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A jogada de US$ 27,7 bilhões de Marc Benioff, da Salesforce, para enfrentar a Microsoft

Salesforce faz a maior aquisição de sua história ao comprar, por US$ 27,7 bilhões, a plataforma de comunicação Slack. Movimento é para enfrentar a força da Microsoft na área de aplicações corporativas de computação em nuvem

 

Marc Benioff, fundador e CEO da Salesforce

No xadrez de Wall Street, Marc Benioff, fundador e CEO da Salesforce, acaba de fazer um movimento que coloca pressão na Microsoft. A companhia, uma das pioneiras em computação em nuvem para empresas, está comprando a plataforma de comunicação Slack por US$ 27,7 bilhões, numa transação que envolve dinheiro e ações.

De todas as outras 64 empresas que a Salesforce assumiu, essa foi a mais cara, superando a compra do software de análise de dados Tableau, em junho de 2019, por US$ 15,3 bilhões. “Foi um acordo divino. Juntas, Salesforce e Slack vão moldar o futuro do software corporativo e transformar a maneira como trabalhamos no mundo digital”, disse Benioff, em um comunicado oficial.

Stewart Butterfield, CEO da Slack, tampouco economizou palavras para comentar a transação. “Os softwares desempenham um papel cada vez mais crítico no desempenho das companhia”, disse, por meio de nota. “Acredito que esta é a combinação mais estratégica da história do software e mal posso esperar para começar.”

Desde que foi fundada, em 1999, a Salesforce se tornou um dos principais players no mercado de softwares para gerenciamento de clientes. A companhia foi ainda uma das pioneiras em implantar o modelo de software as a service (SaaS), que cobra uma mensalidade recorrente.

Embora conte com mais de 150 mil clientes corporativos em diversos países, a Salesforce ainda não é o destino final para seus usuários. Mas isso pode mudar. E o Slack pode ser fundamental para isso. Ao incorporar as funcionalidades do Slack, o software de Benioff lançaria mais um tentáculo nos escritórios – inclusive os virtuais.

Posicionando-se como uma alternativa ao infinito fluxo de e-mails entre colegas e equipe, o Slack começou como uma tecnologia para desenvolvedores, mas logo deixou de ser uma ferramenta nichada.

Hoje, a plataforma converge a comunicação organizacional, permitindo que funcionários estruturem canais de diálogos por tarefas, equipes ou departamentos. O Slack funciona quase como uma sala de bate-papo, onde colegas compartilham os status de tarefas, arquivos importantes e outras ferramentas necessárias para a manutenção da rotina profissional.

A Salesforce tenta avançar neste mercado há anos. Em 2010, por exemplo, a companhia com sede em São Francisco lançou a Chatter, uma rede social privada para empresas. Seis anos depois, a Salesforce fez mais uma ofensiva com a aquisição da Quipc Inc, uma startup de documentos colaborativos em nuvens, por mais de US$ 500 milhões. Nenhuma dessas apostas vingou.

Daí o investimento no Slack, que parou de contar o número de usuários ativos diariamente no ano passado, quando atingiu a marca de 12 milhões. Essa pandemia, aliás, ajudou a expandir ainda mais essas fronteiras do Slack. Só em março, o aplicativo teve 1,8 milhão de downloads. Até agora, o volume de download da plataforma, neste ano, está 50% acima do mesmo período em 2019.

Mais do que aumentar o poder de fogo da Salesforce, o Slack seria ainda uma forma de a gigante se proteger e ainda atacar a Microsoft, que atua nesse mercado com o seu Microsoft Teams. Durante a crise, o número de usuários ativos na plataforma de Bill Gates subiu para 115 milhões no mês passado, contra 32 milhões no começo da pandemia, em março. Parte desse sucesso tem a ver com a estratégia: o Teams é gratuito para quem está inscrito no Office 365 suite.

Não é de agora, porém, que Salesforce tenta enfrentar a Microsoft. Em 2016, a Salesforce tentou comprar a rede social corporativa LinkedIn, mas a oferta de US$ 26,2 bilhões da Microsoft falou mais alto. A companhia de Benioff chegou a pedir revisão do acordo pelas autoridades competentes, que acabaram aprovando a transação.

A Slack também briga contra a Microsoft. Em junho deste ano, a plataforma de comunicação protocolou uma queixa contra a companhia de Bill Gates junto à União Europeia. Segundo a startup, a Microsoft estaria praticando monopólio ao explorar seu domínio de mercado para impulsionar o Teams.

Na última conferência com investidores, no mês passado, Satya Nadella, CEO da Microsoft, falou sobre como os 115 milhões de usuários do Microsoft Teams estavam provocando uma espécie ciclo virtuoso e promovendo o uso do Microsoft Dynamics CRM, o sistema de atendimento aos clientes que é o “arqui-inimigo” da Salesforce.

As ações da Slack fecharam nesta terça-feira, 1 de dezembro, em alta de 2,24%, enquanto a Salesforce recuou 1,81%. A Microsoft subiu 1%. O comunicado da aquisição foi feito após o fechamento do pregão.

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