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Um pedido de perdão que põe fim a uma dinastia na Samsung

Jay Y. Lee, neto do fundador da empresa, diz que será o último membro da família a liderar a gigante sul-coreana, que é a maior fabricante de celulares, chips para computadores e painéis eletrônicos do mundo

 

Jay Y. Lee, herdeiro da Samsung e líder de fato da empresa

A terceira geração da família Lee é a última a liderar a Samsung. O fim dessa linha sucessória hereditária foi comunicado por Jay Y. Lee, neto do fundador da empresa. Desde 2004, Lee ocupa a posição de chairman da gigante de tecnologia sul-coreana, sucedendo no comando a seu pai, afastado por problemas de saúde. 

Embora tenha filhos jovens em condições de liderar o negócio, Lee, que é o líder de fato da empresa, “renunciou” à prática por pressão interna e externa. O executivo responde judicialmente por acusações de corrupção e articulação para minar a sindicalização de seus funcionários.

“Não pretendo passar minha função para meus filhos. Penso nesse assunto há muito tempo, mas tenho hesitado em manifestar isso abertamente”, disse Lee, de 51 anos, antes de se curvar em cumprimento, numa rara entrevista coletiva, nesta quarta-feira, 6 de maio, em Seul. “Dou minha palavra aqui hoje de que, de agora em diante, não haverá mais polêmica com relação à sucessão. Não haverá, absolutamente, qualquer infração à lei.”

Em 2017, Lee foi condenado a cinco anos de prisão pelo pagamento de US$ 7 milhões em propina à então presidente do país Park Geun-hye e uma amiga. A sentença foi revogada, mas a liberdade do executivo segue ameaçada, pois ele enfrenta atualmente um segundo julgamento também pelo pagamento de propina à ex-presidente da Coreia do Sul. 

Park foi a primeira mulher a liderar a Coreia do Sul e sofreu, ainda em 2017, um processo de impeachment. No ano seguinte, ela foi julgada culpada por múltiplas acusações de abuso de poder, suborno e coerção. Sua condenação foi estipulada em 24 anos de prisão. 

A fala pública do empresário foi uma recomendação do “comitê de compliance”, um órgão estabelecido em janeiro pela Samsung, sob sugestão jurídica. Entre outras diretrizes propostas por essa nova comissão estão ainda o fim da “guerra” contra os sindicatos.

Em duas decisões judiciais independentes, expedidas em dezembro do ano passado, 39 pessoas foram condenadas por conspirar ilegalmente para sabotar os esforços de organizar sindicalmente algumas das filiadas do conglomerado. A investigação concluiu que a ação aconteceu ao longo de anos, e não de maneira pontual. 

Apesar das polêmicas, escândalos e julgamentos, a Samsung segue como a maior e mais lucrativa empresa da Coreia do Sul, faturando US$ 206 bilhões em 2019. 

A companhia é a maior fabricante de smartphones, chips de computadores e painéis eletrônicos. Mas o conglomerado abrange dezenas de afiliadas, incluindo seguro de vida, parques temáticos e biofarma. Ela foi fundada como uma mercearia em 1938 por Lee Byung-chul, o avô de Jay Y. Lee. 

Uma pesquisa da consultoria especializada em tecnologia Gartner mostrou que, em 2019, a Samsung vendeu mais de 290 milhões de celulares e se manteve na liderança do segmento, dominando 19,2% do mercado. Xiaomi e Apple completam o pódio, com 15,6% e 12,6% de participação de mercado, respectivamente. 

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