaterra, Portugal e Espanha. Nos Estados Unidos e no Brasil, o freeze é maior, a crise ainda gera muita insegurança e não há um horizonte claro de recuperação. Eu diria que vem seguindo o contrafluxo da rotação da Terra. Do Oriente para o Ocidente, a coisa vai ganhando incertezas.

A diversificação da CI&T
Ela tem muito mais a ver com aprendizado do que com resiliência. Mas, na prática, o fato de estar operando em várias moedas, de estar em mercados que sofreram de maneiras distintas, nesse caso foi uma alavanca de resiliência. Foi por acaso porque essa diversificação teve a ver com a fome de aprender como se faz uma transformação digital no Japão, na Inglaterra e em outros mercados.

A sociedade com a Advent e um IPO no horizonte
O desenho com a Advent aconteceu porque estávamos procurando um sócio americano, que tivesse visão global, ajudasse no desenvolvimento de negócio nos EUA e na Europa, e que também conhecesse o Brasil. E está alinhado com a nossa tese de que uma abertura de capital da CI&T nos Estados Unidos faz mais sentido porque hoje é o nosso maior mercado. Demos sorte de alinhar os interesses com a Advent. Queremos abrir o capital o quanto antes, mas vamos ter de ler como os mercados se reorganizam nessa recuperação pandêmica.

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