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A felicidade se compra. E ela chega na forma de um robô, segundo pesquisa

Uma pesquisa mostra que pessoas que delegam tarefas domésticas a aparelhos autônomos, como aspiradores de pó e cortadores de grama, se dizem mais satisfeitas. O nível de bem-estar tende a cair, porém, quando os robôs têm feições humanas ou quando o uso dos dispositivos é percebido como preguiça

 

No Brasil, venda de robôs aspiradores disparou 802% só no mês de abril

Três pesquisadores entrevistaram 5 mil pessoas, em diferentes países, para entender se e como a automação de algumas tarefas impacta na felicidade e no bem-estar geral dos usuários.

Longe de qualquer roteiro distópico, o estudo chegou à conclusão que, nas histórias reais, a tecnologia robótica está muito mais para “mocinha” do que para vilã.

A pesquisa foi conduzida por Ashley Williams, professora de Harvard, e seus colegas Tobias Schlager, da Universidade de Lausanne, e Emanuel de Bellis, da Universidade de St. Gallen. 

Na análise, o trio identificou que terceirizar às máquinas tarefas “indesejáveis”, como aspirar o pó da casa, pode elevar a sensação de “ganho de tempo”. Ao conquistar mais horas para outras atividades, as pessoas relatam sentir uma diminuição no estresse e aumento do bem-estar geral. 

“Perguntamos aos entrevistados coisas como: ‘de 1 a 10, sendo um muito pouco e 10 bastante, o quão feliz você está hoje?'”, diz Schlager, ao NeoFeed.  “E também levamos em consideração o quanto cada um estava feliz com suas vidas de maneira geral.”

Ashley pondera que a “felicidade” implícita no estudo é a sensação de satisfação geral. “Percebemos que aqueles que têm e usam com frequência esses robôs são mais propensos a se descreverem como ‘satisfeitos’ com suas vidas”, diz a professora.

Os participantes relataram até mesmo a melhora em suas vidas amorosas. Segundo a pesquisa, o convívio com o parceiro tende a ser mais prazeroso quando ninguém do casal tem que se preocupar com uma tarefa desmedida, por exemplo. “Eu esperava um resultado otimista, mas definitivamente me surpreendi com a extensão do que descobrimos”, afirma Schaleger. 

Isso não significa que o estudo não faça suas ressalvas. De acordo com os pesquisadores, o nível de satisfação dos entrevistados cai consideravelmente quando os robôs têm nomes ou feições humanas.

“Percebemos que as pessoas ficam menos confortáveis nessas circunstâncias, e alguns chegaram a se dizer ‘culpados’ por usarem esses produtos”, escreveram eles no relatório. 

Essa descoberta está em sintonia com outra pesquisa recentemente realizada por Ashley. O estudo mostrou que os consumidores se sentem mais culpados e menos propensos a terceirizar um serviço em que o trabalhador é facilmente “identificável”.

“O fato de sabermos quem está limpando a nossa casa humaniza o serviço e nos leva a ter uma empatia com aquele prestador. Então, nos sentimos culpados em pedir que façam algo que sabemos ser desagradável”, afirmam Ashley e seus colegas no segundo estudo.  

Os resultados mostram um contraponto importante para o mercado que, intencionalmente, projeta robôs para imitar características e comportamentos humanos. Nessa direção, empresas como Amazon e Samsung, por exemplo, desenvolvem produtos com interações de voz otimizadas 

A fabricante Dyson, por sua vez, incentiva os clientes a nomearem seus aspiradores de pó, partindo do princípio que essa abordagem humanizada traz benefícios potenciais, como reduzir a solidão, além de ajudar os consumidores a ter um maior senso de controle sobre esses dispositivos.

Entretanto, mesmo com total domínio da ferramenta, outro sentimento indesejável provocado pelo uso de robôs é a preocupação de que o gadget promova a preguiça.

“Em muitas culturas, estar ocupado é visto como um símbolo de status e nesses casos, as pessoas julgavam os proprietários de produtos autônomos como ‘inferiores’ e menos bem-sucedidos, e temiam ser encarados da mesma maneira caso usassem o robô”, pontuam os pesquisadores.

Isso talvez explique a distância entre as projeções de adoção desses dispositivos e a realidade. Há quatro anos, a aposta era que a família média americana teria cerca de 500 smart objects em 2020. Em março deste ano, porém, apenas 10% dos americanos eram, por exemplo, dono de robôs aspiradores – mesmo com a queda no preço do produtos.

No Brasil, o setor vem crescendo, sobretudo durante a pandemia. Segundo a consultoria GfK, apenas no mês de abril, as vendas desses robôs aspiradores de pó dispararam 802%. Nos primeiros quatro meses de 2020, a categoria movimentou R$ 24,1 milhões no País. 

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