A nova tacada dos irmãos Winklevoss, do Facebook, em criptomoedas

Fundada pela dupla conhecida pela disputa judicial com Mark Zuckerberg pela ideia do Facebook, a Gemini, avaliada em US$ 7,1 bilhões, compra a Bitria e expande sua plataforma de criptomoedas

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Tyler (à esq.) e Cameron Winklevoss, os fundadores da Gemini

Redes sociais são realmente página virada para os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, mais conhecidos pela briga judicial na qual acusavam Mark Zuckerberg de ter roubado sua ideia para criar o Facebook.

A disputa rendeu um acordo com Zuckerberg no valor de US$ 65 milhões. Mas, à parte desse dinheiro, desde 2012, quando visitaram Ibiza, na Espanha, os dois irmãos formados em Harvard só têm olhos para o que eles chamam de “money network”, as criptomoedas.

“É realmente uma rede financeira, porque agora você pode mandar dinheiro pela internet, como um email”, disse Cameron Winklevoss, em entrevista ao canal Real Vision Finance.

Os irmãos fundaram em 2014 a corretora de moedas digitais Gemini, avaliada em US$ 7,1 bilhões em sua última rodada de investimento, realizada em novembro de 2021. E agora está dando o maior passo dessa trajetória.

A Gemini anunciou a compra da plataforma de análise de mercado Bitria, com sede em São Francisco, usada por gestores para administrar investimentos em Bitcoin e outras criptomoedas. O valor da transação não foi divulgado.

Com a aquisição, a empresa expande seu campo de atuação e terá acesso a uma plataforma completa de custódia de ativos digitais, segundo Dave Abner, chefe global de desenvolvimento de negócios da Gemini.

“Muitos advisors têm acesso limitado a um ou dois tokens, através de fundos fechados e identificam ETFs de criptomoedas em jurisdições onde elas estão disponíveis”, disse ele em um comunicado à imprensa. “Hoje, estamos liberando o acesso ao ecossistema completo de ativos digitais para a comunidade de gestão de patrimônio.”

Para especialistas no setor, o acordo é um dos primeiros passos do que promete ser uma onda de fusões e aquisições semelhantes ao longo dos próximos meses, uma vez que corretoras de criptomoedas estão buscando maneiras de oferecer uma maior base de serviços e ampliar seus negócios.

Graças a essa estratégia e à compra da Bitria, a Gemini, por exemplo, vai passar a oferecer serviços como rebalanceamento de portfólio, planejamento de contas e conectividade de dados.

Essa guinada vai ao encontro de um estudo capitaneado pela empresa dos Winklevoss. A pesquisa identificou que 49% dos advisors financeiros afirmam que seus clientes mostraram interesse em criptomoedas nos últimos 6 meses, contra 7% que diziam o mesmo no mesmo período do ano anterior.

Até a tarde desta quinta-feira, 13 de janeiro, o bitcoin, principal criptomoeda do mundo, recuava 1,96%, sendo negociado a US$ 42,7 mil. Desde o início do ano, a moeda digital acumula queda de 8,5%.

As criptomoedas têm chamado atenção nos últimos anos por conta da disparada de sua popularidade – e preço. Entre outros fatores, elas seguem sob os holofotes por serem apontadas por muitos como uma resposta à inflação.

Os próprios irmãos Winklevoss usaram o Twitter para defender a tese: “A inflação disparou 7% em dezembro. Aumento mais rápido em 40 anos. Lembre-se: Bitcoin é o hedge de inflação mais conhecido do mundo”, escreveu Tyler Winklevoss na plataforma de microblog, no dia 12 de janeiro.

Não faltam vozes, porém, que destoam do coro favorável a esses ativos. Um dos nomes que discordam de Tyler é Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, conhecido por ser um crítico ferrenho das moedas digitais, as quais, já classificou como uma fraude. Em entrevista recente, ele voltou a disparar contra elas.

“Eu acho que é um pouco de ouro de tolo”, disse Dimon, em entrevista concedida ao “Axios on HBO”, programa de entrevistas do portal americano Axios no canal HBO.

Braço direito de Warren Buffett na Berkshire Hathaway, Charlie Munger também teceu críticas às criptomoedas e aos seus adeptos em entrevista recente dada ao jornal Australian Financial Review. E ao elogiar as políticas adotadas pela China para controlar esses ativos, em um contraponto a abordagem das autoridades americanas.

“Os chineses tomaram a decisão correta, que é simplesmente bani-las”, afirmou. “Acredite em mim. As pessoas ligadas às criptomoedas não estão pensando no cliente, mas em si mesmas. Eu não gostaria que nenhum deles se casasse com alguém da minha família.”

Conhecido por prever a crise de 2008 e apostar contra a bolha imobiliária, Michael Burry, fundador da Scion Asset Management, é mais um que não tem poupado comentários pouco elogiosos e previsões nada otimistas para as moedas digitais.

“Todo esse hype/especulação está atraindo o varejo antes da mãe de todos os crashes”, postou Burry, há alguns, em mais de um de seus famosos tuítes. “Quando as criptomoedas despencarem trilhões ou as ações meme caírem dezenas de bilhões, as perdas se aproximarão do tamanho de países.”

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