Rede D’Or compra SulAmérica em operação bilionária

A SulAmérica foi avaliada em R$ 15 bilhões, em um negócio que envolveu troca de ações. Os controladores do plano de saúde vão ficar com 13,5% do capital social da Rede D’Or

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Palco de intensas movimentações e M&As nos últimos anos entre grandes empresas e ativos de menor porte do setor, o mercado brasileiro de saúde está no centro agora de um acordo envolvendo duas gigantes do segmento.

A Rede D’Or e a SulAmérica acabam de anunciar que chegaram a um acordo para a combinação de seus negócios, por meio de uma transação que envolve a unificação de suas bases acionárias.

Pelos termos do acordo, o negócio será realizado, na prática, por meio da incorporação da SulAmérica pela Rede D’Or. Uma vez que essa etapa for aprovada, os acionistas da operadora de planos de saúde migrarão para a base acionária do grupo hospitalar.

Como critérios para essa migração, o acordo tomará como referência as cotações de fechamento das ações da Rede D’Or e das units referenciadas em ações da emissão da SulAmérica no pregão do último dia 18 de fevereiro, acrescidas de um prêmio de 49,3% sobre as units da SulAmérica, o que avalia o ativo em cerca de R$ 15 bilhões.

Assim, como resultado da incorporação e após a operação ser concluída, os acionistas da operadora receberão um volume de novas ações ordinárias da Rede D’Or equivalentes a uma participação de 13,5% do capital social da empresa.

O acordo, que ainda passará pelo crivo das assembleias gerais das duas empresas e de órgãos como o Cade e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), estabelece também que a SulAmérica assuma uma obrigação de exclusividade com a Rede D’Or, válida por 12 meses. Caso esses termos sejam descumpridos, o contrato prevê uma multa de R$ 5 bilhões.

Os acionistas controladores da operadora de planos de saúde assumiram um compromisso semelhante com a Rede D’Or, pelo prazo de 18 meses, que envolve uma multa de R$ 2 bilhões, caso seja descumprida a obrigação de votarem contrariamente a qualquer proposta concorrente que, eventualmente, seja apresentada na assembleia geral da SulAmérica.

Na B3, os papéis da Rede D’Or encerraram o dia com alta de 8,82%, cotadas a R$ 55,50. Já as ações da SulAmérica fecharam as negociações com uma valorização de 25,16%, para R$ 30,94. As duas empresas estão avaliadas, respectivamente, em R$ 109,4 bilhões e R$ 13,1 bilhões.

Verticalização

Em linha com boa parte dos movimentos de consolidação do setor, o acordo entre as duas gigantes segue a tese de verticalização e da criação de ecossistemas. Isso se traduz em empresas – de grupos hospitalares a laboratórios e planos de saúde – comprando ativos para estenderem seus tentáculos a outros elos dessa cadeia.

No caso da Rede D’Or, a incorporação da SulAmérica marca a entrada do grupo no mercado de planos de saúde. Até então, a presença da empresa nessa arena estava restrita a uma fatia na Qualicorp, que vinha sendo ampliada desde o início de 2021.

A Rede D’Or é, há tempos, um dos nomes mais ativos na onda de aquisições na área de saúde. O grupo vem mantendo uma média de três aquisições a cada trimestre desde que abriu capital em dezembro de 2020, quando levantou R$ 11,3 bilhões, no maior IPO daquele ano na B3.

Em menor ritmo, a SulAmérica também vinha mostrando, pouco a pouco, sua disposição nessa frente. Em dezembro de 2021, por exemplo, a operadora anunciou a compra da Sompo Saúde, em um negócio de R$ 230 milhões.

Entretanto, esse apetite veio à tona, de fato, meses antes, quando a companhia protagonizou uma disputa pela aquisição da HB Saúde, de São José do Rio Preto, e viu sua proposta de R$ 485 milhões ser superada por um cheque de R$ 650 milhões da Hapvida.

Outra gigante dos planos de saúde, a Hapvida, por sua vez, também pode ajudar a explicar, em parte, a transação bilionária envolvendo a Rede D’Or e a SulAmérica. A operadora de planos de saúde também vem ampliando seus domínios com a compra, por exemplo, de hospitais.

A maior tacada da Hapvida, no entanto, veio em janeiro de 2021, a partir da proposta de fusão com o Grupo NotreDame Intermédica. A operação só obteve o sinal verde do Cade em janeiro desse ano e abre caminho para que a empresa siga avançando em outras esferas, o que fatalmente poderia se consolidar como uma ameaça para as operações isoladas da Rede D’Or e da SulAmérica.

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