À espera da aprovação, Rede D’Or sinaliza sinergias com a SulAmérica

Os executivos do grupo destacaram oportunidades em frentes como o uso de ativos imobiliários e a redução do custo de transação entre as companhias, além das sinergias administrativas, fiscais e tributárias

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O hospital São Luiz, da Rede D’Or

Em 23 de fevereiro deste ano, o anúncio da compra da SulAmérica pela Rede D’Or, em um negócio avaliado em R$ 15 bilhões, pegou boa parte do mercado de surpresa, mesmo sob um cenário de seguidos M&As no setor de saúde. Pelo porte, pelos atores envolvidos e seus efeitos no mercado.

Passado pouco mais de um mês do anúncio e ainda sob a pendência da aprovação do acordo por parte de acionistas e dos órgãos regulatórios, os executivos da Rede D’Or trouxeram um pouco mais de detalhes sobre as expectativas em relação ao acordo.

“Como o processo está em andamento, nesse momento, estamos falando qualitativamente com o mercado”, disse Otávio Lazcano, CFO e diretor de RI da Rede D’Or, em conferência com analistas nesta quarta-feira, 30 de março. “Enquanto isso, estamos apontando o lápis e criando grupos internos para analisar as potenciais sinergias.”

Sob essa ótica, o executivo listou uma série de benefícios potenciais inerentes à transação. A primeira é a liberação de recursos de caixa para a “nova” empresa a partir de frentes como o uso de ativos imobiliários e a redução do custo de transação entre as duas companhias.

Lazcano também destacou o potencial de redução do endividamento da operação ao citar que, de um lado, a Rede D’Or tem uma estrutura de capital bastante conservadora, com prazos de endividamento bastante dilatados.

“Do outro lado, a Sulamérica é caixa positivo e tem gerado resultados históricos muito elevados”, afirmou. “Isso vai nos dar musculatura financeira para capturar outras oportunidades de investimento e distribuir, mais cedo no tempo, dividendos aos acionistas. Obviamente, sem nenhum dano para a estrutura de capital.”

O CFO ressaltou ainda oportunidades na aceleração de projetos orgânicos de expansão, em sinergias administrativas, fiscais e tributárias e também no aumento do poder de barganha junto a fornecedores da cadeia de suprimentos.

Além de uma receita combinada de mais de R$ 40 bilhões e da expectativa de uma aprovação para o negócio ainda neste ano, Paulo Moll, CEO da Rede D’Or destacou o desejo da família Larragoiti, controladora da SulAmérica, permanecer na nova composição com a totalidade das suas ações.

Ao mesmo tempo, Moll fez questão de abordar, em mais de uma oportunidade, que a combinação das duas companhias não trará impactos no relacionamento de ambas com outros elos da cadeia. Com o acordo, esse tem sido um dos pontos mais questionados no mercado.

“Grande parte da nossa receita seguirá vindo das mais de 300 operadoras de planos de saúde com as quais trabalhamos”, afirmou o executivo. “Da mesma maneira que o management da SulAmérica já deixou claro que irá manter o relacionamento com mais de 1,2 mil hospitais e mais de 17 mil médicos.”

Ainda nessa esfera, o CEO da Rede D’Or disse que a nova operação irá testar, sim, alternativas em áreas como novos modelos de pagamento. Mas observou que, a partir da validação desses formatos, o plano é levá-los aos demais parceiros das duas empresas, em suas respectivas cadeias.

O executivo acrescentou que, mesmo com a aprovação do acordo com a SulAmérica, a Rede D’Or não pretende se desfazer de sua participação na Qualicorp. Minoritária, essa fatia vinha sendo ampliada desde o início de 2021.

Resultado

Enquanto aguarda os trâmites da negociação, a Rede D’Or encerrou o quarto trimestre de 2021 com uma receita líquida de R$ 5,1 bilhões, um crescimento de 23,2% comparado a igual período, um ano antes. No ano consolidado, a empresa registrou um salto de 45,3% no indicador, para R$ 20,3 bilhões.

Entre outubro e dezembro, o lucro líquido foi de R$ 419,5 milhões, um resultado 38,5% superior na comparação anual. Levando-se em conta todo o ano de 2021, a última linha do balanço ficou em R$ 1,6 bilhão, um avanço de 265,2%.

Já o Ebitda do trimestre chegou ao patamar de R$ 1,2 bilhão, um crescimento de 24%. Enquanto no ano, a alta foi de 97,3%, para R$ 4,8 bilhões. Em contrapartida, a taxa média de ocupação dos hospitais da rede foi de 76,5% entre outubro e dezembro, contra 77,6% em igual período de 2020.

Em relatório, o BTG Pactual destacou que, apesar dos impactos na sazonalidade mais fraca no quarto trimestre, expressos na taxa de ocupação e em outros indicadores, o resultado foi o melhor, até o momento, entre os ativos do setor cobertos pelo banco.

“Nós acreditamos que mais detalhes relacionados aos ganhos potenciais da combinação de negócios com a SulAmérica devam ser um catalisador positivo para a ação”, escreveram os analistas Samuel Alves, Yan Cesquim e Pedro Lima, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 60 para a ação.

No curto prazo, no entanto, a reação do mercado não foi positiva. As ações da empresa estavam sendo negociadas a R$ 50,03, queda de 2,85%, por volta das 14h10. A Rede D’Or está avaliada em R$ 98,5 bilhões e seus papéis acumulam uma valorização de 11,4% em 2022.

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