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Negócios

A dobradinha da ConectCar com o Itaú pode mudar o jogo nos pedágios

Para enfrentar a crescente concorrência, a empresa pretende lançar novos produtos, fazer uso de dados e oferecer suas Tags para clientes do Itaú que financiarem veículos, contratarem seguros e abrirem conta corrente

 

Felix Cardamone, CEO da ConectCar

A disputa pelo mercado de pagamentos eletrônicos de pedágios e estacionamentos tem ficado cada vez mais acirrada. E a briga pela preferência dos usuários vai esquentar bastante nos próximos meses.

A ConectCar, empresa pertencente ao Itaú e ao grupo Ultra, prepara um plano de ataque para aproveitar a sinergia que tem com uma de suas controladoras. Em breve, quem financiar um veículo com o Itaú, vai receber uma Tag da empresa.

Esse será o primeiro de uma série de produtos que estão sendo pensados internamente. “Também estamos estudando dar a Tag para quem fizer seguro de auto e para quem abrir conta no banco”, diz Felix Cardamone, CEO da ConectCar, ao NeoFeed.

Pode parecer só mais um serviço, mas, quando se olha sob a perspectiva dos números colossais e da capilaridade do Itaú, dá para ter uma dimensão do que isso representa.

O maior banco privado do País conta com 60 milhões de clientes e pode alavancar a ConectCar, que movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano, num momento em que a concorrência fica mais acirrada.

Atualmente com 500 mil usuários, a companhia tem a missão de enfrentar a hegemônica Sem Parar, com 5,5 milhões de clientes

Atualmente com 500 mil usuários, a companhia tem a missão de enfrentar a hegemônica Sem Parar, com 5,5 milhões de clientes, e novos competidores como a Veloe, do Banco do Brasil e Bradesco; e a Greenpass, plataforma de bandeira branca usada pelo C6 Bank.

Sobre a concorrência, o líder de mercado Sem Parar adota o discurso de boa vizinhança. “Ainda tem muito potencial de crescimento no mercado. É mais gente falando do segmento e mostrando para as pessoas as vantagens do pagamento automático”, disse Fernando Yunes, CEO do Sem Parar, no programa Conexão CEO.

Mas, evidentemente, a disputa traz desafios para a companhia que está há quase 20 anos no mercado e que trafegou sozinha pelas estradas brasileiras por quase 13 anos – a ConectCar, uma das primeiras grandes competidoras a entrar no setor depois da Sem Parar, foi lançada apenas em 2013. “Cada concorrente que entra faz a gente inovar mais”, diz Yunes.

Agora, com a chegada de outras marcas, a ConectCar está fazendo o mesmo, se mexendo. É um movimento muito parecido com o que tem acontecido no setor de adquirência, na famosa guerra das maquininhas.

Em maio, por exemplo, a Sem Parar anunciou uma parceria com a Movida para colocar as Tags em todos os carros da locadora. Dias depois, a ConectCar anunciava parceria semelhante com a Localiza.

Estima-se que a ConectCar tenha movimentado R$ 1 bilhão no ano passado

No início desta semana, a ConectCar lançou um serviço que torna possível pagar o Cartão Zona Digital usando créditos do próprio ConectCar e também ampliou a rede de estacionamentos para pouco mais de 500 parceiros. “Estamos conversando com algumas redes de varejo alimentício para conectar em drive thru”, diz Cardamone.

A companhia não trabalha com a ideia de fazer de seu App uma fintech, mas quer torná-lo uma carteira digital. O app também poderá ser usado para a coleta de dados e, assim, oferecer serviços com mais assertividade.

A empresa está rodando um projeto-piloto com a rede de lava-rápido DryWash. A ConectCar fica sabendo quando o lava-rápido está vazio e manda uma notificação para quem está perto da unidade. “Estamos analisando e estudando como podemos monetizar com os dados”, diz Cardamone.

Novos produtos

Hoje, a Tag da ConectCar já é vendida em 2,5 mil lojas AMPM, dos Postos Ipiranga, uma das marcas do Ultra, e dá 5% de desconto no abastecimento de combustível para quem tem a sua assinatura.

A completa custa R$ 19,90 por mês. No básico, plano sem mensalidade, são cobradas taxas de até 20% sobre cada recarga. No plano urbano, com uso ilimitado em estacionamentos e mais dois pedágios em estradas por mês, o valor da mensalidade é de R$ 9,50 com adicional de R$ 16,50 caso exceda o uso de dois pedágios.

Dentro de três meses, a ConectCar vai lançar mais um produto: o rodovia.

Dentro de três meses, a ConectCar vai lançar mais um produto: o rodovia. Seu preço não foi ainda definido. Ele funcionará da forma do que o urbano, mas de modo inverso. Os usuários poderão usar em estradas ilimitadamente e pagarão uma taxa adicional caso exceda duas utilizações em estacionamentos.

O novo produto vem na esteira da expectativa de novas concessões. Estima-se que 16 mil km de estradas serão privatizadas e pedagiadas até 2022. “Queremos democratizar o uso de pedágio eletrônico”, diz Cardamone. Hoje, estima-se que metade das pessoas que trafegam nas estradas pedagiadas não usam nenhum tipo de serviço.

Colega de Jorge Paulo Lemann

Cardamone, um amante do ciclismo a ponto de viajar mundo afora para pedalar, tem se debruçado sobre esse mercado há quase três anos. E fala sobre os negócios e a tecnologia envolvida com entusiasmo.

Algo que ele precisou buscar novamente depois de décadas trabalhando no mercado financeiro. Ele já tinha ocupado cargos de alto escalão no Itaú, a vice-presidência no Santander e, quando veio o estalo, estava na cadeira de CEO do Banco Fibra.

Era fevereiro de 2016 e ele resolveu largar tudo para encarar um sabático. Em maio daquele mesmo ano, o executivo se viu aluno, nos Estados Unidos, nas salas de aula da Singularity University, a Meca para quem busca entender as transformações digitais pelas quais o mundo passa.

“Quando olhei para o lado e vi que o Jorge Paulo Lemann estava do meu lado, na minha turma, percebi que tinha feito a coisa certa”, diz ele. Mas a vontade de “dar um tempo e não fazer nada” não durou muito tempo.

“Queria pegar uma operação em estágio inicial para escalar”, diz ele. A ConectCar, que nasceu como uma empresa do Ultra e da Odebrecht, havia mudado de mãos no fim de 2015. Na época, o Itaú pagou R$ 170 milhões pela parte da Odebrecht, e Cardamone viu aí uma oportunidade.

“Depois do curso da Singularity, percebi que eu não queria ser dono de nada, não queria ser investidor, mas queria trabalhar numa startup”, diz ele. Foi então que o próprio se ofereceu para comandar a empresa, naquele tempo com 300 mil usuários. “Que startup tem acionistas como o Ultra e o Itaú?”, diz ele. Cardamone quer fazer com que isso jogue a favor da ConectCar.

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