A idtech unico avança na sua estratégia de aquisições e compra a CredDefense

Depois de comprar a ViaNuvem, a idtech adquire a CredDefense, que atua com soluções de validação de identidade e prevenção a fraudes via biometria facial e tem como carro-chefe o atendimento a locadoras de automóveis

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Guilherme Cervieri, vice-presidente de estratégia e de M&A da unico

Em setembro de 2020, a unico reforçou seu caixa com um aporte de R$ 580 milhões, assinado pelo Softbank e a General Atlantic. Dona de um portfólio de autenticação de identidade via biometria facial, a idtech deixou claro, naquela oportunidade, que as aquisições seriam um dos destinos do cheque.

Essa promessa começou a se materializar em maio deste ano, com a compra da ViaNuvem, que abriu caminho para a entrada da empresa no mercado de concessionárias de automóveis, com a validação digital na venda de automóveis.

Agora, a empresa inaugura uma nova via de crescimento ao anunciar, nesta quarta-feira, com exclusividade ao NeoFeed, a aquisição da CredDefense, companhia que também atua com soluções de validação de identidade de prevenção a fraudes por meio de biometria facial.

Com o acordo, cujos termos financeiros não foram revelados, a unico assume 100% da CredDefense. O fundador da empresa, Ricardo Valverde seguirá na operação, assim como os 35 funcionários. A incorporação envolve ainda a sede da companhia, em Bebedouro, cidade do interior de São Paulo.

“A aproximação foi natural e o processo em si foi muito rápido, durou 45 dias”, diz Guilherme Cervieri, vice-presidente de estratégia e de M&A da unico, ao NeoFeed. “Além de sermos complementares e de haver pouca sobreposição de clientes, eles permitem a nossa entrada em um novo setor.”

Fundada em 2014 e com uma carteira de aproximadamente 200 empresas clientes, a CredDefense tem as locadoras de automóveis como o carro-chefe do seu portfólio. No segmento, a empresa atende, por exemplo, Localiza, Unidas e Movida, as líderes do setor.

“Cerca de 70% das locações no Brasil passam pelas nossas soluções”, diz Luís Volpini, CEO da CredDefense. “Hoje, temos um banco de dados e de imagens com aproximadamente 30 milhões de CPFs únicos.”

Cervieri, da unico, destaca ainda outros fatores que pesaram na escolha da empresa pelo ativo. “Além de questões tecnológicas, eles estão presentes em outros segmentos nos quais temos pouca penetração, como educação e logística”, afirma.

Fundada em 2007, ainda como Acesso Digital – a empresa adotou o novo nome em dezembro de 2020, a unico, por sua vez, trabalha com mais de 600 empresas em segmentos como bancos, fintechs, varejo, indústria, operadoras e e-commerce.

Essa base inclui clientes como Magazine Luiza, C6, Banco Original e B2W. E é atendida por duas áreas de soluções da unico. A primeira são as ferramentas de biometria facial que validam e protegem a identidade dos usuários em transações online, das compras no e-commerce à solicitação de crédito.

Com esse modelo, a empresa diz ter impedido mais de 900 mil ações fraudulentas no primeiro semestre de 2021, o que evitou um prejuízo de R$ 22 bilhões para as companhias que recorrem aos seus produtos. Hoje, em média, a unico autentica 17 milhões de pessoas por mês.

Já a segunda frente do portfólio é composta por uma plataforma destinada aos departamentos de RH das empresas, com o objetivo de agilizar a contratação remota de funcionários. Desde o seu lançamento, há três anos, a ferramenta, que também conta com um recurso de assinatura eletrônica de documentos, viabilizou cerca de 500 mil admissões.

Segundo Cervieri, a unico está formatando o modelo de integração da CredDefense. Isso inclui a decisão de manter ou não a marca da empresa e se o ativo será transformado em uma unidade de negócios. Outra questão em avaliação são as possíveis sinergias entre essa operação e a ViaNuvem.

Enquanto esse processo ainda carece de uma definição, a unico tem bem clara a disposição de seguir com as aquisições como um dos seus pilares estratégicos. “Temos um pipeline super robusto, com mais de 80 empresas mapeadas”, diz Cervieri.

A tese inorgânica inclui critérios como os times das empresas, a complementaridade de carteira de clientes ou de receita, a possibilidade de acelerar a entrada em um determinado segmento e também o portfólio de tecnologia da operação em questão.

“A entrada em outros mercados não está necessariamente restrita a aquisições”, observa o executivo. Ele aponta segmentos da economia como educação e saúde, nos quais a empresa já tem alguns pilotos em andamento, como alguns dos setores que unico olha com mais atenção.

Além desses esforços, os recursos do aporte de R$ 580 milhões estão sendo aplicados em áreas como a ampliação do time da empresa. Desde o fim do ano passado, esse quadro saiu de 180 para quase 700 funcionários.

Assim como a unico, outras empresas que atuam em segmentos como proteção de identidade e prevenção de fraudes também estão capitalizadas. Esse é o caso da VU Security, empresa argentina que está presente em 27 países e que desembarcou recentemente no Brasil, sob o impulso de um aporte de R$ 60 milhões, em julho, que contou com a participação de nomes como Telefônica e Globant.

Fundada em 2016, a brasileira idwall é mais uma a reforçar a competição nesse espaço. No início de junho, a empresa levantou R$ 210 milhões junto a investidores como GGV Capital, Endurance, Península, Monashees, OneVC, Qualcomm, Grupo Globo e Canary.

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